Operação Porta 18: "Zé do Benfica" revela esquema de tráfico

José Carriço contava receber cerca de 10 mil euros por cada mala de cocaína recebida no aeroporto Sá Carneiro

José Carriço, 55 anos, ex-motorista do presidente do Benfica e ex-diretor do departamento de apoio aos jogadores do clube da Luz, explicou esta segunda-feira, dia 27 de junho, no Tribunal de Santarém, o esquema de tráfico de estupefacientes em que estava envolvido.

O homem também conhecido por "Zé do Benfica" revelou num depoimento detalhado o modo como a troco de cinco mil euros, pagos previamente, alguém com acesso às bagagens e capacidade de as retirar sem controlo alfandegário, fazia sair do Aeroporto Sá Carneiro, no Porto, malas carregadas com cocaína, proveniente da América do Sul.

Carriço e dois outros arguidos (o quarto envolvido no esquema entretanto faleceu) respondem agora pelo crime de tráfico de estupefacientes na forma agravada. O ex-motorista do presidente do Benfica já confirmou o teor de grande parte da acusação e justificou a sua participação no crime com as suas dificuldades financeiras.

"Zé do Benfica" contava receber por cada mala com vários quilos de droga - recolhida no Aeroporto do Porto e geralmente proveniente do Brasil - cerca de 20 mil euros que dividia com José Seco, de 59 anos, reporta o JN.

Segundo fez saber o homem de 55 anos ao coletivo de juízes, no início do julgamento, apenas uma mala com cerca de 9,5 quilos de cocaína terá efetivamente passado, a mesma com a qual foi apanhado pela Polícia Judiciária em julho do ano passado, quando regressava de Valença. Carriço explicou que o comprador recusou a droga, argumentando fraca qualidade, e devolveu-a, daí ter sido encontrada na sua posse quando foi intercetado na zona de Santarém ao volante de um Audi A4, propriedade do Benfica.

As tentativas anteriores de tráfico falharam do mesmo modo, de acordo com "Zé do Benfica".

Duas malas, uma com 8,9 quilos e outra com 27 quilos de cocaína, foram apreendidas no aeroporto de Guarulhos, no Brasil. Em 2014, a mala enviada de São Paulo terá chegado por engano ao Aeroporto Humberto Delgado, onde foi confiscada pela PJ.

Em novembro desse ano, as atividades do grupo começaram a ser investigadas pela PJ. A operação recebeu, nessa ocasião, o nome "Porta 18", por ser nessa porta do Estádio da Luz que alguns dos suspeitos se encontraram com José Carriço.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.

Premium

João Taborda da Gama

Le pénis

Não gosto de fascistas e tenho pouco a dizer sobre pilas, mas abomino qualquer forma de censura de uns ou de outras. Proibir a vista dos pénis de Mapplethorpe é tão condenável como proibir a vinda de Le Pen à Web Summit. A minha geração não viveu qualquer censura, nem a de direita nem a que se lhe seguiu de esquerda. Fomos apenas confrontados com alguns relâmpagos de censura, mais caricatos do que reais, a última ceia do Herman, o Evangelho de Saramago. E as discussões mais recentes - o cancelamento de uma conferência de Jaime Nogueira Pinto na Nova, a conferência com negacionista das alterações climáticas na Universidade do Porto - demonstram o óbvio: por um lado, o ato de proibir o debate seja de quem for é a negação da liberdade sem mas ou ses, mas também a demonstração de que não há entre nós um instinto coletivo de defesa da liberdade de expressão independentemente de concordarmos com o seu conteúdo, e de este ser mais ou menos extremo.

Premium

Bernardo Pires de Lima

Em contagem decrescente

O brexit parece bloqueado após a reunião de Salzburgo. Líderes do processo endureceram posições e revelarem um tom mais próximo da rutura do que de um espírito negocial construtivo. A uma semana da convenção anual do partido conservador, será ​​​​​​​que esta dramatização serve os objetivos de Theresa May? E que fará a primeira-ministra até ao decisivo Conselho Europeu de novembro, caso ultrapasse esta guerrilha dentro do seu partido?