"Noite muito difícil" com túnel do Campo Grande a parecer uma piscina com 3 metros de profundidade

O presidente da Câmara de Lisboa fez um ponto da situação sobre as consequências do mau tempo que afetou várias zonas da capital. "Felizmente não há feridos graves no município de Lisboa, há muitos danos materiais", afirmou o autarca, que lamentou a vítima mortal registada em Algés.

"Foi uma noite muito difícil", afirmou esta quinta-feira Carlos Moedas, presidente da Câmara de Lisboa, no ponto de situação sobre as consequências do mau tempo que afetou várias zonas da capital. "Felizmente não há feridos graves no município de Lisboa, há muitos danos materiais", afirmou.

"Tivemos mais de 300 ocorrências em Lisboa. Basicamente, choveu, entre as 17:00 e as 01:00, 87 milímetros de água, algo que não se via desde 2014", disse Moedas, recordando que nos últimos três meses, a cidade registou três eventos desta natureza, sendo o de maior dimensão o que ocorreu na noite de quarta-feira.

"As mudanças climáticas existem. Estão para ficar", sublinhou o autarca, que destacou a importância das obras "estruturais" dos túneis de drenagem em Lisboa, cujas obras vão começar em março.

Carlos Moedas disse que, na quarta-feira, "por coincidência", foi aprovado na Assembleia Municipal o orçamento que "dá a capacidade de começar já em março" as obras dos túneis de drenagem de Lisboa".

São "dois túneis, um que irá desde Campolide até Santa Apolónia e outro entre Chelas e Beato, que vai permitir escoar toda esta água em caso de de chuva, com reservatório de 17 mil metros cúbicos, que vai permitir estarmos preparados no futuro, que estas situações não acontecem na nossa cidade", detalhou.

"É nessa obra que temos de nos concentrar. Gostaria de pedir aos lisboetas paciência porque vai ser uma obra muito grande, que vai ter impacto na mobilidade da cidade, mas ela é essencial", sublinhou sobre a obra, que deverá estar concluída em 2025.

O autarca referiu que ontem foram resgatadas "mais de 14 pessoas que estavam em situação muito difícil".

Moedas avisou que todas as pessoas que tiveram que deixar as suas viaturas que "contactem imediatamente" a polícia municipal caso não encontrem os seus veículos no lugar onde deixaram. "A polícia municipal teve de rebocar esses automóveis".

"Conseguimos durante esta noite ter a capacidade de não ter aqui qualquer dano da vida humano", notou o autarca, reconhecendo que decorrem ainda trabalhos em locais "complicados".

O túnel do Campo Grande é um desses locais, onde ainda está a ser retirada água. "Penso que no Campo Pequeno o túnel estará aberto dentro da próxima hora. Penso que nas próximas horas a cidade voltará à normalidade", desejou.

Mais de 120 bombeiros estiveram a responder às centenas de ocorrências na sequência do mau tempo que afetou a zona de Lisboa. Moedas aproveitou para agradecer a todos os profissionais e serviços que estão a ajudar a normalizar a situação na capital.

Recordou que à meia-noite, Lisboa tinha mais de 200 ocorrências ativas. "Não pensei que estivéssemos hoje já com esta normalidade, porque vi as coisas muito complicadas. Felizmente deixou de chover. Hoje teremos um dia que, esperemos, que não seja complicado".

Carlos Moedas aproveitou para fazer um pedido: Quando uma situação destas voltar a acontecer, "porque vai voltar a acontecer, é inevitável com as mudanças climáticas", e se os túneis voltarem a ter um pouco de água, "não arrisquem".

"Ontem, às 02:30, o túnel do Campo Grande era como se fosse uma piscina com três metros de profundidade", destacou o autarca de Lisboa. "E a minha angústia como presidente da câmara foi pensar o que poderia estar em três metros de profundidade", reconheceu.

"Lisboetas, nunca arrisquem, não fiquem dentro do carro", repetiu o apelo Carlos Moedas, caso a capital volte a passar por uma situação semelhante, lamentando a vítima mortal em Algés.

O autarca frisou que na cidade de Lisboa estão identificados os locais onde as "situações mais graves acontecem normalmente", como a Baixa lisboeta, o Campo Grande e Campo Pequeno, Lumiar e a Avenida 24 de julho.

"Há muito tempo que Lisboa não tinha um alerta vermelho, aliás penso que desde 2014 (...), e portanto há muitos danos materiais. Felizmente no município de Lisboa não temos danos em termos de vida humana a considerar. As pessoas foram ajudadas, houve situações aflitivas, mas conseguimos resolver. Como sabemos, do lado de Algés temos a lamentar uma pessoa que faleceu, mas aqui no município de Lisboa (...) temos sobretudo muitos danos materiais", disse Carlos Moedas, à CMTV, numa visita que fez esta manhã à zona de Campo Grande para ver os estragos provocados pelo mau tempo.

Até no aeroporto se sentiram os efeitos da intempérie.

Mais de 100 pessoas obrigadas a sair de casa na Amadora

Mais de uma centena de pessoas tiveram que sair temporariamente das suas casas na sequência das fortes chuvas de quarta-feira, que atingiram sobretudo os distritos de Lisboa e Setúbal, informou a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil.

O comandante de operações José Miranda disse à Lusa que desde o início do alerta - 00:00 de dia 7 até às 07:00 de hoje - foram registadas 849 ocorrências.

"Destas, 71 por cento ocorreram no distrito de Lisboa e 11 por cento no distrito de Setúbal, sendo que 80 por cento - 673 ocorrências - se devem a inundações", explicou.

A maioria das ocorrências deu-se ao início da noite de sexta-feira e entre as mais significativas, José Miranda destacou um aluimento de terras na freguesia de Mina de Água, concelho da Amadora, que "atingiu dois barracões, e que levou a que 100 pessoas tivessem sido deslocadas temporariamente das suas habitações".

"Registámos também inundações na Costa da Caparica, em Almada, que provocaram seis deslocados das suas habitações e o resgate de 47 pessoas dos seus veículos", disse.

O responsável adiantou que as inundações registadas na freguesia do Feijó, em Almada, provocaram 10 desalojados.

José Miranda referiu também as inundações registadas na noite de quarta-feira em Algés, concelho de Oeiras, que provocaram a morte de uma mulher de 55 anos devido a uma inundação na sua habitação provocada pelas chuvas fortes.

Os 18 distritos de Portugal Continental encontram-se hoje sob aviso amarelo, devido à previsão de chuva por vezes forte, podendo ser acompanhada de trovoada e de rajadas fortes de vento.

Também os arquipélagos dos Açores e da Madeira estão sob aviso amarelo devido sobretudo à agitação marítima e ao vento forte.

O aviso amarelo corresponde a uma "situação de risco para determinadas atividades dependentes da situação meteorológica".

Com Lusa

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