Titanic irá desaparecer dentro de 14 anos

Bactéria está a consumir os restos do navio a uma velocidade fora do normal

Em 1985 Robert Ballard, oceanógrafo da Universidade de Rhode Island (EUA), descobriu o Titanic, que naufragou a 14 de abril de 1912, provocando 1513 mortos. Encontrou o navio num bom estado de conservação, tendo em conta que estava há 73 anos no fundo do Atlântico Norte. A preservação do Titanic deveu-se à sua localização, a 3,8 km de profundidade, com pouca luz e elevada pressão, o que não permitiu a sua corrosão. Mas atualmente o seu estado mudou de forma radical: o casco está de tal forma enferrujado que os investigadores consideram que não irá sobrar qualquer vestígio do Titanic dentro de 14 anos.

A mudança abrupta neste curto espaço de tempo deve-se a uma bactéria que está a consumir o casco do navio a uma velocidade imprevista. Em 1991 investigadores da Universidade de Dalhousie, no Canadá, recolheram amostras da ferrugem que estava a formar-se no navio e só em 2010 é que um grupo de cientistas, liderados por Henrietta Mann, identificou a espécie da bactéria que o está a consumir. A bactéria foi apelidada de Halomonas titanicae.

Esta bactéria tem a capacidade de sobreviver em condições extremas, como a água completamente escura, com elevadas pressões ou em pântanos com fortes níveis de salinidade. À semelhança da Halomonas titanicae, também outros micróbios ocupam os navios naufragados e permitem a formação de corais, esponjas e moluscos, que consequentemente atraem outros animais de maiores dimensões. A bactéria Halomonas titanicae está a destruir o navio ao consumir o ferro existente. No entanto, também há bactérias que permitem a preservação de barcos, motivo pelo qual existem embarcações naufragadas há séculos em bom estado de conservação.

Em 2014, cientistas do Escritório Americano de Administração de Energia do Oceano procuraram perceber de que forma é que as bactérias influenciam a conservação dos navios afundados. Após terem analisado navios de madeira e aço do século XIX, outro do século XVIII e três embarcações de aço da Segunda Guerra Mundial, a investigação concluiu que é o tipo de material que constitui o navio que define que bactérias é que se alojam. Nos navios de madeira alojam-se bactérias que se alimentam de celulose, hemicelulose e lignina encontrada na madeira. Por outro lado, os navios de aço encontravam-se cheios de bactérias que se alimentam de ferro.

Os navios naufragados permitem ter uma visão sobre o passado, mas estão a desaparecer devido à corrosão provocada por água do mar e bactérias. As 47 mil toneladas do Titanic, que naufragou após chocar com um icebergue, não deverão durar mais do que década e meia.

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