Descoberto asteroide rico em carbono para lá da órbita de Neptuno

Este asteroide deverá ter "nascido" na cintura de asteroides entre Marte e Júpiter, tendo sido depois projetado milhares de milhões de quilómetros na direção oposta à do Sol

Uma equipa internacional de astrónomos descobriu pela primeira vez um asteroide rico em carbono, um dos elementos essenciais da vida, na Cintura de Kuiper, para lá da órbita de Neptuno, divulgou hoje o Observatório Europeu do Sul (OES).

Segundo o OES, organização astronómica da qual Portugal faz parte, o asteroide 2004 EW95 "formou-se muito provavelmente" na cintura situada entre Marte e Júpiter e "depois foi lançado a milhares de milhões de quilómetros de distância", fixando-se na Cintura de Kuiper.

A descoberta sustenta a tese de que a Cintura de Kuiper, uma região fria, "deverá conter uma pequena fração de corpos rochosos originários do Sistema Solar interno [zona mais perto do Sol], tais como asteroides ricos em carbono".

A teoria sobre os primórdios do Sistema Solar refere que, depois de se terem formado, os gigantes gasosos - Júpiter, Saturno, Urano e Neptuno - ejetaram pequenos corpos rochosos das regiões internas para órbitas mais externas, mais afastadas do Sol.

A equipa de astrónomos, liderada por Tom Seccull, da Queen's University Belfast, no Reino Unido, determinou a composição do asteroide medindo "o padrão de luz" refletido no corpo rochoso através de espectrógrafos do Telescópio Muito Grande (Very Large Telescope, VLT) do OES.

O trabalho revelou-se um grande desafio para os cientistas, uma vez que o 2004 EW95 dista da Terra quatro mil milhões de quilómetros.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ricardo Paes Mamede

O FMI, a Comissão Europeia e a direita portuguesa

Os relatórios das instituições internacionais sobre a economia e a política económica em Portugal são desde há vários anos uma presença permanente do debate público nacional. Uma ou duas vezes por ano, o FMI, a Comissão Europeia (CE), a OCDE e o Banco Central Europeu (BCE) - para referir apenas os mais relevantes - pronunciam-se sobre a situação económica do país, sobre as medidas de política que têm vindo a ser adotadas pelas autoridades nacionais, sobre os problemas que persistem e sobre os riscos que se colocam no futuro próximo. As análises que apresentam e as recomendações que emitem ocupam sempre um lugar destacado na comunicação social no momento em que são publicadas e chegam a marcar o debate político durante meses.

Premium

João Gobern

Tirar a nódoa

São poucas as "fugas", poucos os desvios à honestidade intelectual que irritem mais do que a apropriação do alheio em conluio com a apresentação do mesmo com outra "assinatura". É vulgarmente referido como plágio e, em muitos casos, serve para disfarçar a preguiça, para fintar a falta de inspiração (ou "bloqueio", se preferirem), para funcionar como via rápida para um destino em que parece não importar o património alheio. No meio jornalístico, tive a sorte de me deparar com poucos casos dessa prática repulsiva - e alguns deles até apresentavam atenuantes profundas. Mas também tive o azar de me cruzar, por alguns meses, tempo ainda assim demasiado, com um diretor que tinha amealhado créditos ao publicar como sua uma tese universitária, revertido para (longo) artigo de jornal. A tese e a história "passaram", o diretor foi ficando. Até hoje, porque muitos desconhecem essa nódoa e outros preferiram olhar para o lado enquanto o promoviam.