Descoberto um novo órgão no corpo humano: o interstício

O novo órgão, proposto por cientistas norte-americanos, visto aqui numa ilustração de Jill Gregory

Onde se pensava que existiam densas camadas de tecido, existe o que pode ser visto como uma rede de "estradas abertas e cheias de líquido"

Cientistas norte-americanos descobriram o que dizem ser um novo órgão no corpo humano, que batizaram de interstício. Esta "estrutura anatómica", apresentada ao mundo num trabalho publicado esta terça-feira na Scientific Reports, "pode ser importante nas metástases do cancro", ou seja, para compreender como a doença se espalha pelo corpo, explicam no artigo.

Esta estrutura, parte da submucosa, é um "espaço intersticial cheio de fluído e anteriormente não valorizado", explicam os investigadores, no artigo em que descrevem a anatomia e histologia deste órgão, que até é um dos maiores do corpo humano - reveste o tubo digestivo, os pulmões e o sistema urinário e envolve músculos e vasos sanguíneos.

Onde se pensava que existiam densas camadas de tecido, existe o que pode ser visto como uma rede de "estradas abertas e cheias de líquido", explicou Neil Theise, professor de patologia da Universidade de Nova York e um dos autores do estudo.

Segundo os investigadores, estes interstícios ainda não tinham sido descritos porque são destruídos ao serem colocados nas lâminas microscópicas utilizadas para estudar células do corpo. A utilização de novas técnicas de análise por imagem permitiu analisá-los agora.

Tudo começou numa endomicroscopia com um novo endoscópio, para procurar metástases no canal biliar de doentes com cancro, há três anos. Com esta técnica os médicos descobriram uma estrutura com cavidades que não encontravam em nenhum manual de anatomia. Isso lançou-os numa investigação mais abrangente.

A existência desta rede poderá levar a avanços no estudo "das metástases de cancro, bem como do edema, da fibrose e dos mecanismos de funcionamento de tecidos e órgãos". Quanto ao cancro, pode ser importante para perceber porque é que as células cancerosas têm mais tendência a espalhar-se pelo corpo quando invadem esta rede de "estradas".

No entanto, para ter o estatuto de novo órgão é preciso consenso científico, pelo que esta investigação tem de ser confirmada por outros grupos. No início de 2017 foi tornada oficial a existência de outro órgão, o mesentério, que até ali era considerado uma série de estruturas fragmentadas.

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