Hospitais privados ligados em rede para tratar doentes com cancro

Grupo Mello Saúde cria rede privada constituída por várias unidades dedicadas a cancros específicos. Investigação é uma das apostas do grupo e já tem parcerias com universidades nacionais e estrangeiras

É uma nova aposta para tratar os doentes com cancro, desta vez no setor privado. O grupo Mello Saúde criou o Instituto CUF de Oncologia ICO, uma rede que liga todos os hospitais e clínicas do grupo e que está dividida em 14 unidades dedicadas a cancros específicos. O objetivo, explica Dirk Arnold, coordenador clínico do instituto, é colocar à disposição do doente, esteja onde estiver, os médicos e tecnologia para um melhor diagnóstico e tratamento. E essa aposta é também na investigação, com a colaboração com universidades nacionais e estrangeiras.

"O cancro é uma doença cada vez mais frequente e crónica. Necessita de uma gestão integrada no seu diagnóstico e tratamento, daí que a integração dos cuidados oncológicos numa lógica de ambiente hospitalar polivalente é altamente benéfica", explica ao DN Dirk Arnold, acrescentando que "não havia em Portugal até agora, no setor privado, uma rede organizada de cuidados oncológicos com uma oferta integrada. É isso mesmo que o ICO, que atualmente já está em funcionamento, traz de novo e de diferente".

O Instituto conta com a colaboração dos 300 oncologistas que trabalham nos hospitais da CUF e funciona como um centro de gestão. "Temos programas de tratamento de cancro organizados por patologia que garantem o encaminhamento personalizado, além de uma equipa de gestores oncológicos que agilizam todos os processos necessários", adianta o responsável, explicando que o doente pode receber cuidados em qualquer um dos hospitais do grupo a nível nacional. As equipas multidisciplinares estão organizadas em unidades integradas de diagnóstico e tratamento. No total são 14, entre elas a unidade da mama, do pulmão, colorretal, próstata, ginecologia, cabeça e pescoço.

Mais de 40 mil novos casos/ano

No ano passado investigadores do Cancer Research UK revelaram que duas em cada três pessoas podem vir a sofrer de cancro. O envelhecimento da população, hábitos alimentares pouco saudáveis, consumo de tabaco e álcool, o meio ambiente são alguns dos fatores apontados pelos especialistas para o aumento dos casos de cancro no mundo.

Em Portugal, por ano, surgem em média 40 mil novos casos de cancro. Nas mulheres o mais comum é o da mama, nos homens o da próstata. Entre os mais mortais está o do pulmão, que em 2013 - últimos dados disponíveis do Instituto Nacional de Estatística - matou perto de quatro mil pessoas. Nesse ano, as doenças oncológicas mataram mais de 26 mil pessoas em Portugal, continuando a ser a segunda principal causa de morte no país, a seguir às doenças cardiovasculares.

Em todo o mundo esta é uma das áreas que concentra maior investigação e ensaios clínicos. "As parcerias para o desenvolvimento da investigação na área do cancro são vitais. É uma causa que é de todos e todos somos poucos para o combater. As instituições que atuam no âmbito da doença oncológica - seja no campo do tratamento, seja na investigação ou a nível académico - devem trabalhar em conjunto para partilhar conhecimento e potenciar sinergias dos recursos existentes", reforça Dirk Arnold.

Esta é também uma das apostas do instituto, com parcerias nacionais e internacionais para investigação e formação médica. "Os médicos devem estar lado a lado com os cientistas e não a trabalhar isoladamente. Também aqui o ICO é parte de uma comunidade de parceiros institucionais que tratam cancro e formam médicos. Somos, em particular, muito próximos da Universidade Nova de Lisboa, da Universidade do Minho e da Faculdade de Medicina do Porto, e de todos os institutos de investigação em biomedicina a que estas instituições estão ligadas. Temos parcerias com várias instituições europeias na maioria dos tumores frequentes, como a ESMO (European Society of Medical Oncology). Temos igualmente afiliação das nossas equipas aos programas de investigação com a EORTC (European Organization of Research in Treatment of Cancer)."

É na investigação que público e privado podem e devem trabalhar em conjunto. "O setor privado pode ser parceiro do serviço público de saúde. Fazemos investigação com as faculdades públicas de medicina e ciência, onde muitos dos nossos profissionais são docentes. Fazemos investigação em oncologia, investigação básica e translacional, com material biológico dos nossos doentes, mas que é feita em instituições públicas. Por exemplo, todos os programas que desenvolvemos de protocolos para diagnóstico, tratamento e investigação são elaborados no ICO com a colaboração das equipas quer das unidades CUF, quer das unidades geridas pela José de Mello Saúde em parceria público-privada (Hospitais de Braga e Vila Franca de Xira)", explica.

Exclusivos

Premium

EUA

Elizabeth Warren tem um plano

Donald Trump continua com níveis baixos de aprovação nacional, mas capacidade muito elevada de manter a fidelidade republicana. A oportunidade para travar a reeleição do mais bizarro presidente que a história recente da América revelou existe: entre 55% e 60% dos eleitores garantem que Trump não merece segundo mandato. A chave está em saber se os democratas vão ser capazes de mobilizar para as urnas essa maioria anti-Trump que, para já, é só virtual. Em tempos normais, o centrismo experiente de Joe Biden seria a escolha mais avisada. Mas os EUA não vivem tempos normais. Kennedy apontou para a Lua e alimentava o "sonho americano". Obama oferecia a garantia de que ainda era possível acreditar nisso (yes we can). Elizabeth Warren pode não ter ambições tão inspiradoras - mas tem um plano. E esse plano da senadora corajosa e frontal do Massachusetts pode mesmo ser a maior ameaça a Donald Trump.