Cativar alunos para os cursos de química com 45 minutos de magia

Químicos Jovens vão às escolas secundárias incentivar estudantes a seguir cursos superiores relacionados com a área. Há um mágico, formado em química, que os acompanha

Estamos perante dois copos cheios: um com óleo vegetal, outro com água à qual foi adicionado um corante vermelho. Como é que se transfere o líquido de um para o outro usando apenas uma carta? Fácil. Coloca-se a carta sobre o copo com a solução mais densa - o da água - vira-se ao contrário e coloca-se em cima do copo com óleo. Faz-se uma pequena abertura com a carta e a magia acontece: a água vermelha passa para o copo do óleo e este sobe. Com um simples truque, durante uma apresentação do Grupo de Químicos Jovens da Sociedade Portuguesa de Química, o ilusionista e químico Filipe Monteiro demonstrou em 45 minutos quatro conceitos aos alunos da Escola Secundária Homem Cristo, em Aveiro: "A densidade, a imiscibilidade, a força da gravidade e a força do ar."

"É preciso desmistificar. Há a ideia de que a química faz mal, que só contamina a atmosfera e os oceanos. Há muita falta de conhecimento, daí criarmos estas iniciativas, que mostram o que é a química, onde está e as saídas profissionais dos cursos superiores nesta área", explicou ao DN João Borges, da direção do Grupo de Químicos Jovens da SPQ. João e Catarina Custódio, jovens investigadores pós-doutorados da Universidade de Aveiro (UA), estiveram recentemente na biblioteca da Escola Homem Cristo a falar de química aos alunos do secundário. A ideia é despertar a atenção dos estudantes para esta ciência, que já não atrai jovens como outrora. Um desinteresse que, neste ano letivo, levou mesmo à não abertura de vagas no primeiro curso de Química da UA - a licenciatura em Química Analítica.

Depois de uma sessão na qual os jovens químicos apresentaram a SPQ, o que fazem os químicos e as saídas profissionais, Filipe Monteiro, um químico que também é mágico e autor de vários livros, fez vibrar a plateia com um breve espetáculo de ciência mágica. "Trago uma versão diferente do que pode ser um químico", começou por explicar. Depois de demonstrar que "a química está em tudo", até mesmo na água, o cientista fez vários truques, que contaram com a participação de alguns estudantes. "A apresentação foi muito interessante. A magia tornou a sessão mais divertida e aliciante. Aprendi vários conceitos", disse ao DN Vítor Farinha, de 17 anos, estudante que quer seguir Medicina.

Sofia Marçal, de 17 anos, aluna do 12.º ano, foi uma das voluntárias. "Gostei sobretudo da parte das experiências, porque foi mais dinâmica", confessa. Ainda não faz ideia do curso superior que quer seguir, mas Química não está fora de questão. Só há um receio. "Não sei se o que se faz seguindo o curso é tão divertido como o que se fez hoje aqui."
Para quem já tinha o bichinho da química, a sessão pode ter dado as certezas que faltavam. "Já era uma opção, mas entusiasmei-me mais com esta iniciativa", confessou Miguel Fernandes, aluno do 12.º ano. Além de ter ajudado a "esclarecer dúvidas", o jovem, de 17 anos, descobriu que é um curso com muito mais saídas do que imaginava. Tal como explicaram Catarina e João, os licenciados em química podem trabalhar em áreas como gestão de projetos ou consultoria, investigação, polícia científica, jornalismo científico, ensino, saúde.

Para o presidente da SPQ, Artur Silva, a magia ajuda "a vender mais" as sessões de apresentação da química junto dos estudantes. "Se calhar há alunos que não apareciam se soubessem que era uma iniciativa sobre química, mas que vão porque há magia. Há um caráter lúdico que ajuda a chamar as pessoas", frisou ao DN. Depois de uma apresentação em Guimarães e duas em Aveiro, os jovens químicos estão neste momento a contactar instituições de ensino onde querem levar a ciência e a magia. A ideia é que, depois da sessão, os alunos visitem os departamentos de química das universidades.

No final da sessão, mais um apelo para os estudantes participarem nas Olimpíadas da Química - que todos os anos envolvem três mil alunos - e no concurso ChemRus, que avalia um vídeo com uma demonstração de uma experiência química.

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