Imunoterapia é nova esperança contra o cancro da cabeça e pescoço

Em Portugal, surgem 2500 novos casos de cancro da cabeça e pescoço por ano

Há uma nova esperança para os doentes com cancro da cabeça e pescoço. Chama-se Nivolumad e é um medicamento na área da imunoterapia, que já é usado em outros tipos de cancro. Segundo um estudo apresentado este domingo na European Society for Medical Oncology (ESMO), em Copenhaga, este tratamento apresenta ganhos na sobrevivência e qualidade de vida dos doentes, quando comparado com os tratamentos com quimioterapia.

"Depois de ter sido demonstrada a eficácia e segurança do medicamento, hoje mostrou-se que há uma melhoria muito significativa na qualidade de vida dos doentes", explicou Ana Castro, presidente do Grupo de Estudos do Cancro da Cabeça e Pescoço, que falou com o DN a partir de Copenhaga. Com esta terapêutica, verificou-se uma redução em 30% do risco de morte nos doentes e um ganho médio de sobrevida de 7,5 meses, mais cinco do que o ganho habitual com a quimioterapia, que ronda os dois. Ao fim de um ano, 36% dos doentes estão vivos, sendo que, os tratamentos standard com quimioterapia têm uma taxa média de sobrevivência a um ano de 16.6%.

Quando é usada a quimioterapia, os doentes perdem qualidade de vida, razão pela qual muitos só fazem o tratamento de primeira linha. De qualquer forma, esclarece Ana Castro, o ensaio clínico com o Nivolumad, que usa o sistema imunitário para lutar contra o cancro, foi feito para a segunda linha, estando ainda em curso os estudos para trazer o medicamento para a primeira linha de tratamento.

Os benefícios deste tratamento foram de tal forma notórios que o estudo foi interrompido antecipadamente, para que os doentes que estavam a participar no ensaio a fazer tratamento com quimioterapia pudessem ser tratados com este fármaco. "Viram-se benefícios muito importantes. Não era legítimo deixar os doentes a fazer quimioterapia", explicou ao DN Ana Castro. Nesse grupo, que fez imunoterapia e quimioterapia, houve um ganho médio de sobrevida de 5,1 meses.

Segundo a presidente do Grupo de Estudos do Cancro da Cabeça e Pescoço, o Nivolumad já é usado no "melanoma, cancro do pulmão e carcinona do rim". Resta agora que a Agência Europeia do Medicamento (EMA, na sigla em inglês) aprove o seu uso para o cancro da cabeça e pescoço. Como "não há nada na área", Ana Castro acredita que a nova indicação para o fármaco possa ser aprovada até ao final do ano.

Ler mais

Premium

robótica

Quando os robôs ajudam a aprender Estudo do Meio e Matemática

Os robôs chegaram aos jardins-de-infância e salas de aula de todo o país. Seja no âmbito do projeto de robótica do Ministério da Educação, da iniciativa das autarquias ou de outros programas, já há dezenas de milhares de crianças a aprender os fundamentos básicos da programação e do pensamento computacional em Portugal.

Premium

Anselmo Borges

"Likai-vos" uns aos outros

Quem nunca assistiu, num restaurante, por exemplo, a esta cena de estátuas: o pai a dedar num smartphone, a mãe a dedar noutro smartphone e cada um dos filhos pequenos a fazer o mesmo, eventualmente até a mandar mensagens uns aos outros? É nisto que estamos... Por isso, fiquei muito contente quando, há dias, num jantar em casa de um casal amigo, reparei que, à mesa, está proibido o dedar, porque aí não há telemóvel; às refeições, os miúdos adolescentes falam e contam histórias e estórias, e desabafam, e os pais riem-se com eles, e vão dizendo o que pode ser sumamente útil para a vida de todos... Se há visitas de outros miúdos, são avisados... de que ali os telemóveis ficam à distância...

Premium

João César das Neves

Donos de Portugal

A recente polémica dos salários dos professores revela muito do nosso carácter político e cultural. A OCDE, no habitual "Education at a Glance", apresenta comparações de indicadores escolares, incluindo a remuneração dos docentes. O estudo é reservado, mas a sua base de dados é pública e inclui dados espantosos, que o professor Daniel Bessa resumiu no Expresso de dia 15: "Com um salário que é cerca de 40% do finlandês, 45% do francês, 50% do italiano e 60% do espanhol, o português médio paga de impostos tanto como os cidadãos destes países (a taxas de tributação que, portanto, se aproximam do dobro) para que os salários dos seus professores sejam iguais aos praticados nestes países."