O hospital já vai a casa. É o "cocktail perfeito" para os cuidados

Os cuidados de proximidade são uma das prioridades do programa do governo para esta legislatura, mas já há hospitais que dispõem de unidades de hospitalização domiciliária. O DN acompanhou uma equipa do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte que há dois anos começou a tratar em casa doentes que já não precisam de estar internados em enfermarias, mas que ainda precisam de cuidados. E o resultado "é perfeito", dizem doentes e profissionais.

A mãe de Vitória tem 18 anos. Deixou São Tomé há pouco mais de um mês para vir dar à luz em Lisboa. Complicações no final da gravidez assim o determinaram. Quando chegou, entrou logo no Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte (CHULN), situado no Hospital de Santa Maria. O parto teve ser de cesariana e Vitória, assim lhe quiseram chamar, resistiu a tudo, mas para a mãe as complicações não tinham terminado. A jovem contraiu uma infeção após o parto, o que a obrigou a isolamento e a muito mais tempo de internamento em enfermaria. Vitória estava bem, mas ficou internada.

A mãe foi recuperando aos poucos e estabilizou, mas ainda precisava de mais terapêutica. E o serviço referenciou-a para a Unidade de Hospitalização Domiciliária (UHD). A jovem acabou por recuperar em casa de familiares, com os cuidados desta equipa, e a bebé Vitória acabou por ser mimada. Desde então que Vitória e a mãe passaram a fazer parte da história da unidade como um dos casos mais positivos que por ali passou nestes dois anos e de entre os 349 que a equipa já tratou.

A par desta história, há outras igualmente compensadoras, dizem-nos, embora marcadas pelo sofrimento, como a de uma mulher de 42 anos, com dois filhos pequenos, a quem a equipa da UHD prestou acompanhamento na fase terminal por doença oncológica. "Foi a doente que pediu que fosse assim e foi referenciada para nós pelo Serviço de Oncologia. Foi uma situação de grande angústia, envolvia duas crianças pequenas, uma de cinco anos, e tivemos de tratar da doente e dar apoio à família, mas acreditamos que conseguimos manter a doente sempre confortável, como tinha pedido, até ao último minuto, que foi acompanhado pela mãe, marido e filhos. É para isto que cá estamos também, para melhorar os cuidados aos doentes, sejam doentes terminais ou não", desabafa um dos médicos da UHD, David Fortes.

Mas há outras situações, e as mais comuns são as de doentes que só precisam de cuidados essenciais, como antibiótico por via endovenosa ou oxigénio, mas, como nos dizem, todas são compensadoras, todas fazem parte do mesmo objetivo e desafio, que é tratar "o doente da forma mais confortável". Ou melhor, e como o definem, fazer com que os cuidados ao doente se tornem "um cocktail perfeito", o que só é possível quando "o hospital vai a casa". O DN acompanhou uma equipa da UHD, e numa manhã encontrou três histórias de mulheres idosas, em suas casas e com as suas famílias, e, no final, o relato deixado foi positivo.

Mais de 44 mil quilómetros percorridos em dois anos a ver doentes

Ao todo, e desde que receberam o primeiro doente, a 12 de fevereiro de 2020, a equipa da UHD do CHULN já percorreu mais de 44 mil quilómetros, entre as freguesias da sua área de influência. Tanto vão de Campo de Ourique à Alta de Lisboa, como de Benfica a Odivelas, para acompanhar, duas vezes ao dia, os doentes que recebem das enfermarias, num máximo de seis. Desde que começaram, não mais pararam, nem mesmo quando a pandemia se instalou e alguns dos seus doentes testaram positivo. Isto porque, afirma a enfermeira-chefe da UHD, Paula Morais, "conseguimos isolar os doentes e os familiares de forma a continuarem a ser tratados em casa".

Os cuidados que praticam são os mesmos de qualquer outro serviço hospitalar e as rotinas também, a filosofia dos cuidados é que os "obriga a sair para fora das paredes do hospital". Mas este é o desafio. Por isso todos os dias, às 08h00, a equipa, que integra dois médicos, Teresa Rodrigues, também diretora da unidade, e David Fortes, e cinco enfermeiros, a chefe Paula Morais, Pedro Gamito, Rita Claudino, Sónia Pequito e Ana Sofia Duarte, senta-se à volta da mesa da unidade para discutir os doentes do dia.

Todos estão desde o início do projeto, ninguém o abandonou. Pelo contrário, "se me dissessem que iria ficar, não acreditava. Pensei que seria só o início, mas estamos cá todos há mais de dois anos", desabafa a enfermeira-chefe. A diretora da unidade confessa mesmo: "Nenhum de nós estava muito virado para esta área. Talvez só a enfermeira Paula, que trabalhava num serviço de medicina e já tinha feito vários trabalhos na área da capacitação do cuidador e da ligação com o doente", contudo, destaca, "este projeto apareceu como algo novo, como um desafio, e não sou propriamente pessoa para dizer não às coisas e aceitei experimentar".

O balanço é positivo. "Correu muito bem", assegura. De tal forma que Teresa Rodrigues, que se diz "uma mulher das urgências", serviço em que estava há 18 anos, de entre os mais de 40 de profissão, mesmo a coordenar a UHD à distância, "o que nem sempre era fácil", deixou tudo para se dedicar a tempo inteiro só à hospitalização domiciliária, porque agora tem um sonho. "I have a dream", afirma, parafraseando Martin Luther King: "Conseguir acompanhar tantos doentes como tem uma enfermaria de medicina, 20 a 22, até ao final do ano." E acredita que o irá conseguir, só precisa de mais recursos humanos. "Pelo menos de mais três a quatro médicos assistentes e mais alguns enfermeiros. Só os elementos que temos não chegam, mas sabemos que há uma vontade forte da direção clínica do hospital em fazer crescer a unidade."

O tempo passa e à volta da mesa há já quem aponte para o relógio. "Temos de começar a preparar as mochilas - ou melhor, o mini-hospital - para sairmos", afirma a enfermeira Sónia. Paula Morais tinha já planeado as visitas e a volta do dia. Naquela manhã, o percurso era simples, três doentes, da Alameda da Universidade a Benfica e daqui até à Alta de Lisboa.

Na unidade, instalada num dos anexos no piso térreo do Hospital de Santa Maria, junto à universidade, as enfermeiras preparam as mochilas, onde levam seringas, agulhas, material necessário para administração de medicação endovenosa e subcutânea, aparelhos para avaliar os sinais vitais dos doentes, tensão arterial, oximetria, termómetro, medidores de glicemia, desinfetantes, luvas, compressas e medicação SOS para uma urgência - o Sr. Eliseu prepara a carrinha para a primeira viagem do dia. Sónia Pequito guarda a mochila que prefere usar como trolley e não às costas, por estar "muito pesada, embora hoje já não queiramos trazer tudo, com receio de faltar alguma coisa. A experiência ensinou-nos que não é preciso".

Três doentes, três mulheres e histórias diferentes

São 9h15, mais tarde do que o habitual, porque o arranque acontece antes das 9h00. E a primeira coisa a fazer é direcionar o GPS, para "não nos perdermos e fugirmos ao trânsito", afirma a enfermeira Sónia. "O trânsito, por vezes, complica muito o nosso serviço. Temos de chegar entre 30 e 40 minutos a cada doente e nem sempre é fácil." Naquela manhã, oito minutos bastam para se chegar a casa da primeira doente, junto à Igreja de Benfica. A campainha toca e do outro lado do fio salta a frase: "Quem é?" E a resposta não deixa dúvidas: "É o hospital, a equipa da hospitalização domiciliária."

No 2.º andar, a cuidadora da D. Maria José abre a porta. A doente está a ser acompanhada pela equipa desde o dia 29 de abril e diz que se sente "muito melhor". Na sala, sentada no seu cadeirão, de robe e pijama, recebe-nos de sorriso rasgado no rosto. "Bom dia, como estão?", diz logo à entrada. "D. Maria José, hoje trazemos companhia", explica a enfermeira. "Não faz mal, já sabia, a minha filha disse-me", pelo que perguntamos logo: "Está satisfeita com estes cuidados?" "São uma excelente ideia. Não há como isto, uma pessoa poder ser tratada em casa", responde.

A voz é rouca e um pouco cansada. A enfermeira Sónia verifica os sinais vitais e está tudo bem, mas o médico David Fortes nota o cansaço na conversa e diz-lhe que tem de fazer oxigénio pelo menos 30 minutos. Maria José aceita, mas ocorre-lhe algo. "Doutor, depois da alta vou ter de andar na rua com uma botija de oxigénio e com os fios no nariz? Não me diga que vou, eu sou tão vaidosa." Ele ri-se e responde: "Isso ainda temos de avaliar, mas já viu que um esforço tão pequeno, como o estar a falar connosco, a deixou tão cansada?" A cuidadora explica que Maria José já se anda mexer há muito tempo, desde que se levantou, e que já lhe queria ter posto o oxigénio, como a equipa recomendou, mas ela não quis. "Disse que se sentia muito bem", explica.

Maria José tem 85 anos e toda a vida foi professora primária na freguesia de Benfica. Foi internada no hospital devido a uma infeção respiratória, que já teve algumas vezes, mas nunca seguida de pneumonia, como agora, e por uma insuficiência cardíaca descompensada. Sónia Pequito explica: "A doente cumpriu a antibioterapia, mas ainda está a fazer medicação endovenosa e oxigénio." Está a recuperar bem, mas a parte pulmonar não deixa a equipa descansada, pelo que ainda não teve alta, e no dia seguinte à visita vai ao hospital fazer uma TAC para avaliar o estado dos pulmões.

A enfermeira diz-lhe que não tem de se preocupar com nada e que não é preciso a cuidadora ir com ela. "O exame está marcado para as 9h30. Vem um transporte do hospital buscá-la entre as 8h00 e as 8h30, e quando chegar terá uma funcionária à sua espera, que andará consigo para todo o lado, quando estiver pronta, o mesmo transporte trá-la de regresso a casa. Tudo funciona como se estivesse numa enfermaria", refere.

Maria José esteve internada no Serviço de Medicina durante três semanas e foi proposta para hospitalização domiciliária pela equipa que a acompanhava. Tanto ela como a filha aceitaram logo esta modalidade de internamento. "Sinto-me muito bem e tinha condições para isto. Tenho uma cuidadora 24 horas e os meus filhos, pois quando a senhora vai de folga fica um deles comigo. Não há nada melhor do que a nossa casa. Nos hospitais entramos com uma doença e saímos com outra, e tinha medo disso. Assim é ótimo. Muito obrigada. São muito simpáticos", reforça a doente.

O médico David Fortes destaca: "O bem-estar do doente é a nossa prioridade. Se lhe conseguirmos dar o conforto e a estabilidade do ponto de vista clínico de que necessita, já cumprimos a nossa função", especificando :"Somos um serviço de internamento, e não de apoio domiciliário. É preciso que as pessoas percebam isso, porque, acima de tudo, este tipo de cuidados representa uma mudança nas mentalidades. Levámos várias décadas a tentar arranjar estratégias para conseguir melhorar o tratamento dos doentes nos hospitais, agora temos uma opção intermédia, porque não está centralizada no hospital nem nos cuidados primários, mas que permite tratar o doente de forma mais confortável. Só é preciso que profissionais e população em geral aceitem esta mudança."

A conversa entre a equipa e a doente continua - ela tira algumas das dúvidas que tinha e a cuidadora também. Tudo é explicado em pouco mais de 20 minutos, mas sem "a confusão ou as interrupções normais quando o doente está numa enfermaria", refere a enfermeira. "Há mais disponibilidade." Maria José despede-se com um até amanhã, mas Sónia diz-lhe: "Amanhã a visita é no hospital", mas à tarde "ligamos para ver como está e se for preciso voltamos cá".

De Benfica até à Alta de Lisboa

A próxima doente, a D. Ercília, de 92 anos, vive muito perto e a viagem é curta, em menos de cinco minutos o hospital está de novo a bater à porta. A enfermeira Sónia aproveita para contar que a melhor definição que ouviu até hoje sobre o trabalho que fazem partiu da filha de uma doente e agora também a utiliza: ""Vocês trazem os medicamentos e nós damos os mimos. É o cocktail perfeito de cuidados para o doente melhorar", dizia ela. E é verdade." A filha da D. Ercília abre a porta e recebe a equipa.

A doente, que chegou à equipa só há dois dias, cumpre terapêutica endovenosa, dois antibióticos, para uma infeção urinária e pneumonia. Deitada no quarto, por já ter problemas de mobilidade e alguns períodos de desorientação, D. Ercília observa a chegada. A sua vigilância agora tem de ser de 24 horas, mas até há um mês e meio, conta a filha, Alice, "estava na sua casa, era autónoma, tinha vigilância três vezes ao dia, mas não queria sair de lá".

Mas foi há pouco mais de um mês que a filha começou a notar que a mãe não estava bem. "Começou com febre e um pouco confusa. Trouxe-a para aqui, mas não melhorava e chamámos um médico a casa para não a levar ao hospital, mas ele foi de opinião que ela devia ir e acabou por ficar internada três semanas." Quando lhe foi proposto este tipo de internamento, aceitou e diz que a mãe "já não está tão confusa". "Ainda ontem me perguntava que dia era, eu disse-lhe e ela respondeu: "Estou quase a fazer anos." O que quer dizer que tem lucidez" (D. Ercília completou 93 no dia 30 de maio).

No dia em que a visitámos os sinais vitais estavam bem. "Está tudo ótimo", diz a enfermeira Sónia, enquanto o antibiótico desliza do saco colocado numa prateleira para a veia da doente. "Tudo se adapta para prestarmos os cuidados", afirma. O médico fala com Alice e ajuda-a na gestão dos sintomas e nas dúvidas que tem. No final, a equipa despede-se da doente e a filha diz-lhe, a brincar: "Até amanhã, mãe", ao que ela responde: "Tu não vais", esboçando um sorriso. "Vê, percebeu", afirma a filha, satisfeita.

O próximo destino é a Alta de Lisboa até casa da D. Esperança, ou Esperancinha, como lhe chama a filha, Margarida, que diz ter uma mãe com um feitiozinho muito especial. "Sabe, é feitiozinho de alentejana, de São Domingos, no concelho de Mértola", diz a rir. Margarida é cuidadora da mãe há muitos anos, desde que teve um acidente vascular, e desta vez, depois de a mãe ter estado durante dois dias internada no serviço de urgência de Santa Maria devido a uma infeção urinária, aceitou a hospitalização domiciliária.

"A doente estava estabilizada e assim que falámos com a filha sobre a possibilidade de a tratarmos em casa aceitou", explica a enfermeira. "Esta senhora disse-nos que quer continuar a cuidar da mãe, mas está muito cansada e precisa de ajuda. É um dos casos em que a família é a cuidadora, 24 horas sob 24 horas, e não é fácil. Já falámos com a assistente social para ver se é possível dar-lhe apoio nas necessidades que tem."

Margarida abre a porta e a mãe vira a cabeça para saber quem está a entrar, mas não está num dos seus dias. "Está muito caidinha hoje", diz a filha enquanto lhe acaricia o rosto. "Só quer dormitar. Parece que não dormiu tudo." O médico pergunta a que horas é que está a tomar a medicação para dormir e aconselha um reajustamento. "Passe a dar mais cedo. Assim, ela adormece mais cedo e dorme o necessário." Contudo, explica que o diagnóstico da D. Esperança já envolve uma demência vascular que tanto se pode manifestar pela prostração como pela agitação em alguns momentos.

A enfermeira Sónia coloca-lhe a seringa para o antibiótico correr na veia e passa à monitorização dos sinais vitais. "A tensão está ótima e a diabetes também", diz. A filha pica-a: "Então, Esperancinha, vamos dar uma volta?". Ela ri-se também. A equipa explica: "Isso é que não. Os doentes não podem sair, a não ser que seja para fazer exames no hospital. É como se estivessem internados numa enfermaria." Mas a filha não tem dúvidas de que em casa "está muito melhor. Tem a cama dela, o sofá, e está connosco". À saída, a equipa deixa a mesma recomendação. "Ligamos da parte da tarde para saber como é que ela está." A volta diária aos doentes termina pelas 13h00. A viagem agora é de regresso ao hospital, para registar tudo o que foi observado no processo de cada doente.

Seis mil visitas em dois anos e 110% de satisfação

Ao fim de dois anos de atividade, a equipa já fez seis mil visitas ( 5961) e o feedback dos utentes em relação à qualidade dos cuidados e à satisfação dos mesmos compensa tudo. "É de 100%", dizem-nos. Basta olhar para o inquérito feito aos utentes e familiares após cada alta. O último cartão de agradecimento recebido e afixado no quadro da sala da unidade também é prova disso. "Não há palavras", começa por dizer um dos familiares, para repetir depois muitas outras palavras e ideias frequentemente transmitidas: "Obrigada pelo carinho e profissionalismo", "obrigada pela paciência", "obrigada pela maneira como me trataram", "são uma equipa cinco estrelas" ou até "este serviço devia ser mais divulgado" e "ter mais recursos". A enfermeira-chefe confirma: "Os próprios doentes acham que devíamos expandir mais o serviço."

A diretora da UHD vinca que o projeto tem pés para andar e que acredita que conseguirá concretizar o seu sonho, argumentando até que este tipo de cuidados "não é só uma prioridade para o governo, é também para nós, hospital e profissionais, porque tem vantagens tanto do ponto de vista económico, o doente está menos tempo internado, como sobretudo do ponto de vista do doente, que corre menos riscos e que é tratado mais confortavelmente. Só o facto de o doente poder ser tratado sentado no seu sofá, quando tem o seu comando de televisão na mão, é uma vantagem imensa". A enfermeira-chefe acrescenta ainda que o trabalho que fazem vai mais além do que os cuidados ao doente. "Não prestamos só cuidados, ouvimos os doentes e os familiares. Há mais disponibilidade para a relação com eles. O nosso trabalho também é ajudar e capacitar as famílias ou os cuidadores sobre como lidar com os seus doentes."

Por tudo isto é que para o projeto crescer é preciso que profissionais e famílias saibam que existe. Teresa Rodrigues assume: "Ainda não está bem interiorizado pelos colegas que, às vezes, há doentes que não têm de sair da urgência e subir para as enfermarias ou que há outros que já não têm de ficar nas enfermarias e que podem acabar a terapêutica em casa."

Até agora os doentes têm chegado à UHD sobretudo através da pesquisa que diariamente a enfermeira-chefe faz aos ficheiros dos doentes que entram no hospital, embora comece a haver alguma referenciação de alguns serviços, sobretudo de cirurgias e da urgência. Os critérios de admissão são transversais a todas as unidades que já existem no país. "São doentes que têm de estar estáveis do ponto de vista clínico, que não careçam de cuidados intensivos ou que se preveja que não venham a carecer, e que não necessitem de nenhum suporte muito complicado de cuidados, a não ser soros ou oxigénio. São doentes que, por norma, precisam de fazer terapêutica endovenosa", especifica.

"A UHD funciona 24 horas, como qualquer serviço hospitalar, e 365 dias. Há duas visitas por dia nos oito dias da semana, mas se durante a noite houver doentes que descompensem ou que se sintam desconfortáveis ligam-nos, porque há sempre um médico e um enfermeiro de prevenção, e vamos lá", explica ainda. "Todos os óbitos que tivemos foram durante a noite e estivemos presentes em todos, a apoiar os doentes e as famílias", refere Teresa Rodrigues. E até agora já houve nove situações que resultaram em óbitos, doentes terminais, oncológicos ou com outras patologias. Nestes dois anos em que tiveram de construir a unidade do zero, "desde arranjar mesas, cadeiras, computadores para poderem trabalhar, até à elaboração de todos os protocolos para o recrutamento e tratamento de doentes", a equipa de Teresa Rodrigues sente que a missão foi cumprida. Agora, é continuar.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG