O orçamento da Câmara do Porto para 2025 contempla uma verba de 450 milhões de euros, um aumento de 9% (ou mais 38 milhões) face ao do atual exercício. O valor é o maior de sempre e chegará no ano em que Rui Moreira se despede da presidência da autarquia devido à limitação de mandatos. A proposta foi ontem aprovada por maioria em reunião camarária, com as abstenções das vereadoras do PS e os votos contra da CDU e do Bloco de Esquerda..O documento assume a necessidade de reforçar a Polícia Municipal com mais 92 postos de trabalho, numa altura em que existe a perceção de aumento da insegurança na cidade. De acordo com a proposta de orçamento, o reforço policial terá em conta mais quatro oficiais de polícia, onze chefes de polícia e 74 agentes, a que acrescem mais três técnicos superiores convertidos de postos da categoria de assistente técnico..No total, a autarquia propõe-se contratar 223 pessoas no próximo ano, para áreas como a cultura e património, espaços verdes e gestão de infraestruturas, serviços jurídicos, entre outras. O mapa de pessoal para 2025 será assim incrementado em mais 157 postos de trabalho, dada a eliminação de 72. A despesa com pessoal vai registar um aumento de 9,5%, para 128,7 milhões de euros. Desta forma, os encargos com o governo da câmara crescem para 185,1 milhões de euros em 2025..Ainda no que toca à despesa, o último orçamento do movimento independente “Rui Moreira: Aqui Há Porto” concede a maior fatia à área do ambiente, energia e qualidade de vida, que vê inscrita uma verba de 78,2 milhões de euros. A segunda prioridade é o urbanismo e a habitação, que contará com 61,3 milhões no próximo ano, dos quais cerca de 56 milhões serão destinados à regeneração urbana, onde se inclui reabilitação de edificado para arrendamento acessível. A coesão social recebe uma verba de 39,7 milhões de euros, mais 1,7 milhões do que a atribuída para o corrente ano, com a maior fatia a estar destinada à resolução de problemas habitacionais. Para a intervenção social foram destinados 15 milhões..A vereadora da CDU, Ilda Figueiredo, considerou “a verba existente na coesão social muito baixa”. Já o representante do BE na Câmara do Porto, Sérgio Aires, apontou a falta de prioridade dada pelo executivo à elaboração da Carta Municipal de Habitação, que está agora prevista para 2026, e a inexistência de uma estratégia de combate à pobreza. Argumentos que acabaram por ditar o chumbo da proposta de orçamento por estes dois vereadores sem pelouro. Na ocasião, Rui Moreira sublinhou que os municípios têm encontrado “uma enorme dificuldade” em mitigar os problemas da habitação. “A habitação pública vai ter de ser também para as pessoas de médio rendimento”, defendeu..Ainda no capítulo da despesa, o executivo presidido por Rui Moreira consagrou 25,9 milhões de euros para a mobilidade (ligeiramente menos do que está estabelecido para 2024) e 37,4 milhões para a área da economia, pessoas e inovação..A receita corrente prevista no último orçamento da coligação independente que governa a Câmara do Porto deverá ultrapassar os 330 milhões de euros. Para este volume, irão contribuir 222,8 milhões em receitas fiscais, das quais 165,3 milhões referem-se a impostos diretos (IMI, IMT e derrama) e 57,6 milhões a taxas, multas e penalidades. Há ainda a sublinhar uma verba inscrita de 28,1 milhões de euros proveniente da taxa turística, cujo aumento de dois para três euros por dormida foi ontem aprovado na reunião camarária. Para além deste crescimento em 50% da taxa turística, o executivo estima um aumento das receitas fiscais provenientes do IMI, IMT, Derrama, loteamento e obras e ocupação da via pública. A receita de capital inscrita no documento ascende a 129,7 milhões..O orçamento da Câmara do Porto para 2025 admite ainda eventuais reforços de receita. O maior poderá chegar aos 200 milhões de euros e diz respeito a projetos de impacto sustentável que estão em negociação com o Banco Europeu de Investimento.