Inspire e expire... Saiba respirar e cure a ansiedade e as insónias

A maioria dos seres humanos deixou de respirar da forma correta por volta dos 5 anos. Se reaprender a respirar com o diafragma, pode prevenir e até mesmo curar doenças

Sente-se e preste atenção à forma como respira. Os seus ombros sobem quando inspira e descem quando expira? Provavelmente sim, já que é assim que a maioria das pessoas respira. Mas esta não será a forma correta. Belisa Vranich, autora do livro Respiração, lançado esta semana, propõe-lhe um exercício. Sente-se na beira de uma cadeira e, quando inspirar, incline-se para a frente e expanda a barriga. Ao expirar, curve o corpo para trás e liberte o ar todo. Agora, sim, respirou da maneira certa: usando o diafragma. Se respirar bem evita ansiedades, insónias e doenças.

Belisa Vranich chama respiração rock and roll ao método descrito. Se o repetir 20 vezes, provavelmente vai sentir-se mais calmo. O efeito, diz, poderá ser semelhante ao de um ansiolítico. "Quando respiramos bem, com os músculos certos, a respiração tem muitos benefícios ao nível da saúde física e mental." Meditar pode ser difícil para a maioria das pessoas, mas "respirar e escutar a respiração pode ajudar a pessoa a chegar a um estado meditativo". O problema, sublinha, é que "pensamos que o fazemos bem, mas, na verdade, respiramos muito mal".

A maioria das pessoas "respira com os ombros", ou seja, verticalmente. "Eles não foram desenhados para ser um músculo de respiração. O que deveríamos usar é o diafragma", frisa a psicóloga clínica, numa conversa telefónica com o DN a partir de Nova Iorque. Segundo Belisa, respirar mal tem inúmeras consequências para a saúde física e mental: problemas emocionais e cognitivos, como dificuldades de concentração e falhas de memória, dores, baixa energia, hipertensão, problemas de sono e digestivos. Respirar verticalmente é dizer ao corpo "que estamos numa situação de perigo, pelo que o coração bate mais rápido e ficamos mais stressados".

A receita para respirar bem parece simples: "é fazê-lo como o fazem todos os outros animais." O gato, exemplifica, "não respira com os ombros, mas com a barriga, que é como os seres humanos deviam respirar". E nós até já o fizemos muito bem. "Até aos 5/6 anos respirávamos bem, depois é que começámos a respirar mal. Devíamos voltar à forma como respirávamos quando éramos crianças." Ou seja, "não para cima e para baixo, mas para a frente e para trás".

No livro Respiração: o simples e revolucionário programa de 14 dias para melhorar a sua saúde física e mental, Belisa diz que o diafragma é "o mais importante e mais subestimado músculo do corpo". Ao DN, a psicóloga diz que um dos benefícios de usar este músculo para respirar é que "faz massagens aos órgãos digestivos". Por outro lado, ao respirar da forma correta está a ser usada a parte de baixo dos pulmões "que é a melhor parte".

Num artigo publicado recentemente no The New York Times, vários especialistas, entre os quais Belisa, falam sobre os benefícios da respiração controlada, como a redução do stress e o fortalecimento do sistema imunitário. Ou até mesmo a cura de determinadas patologias. "Já vi pacientes transformados depois de adotar práticas regulares de respiração", contou Richard Brown, médico e professor de psiquiatria da Universidade de Colúmbia. Isto porque, explicou, quando um indivíduo respira corretamente, ou seja, de uma forma lenta e constante, é passada ao cérebro a mensagem de que está tudo bem, o que ativa a resposta do corpo.

Já Chris Streeter, professora associada de Psiquiatria e Neurologia da Universidade de Boston, fez um estudo sobre a prática diária de ioga e respiração controlada em pessoas com depressão grave. Ao fim de 12 semanas, os sintomas diminuíram significativamente.

"Se não reaprendermos a respirar de forma correta, perdemos qualidade de vida muito rapidamente", alerta Marta Cóias, professora de ioga. Embora o ser humano respire bem nos primeiros anos de vida, "é obrigado a viver a um ritmo que não é o natural, fica desorganizado", o que faz que passe a respirar mal. Mas nunca é tarde para voltar a respirar como na infância. "Há uma fase em que a pessoa pratica. Mais tarde, percebe que a sua respiração ganhou uma qualidade de vida diferente. Foi feita uma reeducação", refere Marta Cóias.

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