Máscara cirúrgica, social ou FFP2? O bom é usar e bem

Portugal e maioria da UE não defendem uso de máscaras profissionais contra a covid-19. Usar as certificadas e cumprir as regras é o aconselhado.

A Alemanha, a França e a Áustria vieram nos últimos dias vetar a utilização de máscaras caseiras, também denominadas sociais ou comunitárias, em locais públicos. Obrigam ao uso das FFP1 (cirúrgicas) ou FFP2 (90% a 95% de bloqueio das partículas), com a Áustria a ficar-se pela FFP2. Portugal, tal como o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças, mantém todas as possibilidades.

O que os especialistas dizem é que devem usar-se máscaras certificadas e cumprindo as regras. Isto quando um estudo conclui que a população portuguesa as negligenciou e a ASAE apreendeu 1,5 milhões por não cumprirem a certificação.

"Só há máscaras eficazes se forem usadas e se forem usadas o tempo suficiente para garantir a prevenção do contágio, nomeadamente da proteção do próprio e dos outros", começa por dizer o pneumologista Filipe Froes. Mas o o que o último estudo da Escola Nacional de Saúde Pública nos diz é que, no Natal e no Ano Novo, as pessoas não só desconfinaram como utilizaram menos a máscara.

"Desde finais de junho e até antes do Natal, a percentagem dos que usavam máscara na presença de outras pessoas foi sempre melhorando. Nas épocas festivas houve um retrocesso. À pergunta "usou sempre a máscara quando esteve num grupo com dez ou mais pessoas?", 60% responderam que não", explica Carla Nunes, diretora da escola. A cientista lembra que o vírus está em todo o lado, nomeadamente nos convívios familiares, e regista o relaxamento em relação às medidas de prevenção e de combate à covid-19. São mais os homens e o grupo etário dos 26 aos 45 anos que admitem não usar máscara - e também os que têm um curso superior relaxaram mais.

Conclui-se que não foi cumprida a primeira constatação de Filipe Froes: "A máscara mais eficaz é a que é usada corretamente." O pneumologista sublinha que as FFP2, "habitualmente usadas em procedimentos geradores de aerossóis, são máscaras mais apertadas, mais desconfortáveis e que, muitas vezes, não são fáceis de manter muito tempo, nem mesmo para os profissionais de saúde".

Filipe Froes entende que não há razões para a exigência do uso de máscaras com maior capacidade de filtro e de proteção. "Não existe evidência sólida que justifique a sua utilização generalizada. Atendendo a três fatores essenciais, que são a adesão, o custo e a necessidade de salvaguardar este equipamento para situações em que comprovadamente são eficazes, nomeadamente a nível hospitalar, reforço a importância de se manter a utilização das máscaras comunitárias certificadas e das cirúrgicas, que já estão vulgarizadas. Sobretudo em indivíduos com mais de 65 anos ou fatores de risco para desenvolver formas graves da doença."

1 425 milhões aprendidas

O bom uso da máscara deve ser acompanhado das medidas de higienização, do distanciamento social e do respeito dos períodos de isolamento profilático, para que o risco de contágio seja "praticamente nulo", frisa Filipe Froes.
Além de a máscara dever estar certificada, devem ser cumpridas as regras de utilização. No caso das máscaras cirúrgicas, a proteção é de quatro a seis horas, período de tempo acumulado. E as comunitárias devem respeitar o número de lavagens.
A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) diz estar em "permanente supervisão e vigilância do mercado no âmbito dos produtos utilizados para proteção contra a pandemia". Desde meados de março de 2020, apreendeu 1,425 milhões de máscaras. Foram retiradas de venda 25 tipos de semimáscaras respiratórias, na sequência de notificações emitidas pelo sistema europeu de alerta rápido para produtos perigosos não alimentares (RAPEX ). A ASAE instaurou ainda 497 processos de contraordenação, a maioria dos quais relativos à comercialização de máscaras e de gel desinfetante. Destaca-se a "marcação CE" indevida, a disponibilização no mercado e/ou a colocação em serviço de equipamentos de proteção individual sem os requisitos essenciais de saúde e segurança, e a falta de cumprimento de requisitos legais em máscaras comunitárias.

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