Marcha Azul pelos Oceanos. O mar a quem o protege

Ao terceiro dia de trabalhos da Conferência dos Oceanos, a sociedade civil fez-se ver e ouvir. Em marcha lenta, de azul vestida.

Uma autêntica maré azul "invadiu", ao final da tarde desta 4.ª feira, o Parque das Nações, em Lisboa. Não porque houvesse qualquer jogo de futebol com equipas adeptos vestidos desta ou de qualquer outra tonalidade, mas porque tomava forma a anunciada Marcha Azul pelos Oceanos. Com o lema Salvar o oceano é salvar o clima, a iniciativa reuniu membros de mais de 60 organizações não-governamentais, movimentos ambientalistas e grupos da sociedade civil que, partindo da Gare do Oriente, contornaram, em marcha lenta, a sede da Conferência dos Oceanos, no pavilhão Altice Arena. Nos cartazes empunhados pelos manifestantes podiam ler-se slogans tão diversos como Justiça climática já, O mar é para surfar, não é para perfurar ou ainda Somos Natureza em autodefesa, entre tantos outros em vários idiomas.

Para Ana Bao, representante do Sindicato dos Profissionais da Educação, também participante na Marcha, "estar aqui significa dar um sentido prático e interventivo à educação para o ambiente que fazemos com os nossos alunos". E sublinha: "Como professores, somos agentes de futuro e, embora não sejamos um movimento ambientalista, mas sindical, estas questões também nos dizem muito."

A informalidade do protesto não deve, na verdade, confundir-se com qualquer superficialidade. Do vasto e ambicioso "caderno de reivindicações" constam medidas muito concretas como a criação de uma rede global de áreas marinhas protegidas que cubra pelo menos 30% dos mares e zonas costeiras a nível mundial até 2030; a recuperação dos ecossistemas marinhos colapsados ou sobrepescados e recuperação de habitats sensíveis (como, por exemplo, recifes de coral ou pradarias marinhas).

Para chegar a objectivos como estes, os participantes reclamaram a célere proibição do arrasto de fundo e outras artes de pesca industrial e destrutiva em áreas marinhas protegidas; o respeito pelos pareceres científicos no estabelecimento de medidas de gestão da pesca e, na falta de parecer científico, a adoção de uma atitude de precaução.

Em cima da mesa estão também a proibição imediata de todas as novas explorações e produção de petróleo e gás off-shore; a adoção de uma moratória legalmente vinculativa à mineração em mar profundo em águas territoriais e internacionais e o fim de todas as isenções e subsídios a práticas de pesca prejudiciais ao ambiente e que recorram a combustíveis fósseis.

Conscientes de que, a ser aprovada, não bastará que daqui saia uma Declaração de Lisboa, os participantes na marcha reivindicam ainda a assinatura dum Tratado da ONU sobre poluição plástica ambicioso que regule e reduza este problema ao longo de todo o ciclo de vida do plástico e ainda a adoção de um Tratado do Alto Mar na próxima sessão de negociação das Nações Unidas.

dnot@dn.pt

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