Mário Machado detido pela PJ após buscas por difusão de crimes de ódio

Polícia Judiciária encontrou uma arma de fogo ilegal na casa do neonazi. Advogado "confiante de que ainda hoje ou, o mais tardar, amanhã sairá em liberdade".

O líder do extinto movimento Nova Ordem Social (NOS), Mário Machado, foi detido esta terça-feira pela Polícia Judiciária, disse à Lusa o advogado José Manuel Castro.

Mário Machado estava em casa no momento da detenção, que aconteceu no seguimento de buscas realizadas por difusão de crimes de ódio na Internet detetados pela PJ, apurou o DN junto de fontes que acompanham a investigação.

Em causa, além da difusão de propaganda de ódio na Internet, está posse de armas proibidas (um bastão e uma arma de fogo ilegal), o que motivou a detenção.

José Manuel Castro, advogado de Mário Machado em diversos processos, entre eles o 'Hells Angels', disse à Lusa que o antigo líder do NOS foi levado para o estabelecimento prisional anexo à PJ.

O enquadramento legal para as buscas baseia-se no artigo 240 do código penal, que diz que "incitar à violência ou ao ódio contra pessoa ou grupo de pessoas por causa da sua raça, cor, origem étnica ou nacional, ascendência, religião, sexo, orientação sexual, identidade de género ou deficiência física ou psíquica; é punido com pena de prisão de 6 meses a 5 anos".

O inquérito começou com questões sobre declarações que remontam a agosto de 2019, quando Mário Machado disse ter "850 militantes" atrás do suspeito de matar a tiro um jovem funcionário da discoteca Lick, no Algarve.

O líder do Movimento Nova Ordem Social (NOS) chegou mesmo a apelar que não entregassem o suspeito, um jovem negro de 20 anos, às autoridades. "Procura-se assassino! Não o entreguem às autoridades se souberem do seu paradeiro enviem-nos mensagem privada", escreveu nas redes sociais.

Publicação online com alguns anos na origem da detenção

A detenção deveu-se a uma publicação na Internet "já com alguns anos", confirmou mais tarde à Lusa o advogado.

"Mário Machado foi detido, concretamente, por uma publicação na Internet já com alguns anos. Foi esse o motivo que levou à origem da detenção. Era uma publicação em que apelava à detenção de um indivíduo que terá cometido um homicídio numa discoteca no Algarve. Curiosamente, nessa publicação não vinha referida a cor de pele ou etnia de ninguém", disse José Manuel Castro.

Sublinhando que o processo está em "segredo de justiça", o advogado evitou pronunciar-se sobre as informações que apontavam para alegadas buscas efetuadas na residência do antigo líder da Frente Nacional.

"Confiante de que ainda hoje ou, o mais tardar, amanhã sairá em liberdade"

O advogado acrescentou ainda ter encontrado Mário Machado "confiante" e que o seu cliente deve ser ouvido nas próximas horas nas instalações da PJ ou do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP).

"Como se configuram os factos, [estes] não admitem medida privativa de liberdade. Está [Mário Machado] confiante de que ainda hoje ou, o mais tardar, amanhã sairá em liberdade", sentenciou.

O dirigente de extrema-direita foi detido em casa, em Santo António dos Cavaleiros, no concelho de Loures, cerca das 07:00.

Notícia atualizada às 11:45

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG