Observada pela primeira vez a colisão de duas estrelas de neutrões

Descoberta confirma que este é um dos acontecimentos que geram ondas gravitacionais e confirma também que é ali que se produzem elementos como o ouro e as terras raras, que depois se espalham pelo universo

Cientistas de mais de 70 observatórios de todo o mundo, em que se incluem os telescópios do ESO (European Southern Observatory) e o telescópio espacial Hubble, observaram pela primeira vez uma colisão entre duas estrelas de neutrões, enquanto as ondas gravitacionais produzidas que esse violento acontecimento que ocorreu numa galáxia a 130 milhões de anos-luz de distância da Terra, foram também detetadas pelas equipas do Laser Interferometer Gravitational-Wave Observatory (LIGO).

A descoberta, que acaba de ser anunciada em conferências de imprensa simultâneas, e que ficará como um marco histórico para a astronomia e a astrofísica, conta com a participação de um investigador do CENTRA, centro multidisciplinar de astrofísica, do Instituto Superior Técnico (IST), o colombiano Santiago Gonzalez Gaitan, que é coautor de um dos artigos científicos que descreve a observação,

As ondas gravitacionais, pequenas ondulações provocadas no tecido do espaço-tempo que resultam dos maiores cataclismos dos universo, foram previstas por Einstein em 1916, mas só no ano passado foi anunciada a sua deteção pela primeira vez detetadas, graças à coloboração científica LIGO - isso valeu aliás estes ano o prémio Nobel da Física a Barry C. Barish, Rainer Weiss e Kip S. Thorne, três dos cientistas que foram decisivos para a possibilidade de deteção destas ondas.

As primeirasquatro deteções confirmadas da LIGO diziam respeito a ondas gravitacionais causadas pela colisão entre dois buracos negros. Mas, em agosto último, à quinta vez em que aquela colaboração confirmou a deteção de ondas gravitacionais, a situação era diferente. Alertados, os telescópios terrestres e espaciais apontaram ao alvo e foi então que observaram o fenómeno luminoso, desde os raios gama, aos raios X, ao infravermelho e à luz visível, confirmando que ele resultou da colisão entre duas estrelas de neutrões, que são os núcleos muito densos que restam de estrelas de grande massa que explodiram.

"É uma dupla confirmação", diz ao DN Santiago Gonzalez Gaitan, explicando que, "por um lado é a confirmação das ondas gravitacionais, pela primeira vez utilizando a luz, mas é também a verificação de que as colisões de estrelas de neutrões produzem ondas gravitacionais".

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