Hepatites. Centro europeu recomenda boa higiene e limpeza de superfícies

Numa primeira avaliação de risco ao surgimento de casos de hepatite aguda infantil, Centro Europeu de Controlo e Prevenção de Doenças diz que as causas permanecem desconhecidas, aponta o adenovírus e o SARS-Cov-2 como patógenos mais identificados nas crianças afetadas e recomenda atenção às práticas de higiene

O adenovírus de subtipo 41F é o agente patogénico mais detetado nas crianças que até agora apresentaram casos de hepatite aguda, revelou esta quinta-feira o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC), na sua primeira avaliação de risco sobre o assunto, mas a causa que originou estes casos graves ainda é desconhecida, referem os especialistas do ECDC. Enquanto decorrem mais testes e pesquisas sobre os 191 casos reportados até agora a nível mundial, o centro europeu recomenda cuidado com a higiene das crianças e boa limpeza de superfícies.


A agência de doenças infecciosas da União Europeia admitiu que os casos graves inexplicáveis ​​de hepatite em crianças são "um evento de saúde pública preocupante". A doença é "bastante rara", aponta o ECDC, mas o risco para as crianças é classificado como "alto" devido ao impacto potencial - causando insuficiência hepática e obrigando algumas crianças a transplantes de fígado, além de uma morte já reportada.

"O risco para crianças europeias não pode ser avaliado com precisão, pois as evidências de transmissão entre humanos não são claras e os casos na União Europeia são "esporádicos com uma tendência incerta", refere o ECDC.

Estes casos de hepatite de causa desconhecida começaram na Escócia, a 31 de março, e mais de 100 dos 191 casos registados até agora ocorreram no Reino Unido. Outras infecções foram registadas em outros 12 países europeus, Estados Unidos, Israel e Japão. Pelo menos uma criança morreu da doença misteriosa até agora, de acordo com a Organização Mundial da Saúde.

A maioria das crianças infetadas tinha menos de 10 anos e muitas tinham menos de cinco anos. Nenhuma tinha outras condições de saúde subjacentes.

O centro europeu lembra que "o quadro clínico observado é de hepatite aguda grave que requer hospitalização com icterícia e transaminases hepáticas acentuadamente elevadas". "Na maioria dos casos até o momento, o início da icterícia foi precedido por uma doença gastrointestinal com vómitos, diarreia e náusea. As informações sobre o desfecho dos casos ainda estão a ser recolhidas. Até agora, a maioria dos pacientes para os quais há informações disponíveis recuperou, mas alguns evoluíram para insuficiência hepática aguda e necessitaram de transplante de fígado.", descreve a avaliação de risco publicada.

Adenovírus e Sars-Cov-2 são os patógenos mais comuns

"Investigações epidemiológicas e laboratoriais detalhadas dos casos ainda estão em marcha para ajudar a determinar a causa subjacente. Os casos foram testados para uma variedade de diferentes causas infecciosas, e os patógenos mais comuns encontrados foram adenovírus e o SARS-CoV-2", detalha o ECDC, que acrescenta que na Inglaterra e na Escócia, 75,5% e 50% dos casos, respetivamente, testaram positivo para adenovírus.

Entre os adenovírus, ganha relevo o adenovírus tipo 41F. "A subtipagem de 11 casos da investigação do Reino Unido descobriu que todos eram do tipo 41F, que é o mesmo subtipo identificado entre vários dos casos relatados nos EUA. Outros adenovírus também foram encontrados em algumas amostras não sanguíneas entre os casos investigados no Reino Unido. As informações sobre testes na UE/EEE estão incompletas, mas entre os casos relatados 10 testaram positivo para adenovírus", revela o documento.

O ECDC diz ainda que "as primeiras investigações epidemiológicas de casos do Reino Unido não conseguiram identificar uma exposição comum digna de nota (incluindo alimentos, medicamentos ou toxinas)". Mais: em todos os países que relataram casos, a maioria das crianças não tinha histórico médico significativo.

Cofator desconhecido é a principal hipótese

Com base nessas investigações, diz o ECDC, "a principal hipótese atual é que um cofator esteja a afetar crianças pequenas com infeção por adenovírus, a qual seria leve em circunstâncias normais, mas desencadeia assim uma infeção mais grave ou lesão hepática imunomediada".

Outras causas (por exemplo, outros agentes infecciosos ou tóxicos) ainda estão sob investigação e não foram excluídas, mas são consideradas menos plausíveis, refere o centro europeu, que admite que "a patogénese da doença e as vias de transmissão também são desconhecidas".

"A doença é bastante rara e as evidências em torno da transmissão de humano para humano permanecem obscuras; os casos na UE/EEE são esporádicos com uma tendência pouco clara. Como resultado, o risco para a população pediátrica europeia não pode ser avaliado com precisão", acrescenta o relatório, reconhecendo que "atualmente este constitui um evento de saúde pública preocupante."

Recomendações de vigilância e higiene

Perante o atual cenário, o ECDC considera "essencial estabelecer vigilância a nível nacional para os países da UE/EEE o mais rápido possível para recolher informações epidemiológicas, clínicas, virológicas e outras informações detalhadas, incluindo análises toxicológicas, sobre os casos."

"Outras investigações incluem uma avaliação do nível subjacente de infeções virais agudas que circulam na comunidade, em particular adenovírus, por idade, e se isso está acima do que seria normalmente esperado", nota a instituição.

Como a causa da doença permanece desconhecida, medidas de controlo eficazes não podem ser definidas nesta fase, refere o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças. Mas há recomendações que as famílias devem colocar em prática: "A exposição fecal-oral a vírus como adenovírus é mais provável para crianças pequenas. Recomendamos, portanto, reforçar as boas práticas gerais de higiene (incluindo higiene cuidadosa das mãos, limpeza e desinfecção de superfícies) em ambientes frequentados por crianças pequenas."

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