"O Sr. Almirante nunca bebeu uns copos?" Capelão da Marinha critica Gouveia e Melo

Licínio Luís arriscou a exoneração do cargo, tendo já pedido desculpa ao almirante, garantido que não quis questionar a autoridade do comandante da Marinha.

O capelão da Marinha, Licínio Luís, criticou o chefe da Marinha, o almirante Henrique Gouveia e Melo, por este ter acusado os dois fuzileiros de terem "manchado" a honra da farda com o espancamento do agente da PSP.

Numa publicação no Facebook entretanto apagada, o capelão pediu ao almirante para aguardar pela Justiça e não "julgar sem saber". "Os jovens estavam a divertir-se e foram provocados. Um deles é campeão nacional de boxe, no seu escalão, foi atingido a falsa fé e reagiu", escreveu, a propósito do incidente que levou à morte do agente da PSP Fábio Guerra à porta de uma discoteca em Lisboa.

"Quem não o fazia. É selvagem por isso? O senhor Almirante nunca foi para a noite? Nunca bebeu uns copos? Juízo com os nossos julgamentos. Aguardemos pelas investigações. Os nossos jovens têm direito a serem respeitados. Os jovens da psp estavam no mesmo âmbito e alcoolicamente tão bem dispostos como os nossos. Juízo com os nossos julgamentos", acrescentou Licínio Luís, que arriscou a exoneração do cargo.

Segundo o Expresso, o capelão já se reuniu com Gouveia e Melo após esta publicação, tendo pedido desculpa e garantido que não quis questionar a autoridade do comandante da Marinha

O agente Fábio Guerra, de 26 anos, morreu a 21 de março, no Hospital de São José, em Lisboa, devido às "graves lesões cerebrais" sofridas na sequência das agressões de que foi alvo no exterior da discoteca Mome.

De acordo com as informações da PSP, no local encontravam-se "quatro polícias, fora de serviço, que imediatamente intervieram, como era sua obrigação legal", acabando por ser agredidos violentamente por um dos grupos, formado por cerca de 10 pessoas. Os outros três agentes agredidos tiveram alta hospitalar no domingo.

Um dos suspeitos no envolvimento nas agressões, civil, foi terça-feira libertado após ser interrogado pelo Ministério Público e os restantes dois detidos, fuzileiros da Armada, ficaram na quarta-feira em prisão preventiva.

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