Há 15 interessados em pôr os lisboetas a andar de bicicleta

Sistema para partilhar "biclas", que entra em funcionamento no próximo ano, terá 1400 veículos e 140 estações

E se, em vez de ser obrigado a comprar uma bicicleta para pedalar em Lisboa, pudesse ter 1400 bicicletas à sua disposição, mediante o pagamento de tarifa, em 140 pontos distintos da capital?

O sistema não é uma novidade a nível nacional, mas deverá chegar finalmente a Lisboa no próximo ano, após diversos avanços e recuos. Para já, a Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa (EMEL) recebeu 15 propostas de entidades interessadas em prestar o serviço, adiantou ontem o presidente da câmara municipal (CML). O preço base, que, segundo Fernando Medina (PS), "tenderá a diminuir", é de cerca de 29 milhões de euros. A informação foi divulgada em reunião pública do executivo, depois de o vereador do CDS-PP, João Gonçalves Pereira, ter criticado o modelo de negócio escolhido e defendido, em alternativa, a opção por uma concessão.

O desejo não é de agora e tem andado a par com uma política de aposta na construção de ciclovias: em 2008, já uma proposta do executivo então liderado por António Costa (PS) para implementar na cidade uma rede de bicicletas de uso partilhado fora chumbada na Assembleia Municipal de Lisboa. A proposta visava que, em 2012, a capital tivesse 2500 "amigas de duas rodas" ao dispor de lisboetas e visitantes, tendo-se sucedido, ao longo dos anos, o anúncio de diversas versões mais contidas do projeto, que, em abril de 2013, passou a estar a cargo da EMEL. O concurso acabou por ser lançado este ano e a previsão é, agora, de que o sistema entre em funcionamento em 2016.

De acordo com Fernando Medina, as 140 estações onde qualquer pessoa poderá subir a uma bicicleta serão instaladas no planalto da cidade - um dos principais locais de residência e trabalho da capital - e na frente ribeirinha, muito procurada por turistas. Em outubro, numa informação enviada à Lusa, a EMEL frisou que "assegurará [...] juntamente com a câmara todo o planeamento da rede e tarifário do SBPP [Sistema de Bicicletas Públicas Partilhadas], a sua evolução ao longo do tempo e a integração com outras soluções tecnológicas".

Já a empresa que for selecionada irá "fornecer e instalar toda a parte física do sistema" e ficar "responsável pela gestão operacional do SBPP, incluindo a sua manutenção e logística operacional ao longo de nove anos". Segundo o anúncio publicado em Diário da República, o preço (50%), a "experiência de utilização da bicicleta" (30%), as "componentes funcionais da bicicleta" e a "imagem do SBPP" (10%) são os critérios de adjudicação.

CDS-PP critica modelo de gestão

Para o vereador centrista na CML, contudo, o modelo escolhido pela EMEL "não é o melhor para o interesse da cidade e dos lisboetas". Em causa, defendeu ontem João Gonçalves Pereira, está o facto de, com a forma proposta, "todo o risco" da iniciativa "estar do lado" do município. O autarca considerou, por isso, a solução deveria passar pela celebração de uma concessão, que permitiria ao privado e à EMEL - cujo único acionista é a CML - partilhar os riscos do negócio.

Entendimento distinto tem o presidente da autarquia, que invocou experiências noutros países para argumentar que a implementação do modelo proposto pelo CDS-PP seria mais prejudicial para o município, uma vez que, em situações dessas, o que acontece quando a rede dá prejuízo é o parceiro da entidade pública "abandonar" o sistema. Fernando Medina reconheceu, porém, que, desta forma, a EMEL assume o risco de não haver procura para o serviço.

A mobilidade ciclável tem sido uma das apostas da CML desde que, em 2007, António Cost

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