No Chiado, hambúrgueres, sushi e petiscos comem-se num palácio

Após uma renovação arquitetónica, o Palácio Chiado, na Rua do Alecrim, concentra hoje uma oferta inovadora de restauração

Um monteiro dos milhões, feito de brandy, Porto Ruby, ovo, café e açúcar, em homenagem ao "excêntrico que, com a mesma chave, abriu os portões da Quinta da Regaleira, do Palácio Quintela e de Farrobo e do seu jazigo no cemitério dos Prazeres". Um à grande e à francesa, de Rum Kraken, clara de ovo, sumo de limão, xarope de açúcar de alecrim e ananás, a lembrar Junot, o general francês que durante as invasões francesas se estabeleceu no edifício do século XVIII e ali "viveu de forma farta e abastada". Ou, então, o palácio Chiado, cujos ingredientes são Martin Millers Gin, vinho tinto, poejo e sumo de lima, e que assinala a nova fase do espaço lisboeta que chegou a acolher o IADE - Instituto de Arte, Design e Empresas e que, há duas semanas, reabriu como local de restauração e entretenimento.

Estes são apenas alguns dos cocktails de assinatura que podem ser bebericados no bar que, logo à entrada, marca o acesso de comensais e curiosos a uma arquitetura de outros tempos com os sabores de hoje. "O piso zero é mais self-service: tem uma dimensão em que a própria pessoa é obrigada a visitar a cozinha original do palácio", explica Duarte Cardoso Pinto, um dos três sócios do Palácio Chiado, antigo Palácio Quintela e de Farrobo, na Rua do Alecrim. O que se vê impressiona e dá o mote para o que pode ser encontrado em todo o imóvel: em vez das linhas direitas típicas de um qualquer centro comercial, imperam o mármore, gravuras dignas de estarem em exibição num museu e tetos que contam, eles próprios, histórias que alguém quis eternizar.

A beleza do palácio

O projeto de arquitetura da remodelação esteve a cargo de Frederico Valsassina, o restauro das pinturas e dos vitrais de Elvira Barbosa e, mesmo que pudessem fazê-lo, o objetivo dos mentores do conceito foi sempre não alterar a traça do palácio classificado como imóvel de interesse público. "O palácio é a beleza que é", sublinha o responsável, que, quando há mais de dois anos soube que o edifício iria ficar disponível, não perdeu tempo a desafiar dois amigos - os irmãos Gustavo e António Duarte - a desenvolverem um negócio que desse a lisboetas e visitantes um motivo para visitar o palácio localizado em pleno Chiado.

Do hambúrguer ao sushi

O pretexto é de fazer água na boca. No piso térreo, além do bar que acalma mais o espírito do que o estômago, estão instalados o Burgers&Feikes (da marca U-try), onde se pode comer hambúrguer em pão de batata-doce ou pão branco; o Meat Bar (do restaurante Atalho), que só aposta em carne de primeira qualidade, como vazia com maturação de 30 dias; o Local Chiado (da cadeia Local - Your Healthy Chicken), dedicado aos pratos saudáveis e especiais, de que é exemplo a taça de quinoa real, frango assado desfiado, maçã, pepino, cenoura e molho sweet chili; e o Páteo no Palácio (do Páteo do Petisco), onde não faltam os indispensáveis petiscos portugueses com um toque gourmet, como pica-pau que, aqui, ganha a forma de nacos de alcatra de vitela salteados com alho e cogumelos, malagueta e molho de cerveja preta.

Já no primeiro piso, destinado a um bar e a três restaurantes que, por ocuparem salas nobres, evocam banquetes de outros tempos, encontram-se a Espumantaria do Mar (pela Espumantaria), com acompanhamento do chef Vítor Hugo e uma carta que une o espumante a iguarias marítimas únicas, como as ostras com espuma do mar, maracujá e algas; o DeLisbon (pela Charcutaria Lisboa), com carta e acompanhamento do chef Vítor Sobral e enchidos e queijos que vão desde o paio do cachaço ao cabra Granja dos Moinhos; e o Sushic Chiado, onde os sabores portugueses e asiáticos se cruzam, por exemplo, no tempura de carapau com mousse de caldeirada da Costa Vicentina e nos chips de pargo do atlântico e guacamole de wasabi. A entrada é por um foyer sobrevoado por um grande leão dourado.

O espaço está aberto entre as 12.00 e as 00.00 de domingo a quarta-feira, encerrando duas horas mais tarde nos restantes dias. A estimativa dos sócios do projeto é que uma refeição no piso zero custe, em média, 15 euros por pessoa e, no piso superior, varie entre os 25 e os 50 euros. O palácio, que receberá exposições temporárias, tem ainda uma sala para eventos privados.

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