Lavar as mãos, o hábito simples que pode salvar milhões de vidas

É nos hospitais que existe o maior perigo por causa das bactérias multirresistentes e onde estão internadas as pessoas mais frágeis. Hoje é o Dia Mundial da Lavagem das Mãos

Onde quer que as mãos toquem, há bactérias. E a zona onde mais se concentram é na ponta dos dedos. É por isso que o mote para o Dia Mundial da Lavagem das Mãos, que se assinala hoje, é "tornar a lavagem das mãos um hábito" que tem de começar logo de pequenino e que é tão importante para as famílias como nos hospitais. Antes de comer, depois de ir à casa de banho, quando se chega a casa ou numa visita ao médico. E se lavar as mãos é importante no nosso dia-a-dia, pode mesmo fazer a diferença e salvar literalmente milhões de vidas em zonas subdesenvolvidas, como na África subsariana ou no sudeste asiático, onde todos os anos morrem cerca de 2,5 milhões de crianças com infeções respiratórias ou diarreia.

Não é por acaso que lavar as mãos tem dois dias mundiais: um criado pela Organização Mundial de Saúde a 5 de maio e outro, o que se assinala hoje, que surge de um movimento que junta entidades privadas e publicas como a Unicef. Estudos feitos por todo o mundo, incluindo Portugal, mostram que nos hospitais os únicos sítios sem bactérias são os caixotes do lixo porque se usam os pés para abrir e que há bactérias que deixaram o ambiente hospitalar e foram encontradas nos autocarros que circulam mais próximos dos hospitais.

"As bactérias não se veem e as pessoas não têm noção do perigo. Se tivermos a prática de lavar as mãos quando chegamos a casa, de certeza que a probabilidade de apanhar uma gripe ou outra doença é menor. Quando era criança, aprendi que se tinha de lavar as mãos sempre antes de uma refeição. É preciso introduzir esta prática, tal como se diz bom dia e boa tarde", afirma Luís Lapão, investigador do Instituto de Higiene e Medicina Tropical na área de saúde pública internacional.

É nos hospitais que concentra o maior perigo porque "é onde estão as pessoas mais fragilizadas". "Há bactérias normais para as quais os médicos prescrevem um antibiótico que as mata. A questão é que o excesso de antibióticos está a levar à existência de resistências. A bactéria é um sistema vivo e se as alimentarmos com antibióticos que as tornam mais fortes é um perigo. Quando têm de passar de um lado para o outro, as bactérias precisam de um vetor. E aqui está o problema da higiene das mãos. Queremos hospitais seguros e a lavagem das mãos é uma das medidas", aponta.

"Quando temos falta de recursos, uma arquitetura dos serviços desadequada, a realidade sobrepõe-se ao que se deve fazer. Temos em teste um sistema de informação que permite medir quando os enfermeiros estão próximos e quando higienizam as mãos. É uma espécie de jogo que dá pontos quando o fazem", explica. Mas será que lavar as mãos é assim tão simples? "Pedimos a um enfermeiro para durante o turno de sete horas lavasse as mãos com todas as regras em todas as ocasiões para calcularmos o tempo. Do total das sete horas, perto de uma foi na lavagem das mãos. Terão sido mais de uma centena de vezes ao longo dia. É preciso reconhecer a complexidade do problema e é muito importante o apoio dos conselhos de administração", diz Luís Lapão.

Mesmo sem tanta técnica, ensine em casa o fundamental às crianças: molhar o suficiente as mãos com água, usar sabonete e esfregar durante 20 segundos para fazer espuma e enxaguar em água corrente para que fiquem bem limpas.

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