Stephen Hawking: o génio que inspirou séries, filmes, músicas e soube rir de si próprio

O cientista fez Sheldon Cooper desmaiar e surpreendeu Lisa Simpson, mas também emprestou a voz aos Pink Floyd e jogou às cartas com Einstein e Newton em Star Trek

Stephen Hawking não foi apenas um génio da ciência - é considerado o físico mais importante de sempre desde Albert Einstein e morreu no mesmo dia do nascimento de Einstein, a 14 de março (nasceu a 8 de janeiro, 300 anos após a morte de outro físico revolucionário: Galileu Galilei). Mas o cientista britânico não acreditava no destino, o mesmo não se pode dizer em relação ao humor. participou em várias séries, com destaque para "The Simpsons", inspirou filmes, livros e músicas e deu a ganhar um Óscar a Eddie Redmayne, o ator que interpretou o astrofísico em "A Teoria de Tudo" (2014).

O filme, que estava na mente do produtor Anthony McCarten desde 1988, quando leu a obra de Hawking "Uma Breve História do Tempo", foi baseado no livro de memórias da ex-mulher do astrofísico, Jane Hawking, "Travelling to Infinity: My Life with Stephen".

Hawking insipirou a série "A Teoria do Big Bang" e chegou a participar num episódio, o que levou Sheldon Cooper ao desmaio, por ter cometido - no guião - um erro de aritmética, que o cientista apontou.

O cientista acabaria por tornar a física algo "cool", o que em muito ajudaram as suas várias participações na série "The Simpsons". Era um génio e, como tal, sabia rir de si próprio. Mas sabia separar as águas.

É verdade que mantinha no seu escritório a réplica da sua personagem - em cor amarela - na série norte-americana, mas chegou a dizer - numa entrevista ao The Guardian, em 2005 - ,que "as aparições nos Simpsons foram muito divertidas. Eu não as levo muito a sério. Mas acho que os Simpsons trataram a minha deficiência com responsabilidade", afirmou, sempre lúcido. Considerava a série o "o melhor da televisão americana".

Hawking também apareceu várias vezes no outro sucesso animado de Matt Groening, "Futurama", assim como foi o seu próprio holograma num episódio de 1993 de "Star Trek: The Next Generation", onde jogava poker com Einstein e Newton.

O seu trabalho - e a sua vida extraordinária - também foram transformados em documentário pelo realizador Errol Morris. O filme de Morris data de 1991 e intitula-se "A Breve História do Tempo".

A voz metálica na música "Keep Talking" da banda Pink Floyd é a voz sintetizada do físico, que devido à doença - esclerose lateral amiotrófica (ELA) - comunicava através de uma voz processada por um computador.

Quando Sheldon conheceu o astrofísico, em "A Teoria do Big Bang":

"A Teoria de Tudo":

Num dos episódios de " The Simpsons":

O seu desaparecimento, esta quarta-feira, aos 76 anos, não deixou o mundo indiferente. E houve quem não esquecesse a generosidade do génio: na ciência e no riso.

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João Gobern

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