O calendário "artístico" para ajudar alunos do Minho

Mentor do projeto destaca os voluntários e abertura dos estabelecimentos de ensino à iniciativa, que já vai na quarta edição

A Associação Académica da Universidade do Minho (AAUM) vai publicar pelo quarto ano consecutivo - a quinta edição está já "assegurada" - um calendário de cariz solidário que tem como objetivo apoiar estudantes com dificuldades financeiras e lutar contra o abandono escolar. O calendário, com alunos e atletas, tem como característica o "nu artístico, ausente de cariz sexual ou erótico, o que é um das grandes segredos e mais-valias do calendário".

As palavras são de Nuno Gonçalves, de 40 anos, fotógrafo, treinador de judo e mentor do projeto. A ideia surgiu numa "altura em que se falava muito da crise", algo que sentia já no grupo de judo orientado por Nuno, com vários alunos a terem dificuldades em pagar as mensalidades.

Mas não são só alunos que entram no calendário, o atleta olímpico Emanuel Silva já participou e a edição de 2018 conta com a espanhola Rocío Sánchez Estepa, campeã mundial universitária de Karaté no ano passado e medalha de bronze sénior em 2014. É a primeira "internacionalização" do calendário.

"Na altura, há quatro anos, havia o calendário dos bombeiros e era ainda território por explorar, mas sabia que ia ser um sucesso. Por causa da crise, do abandono escolar e do grupo que tínhamos", disse Nuno Gonçalves ao DN, destacando ainda o facto de terem existido desde logo voluntários para as fotografias, mesmo que estas envolvessem não vestir qualquer peça de roupa.

Até na própria Academia, que tende a ser mais "fechada", a ideia foi logo "bem acolhida".

18 mil euros em três anos

Nas três edições anteriores foram angariados cerca de 18 mil euros e, no primeiro ano, a Federação Internacional de Judo "fez um donativo de cinco mil dólares", conta.

"A Universidade do Minho é a que tem mais alunos bolseiros. Em 2016/2017 existiram 6754 candidaturas e foram atribuídas 5542. Existiram ainda 144 candidaturas ao Fundo Social de Emergência (FSE) e 98 receberam candidaturas para continuar os estudos", explicou.

"O principal objetivo é angariar verbas e alertar para o abandono escolar", disse Nuno Gonçalves, que também foi aluno da Universidade do Minho.

Para já, foram impressos 800 calendários, a cinco euros cada, mas "com o apoio da gráfica" será fácil imprimir mais, caso seja necessário.

O Fundo Social de Emergência

"O FSE é uma prestação pecuniária atribuída a fundo perdido, isenta de quaisquer taxas, que se destina a colmatar situações pontuais decorrentes de contingências ou dificuldades económico-sociais, com impacto negativo no normal aproveitamento escolar do estudante, e que não possam ser convenientemente resolvidas no âmbito dos apoios previstos pelo sistema de Ação Social para o Ensino Superior", explica o site da AAUM.

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