Óculos de sol devem ser usados desde criança. Evitam doenças

Exposição ao sol pode afetar pele e visão. Especialistas defendem que usar óculos é tão importante como boné e protetor solar

O Simão ainda não tem 2 anos, mas a mãe, Sandra Barros, decidiu comprar-lhe uns óculos de sol mal o verão se anunciou. "Como ele tem olhos muito claros, achei que era importante protegê-los assim. Ainda não falei nisso ao pediatra mas presumo que mal não faz", disse ao DN esta professora e mãe pela primeira vez.

Apesar de não sabermos o que vai dizer o médico que habitualmente acompanha Simão, na zona de Aveiro, a opinião da pediatra Ana Faro é muito clara: "É preciso bom senso, como em tudo na vida. Em bebés pequenos nem sequer faz sentido, primeiro porque antes de completarem um ano de idade tão-pouco devem estar expostos ao sol diretamente. E a partir dessa altura, o que é mesmo importante - e recomendo sempre - é que usem boné e protetor solar. Na maior parte das vezes os óculos não são sequer uma coisa prática, correndo o risco de os mais pequenos se magoarem com eles. Fazendo uma utilização correta da exposição ao sol, não vejo necessidade."

Esta médica do Centro Hospitalar de Leiria insiste muito na utilização do protetor solar de fator máximo, mas releva o uso de óculos de sol. No entanto, socorre-se do tal bom senso para lembrar que há crianças "com muita fotofobia, e com essas é preciso ter atenção".

Opinião diferente tem Cecília Varela Santos, optometrista. "Os óculos devem ser usados desde muito cedo e sempre, não apenas no verão. No caso dos mais pequenos, é preciso ter especial cuidado com o cristalino (que ainda não está completamente formado) e a retina. Ou então os danos vão fazer-se sentir muitos anos mais tarde, no aparecimento de cataratas, por exemplo." Um exemplo claro desses efeitos colaterais são as pessoas que "trabalham nos campos, por exemplo, com forte exposição ao sol", acrescenta Cecília, sendo certo que o uso dos óculos não é, ainda hoje, uma prática comum para esses trabalhadores.

Por outro lado, esta optometrista não esconde a preocupação com os sinais dos tempos, manifestados em consequência da crise económica: "À medida que as pessoas foram tendo menos dinheiro, negligenciaram também essa parte. Deixaram de se preocupar em usar lentes de qualidade, optando por outras mais baratas. Acontece que nem todas as lentes fazem proteção. Se não tiverem filtros UV (ultravioleta) ainda fazem pior. O facto de ser uma lente escura cria a ilusão de que está a proteger, mas acaba por prejudicar mais a visão."

Ainda no que respeita às crianças, esta especialista lembra que é preciso ter atenção às que usam óculos graduados, de forma permanente. "Normalmente as lentes brancas para os mais pequenos já têm tratamento UV. Mas se os pais optarem por comprar também óculos de sol, nesse caso os mesmos devem ter graduação igual nas lentes", acrescenta. Longe dos tempos em que os óculos de sol eram um adereço de pura vaidade, são hoje encarados como indispensáveis para a maioria das pessoas, sobretudo por quem revela maior sensibilidade à luz.

Cecília Varela Santos lembra que há também neste campo "grupos de risco". É o caso de quem toma medicamentos antidepressivos ou relaxantes musculares, em que "a pupila não fecha com tanta facilidade". Isso quer dizer que essa franja da população portuguesa (cada vez maior) "deve sair à rua sempre de óculos escuros, por uma questão de proteção da visão", sublinha esta técnica. Também a Sociedade Portuguesa de Oftalmologia lembra que vários estudos têm demonstrado que as pessoas mais expostas à luz solar têm maior tendência a desenvolver doenças oculares.

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