Fundação EDP diz que "continuam em curso" contactos com Serralves para criar parceria

Em novembro de 2021, as duas fundações divulgaram um comunicado conjunto indicando ter assinado um memorando de entendimento que estabelecia "uma parceria de longo prazo" para o campus cultural da Fundação EDP em Lisboa, que passaria a ser gerido por Serralves.

O administrador e diretor-geral da Fundação EDP, Miguel Coutinho, afirmou esta sexta-feira, em Lisboa, que "continuam em curso" os contactos com a Fundação de Serralves com vista à assinatura de um acordo de parceria entre as duas entidades.

O responsável falava aos jornalistas na apresentação da programação do Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT) para 2023, que arranca em janeiro, e prevê a realização de 13 exposições, algumas que se prolongam até 2024.

Na apresentação, Miguel Coutinho fez questão de sublinhar que a nova programação do MAAT "é da exclusiva responsabilidade da Fundação EDP, do MAAT e de João Pinharanda [diretor] e nada tem a ver com [a Fundação de] Serralves".

Questionado pelos jornalistas sobre o ponto da situação do memorando assinado há um ano entre a Fundação EDP e a Fundação de Serralves, Miguel Coutinho indicou que "continuam em curso as conversas de trabalho" com a fundação com sede no Porto, "com vista à assinatura de um acordo de parceria" entre ambas.

Neste contexto, a nova programação do MAAT - que reúne os espaços do novo edifício e a Central Tejo - é anunciada de forma totalmente autónoma, como em anos anteriores, mas na expectativa de que o acordo venha ainda a concretizar-se.

Em novembro de 2021, as duas fundações divulgaram um comunicado conjunto indicando ter assinado um memorando de entendimento que estabelecia "uma parceria de longo prazo" para o campus cultural da Fundação EDP em Lisboa, que passaria a ser gerido por Serralves.

No comunicado indicavam que "a parceria será concretizada na gestão e programação, por parte de Serralves, do Campus Cultural da Fundação EDP em Lisboa, juntando o MAAT e a Central Tejo ao Museu de Arte Contemporânea, à Casa e Parque de Serralves e à Casa do Cinema Manoel de Oliveira".

"A cultura continuará a ser um dos pilares de intervenção da Fundação EDP na comunidade, através da propriedade e apoio de mecenato ao Campus Cultural em Lisboa, ao qual se manterá igualmente vinculada, bem como do mecenato cultural a outras instituições e com a continuidade do Prémio Novos Artistas e do Grande Prémio Arte Fundação EDP, referências no panorama artístico português", acrescentava o texto.

"Com esta presença física em Lisboa, a Fundação de Serralves consolidará a sua relevância nacional e reforçará a sua afirmação internacional", lia-se no comunicado.

As duas fundações realçavam ainda estarem "convictas da importância para o país desta parceria", pela possibilidade de "abrir novos horizontes ao conhecimento, estudo, desenvolvimento e divulgação da arte contemporânea e da ciência dentro e fora de fronteiras", reforçando "os polos culturais de Lisboa e do Porto de ambas" as instituições.

O MAAT, inaugurado em 2016 com projeto da arquiteta britânica Amanda Levete, é um dos espaços museológicos da Fundação EDP em Lisboa, juntamente com a Central Tejo - Museu da Eletricidade.

O arquiteto Pedro Gadanho foi o primeiro diretor do MAAT, sucedido, em 2019, pela curadora e crítica de arte italiana Beatrice Leanza. Em 2021, foi convidado o historiador de arte e curador João Pinharanda para ocupar o cargo.

Em outubro de 2021, o MAAT cumpriu o quinto aniversário com um balanço de 1,28 milhões de visitantes e 85 exposições realizadas desde a inauguração.

A Coleção de Arte da Fundação EDP reúne mais de 2.000 obras de arte contemporânea.

O investimento total feito na programação do MAAT nos cinco anos de existência foi de 9,5 milhões de euros, indicou, na altura, a Fundação EDP.

Por seu lado, a Fundação de Serralves, no Porto, foi criada em 1989, gerindo o Museu de Arte Contemporânea, a Casa e o Parque Serralves, acolhendo ainda a Casa do Cinema Manoel de Oliveira.

Segundo a instituição, a sua coleção integra cerca de 4.300 obras, das quais mais de 1.700 são propriedade da Fundação de Serralves e as restantes 2.600, provenientes de várias coleções privadas e públicas, com depósito de longo prazo, nomeadamente da Coleção de Arte Contemporânea do Estado, anteriormente designada "Coleção SEC", e da coleção da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento.

O Museu de Arte Contemporânea de Serralves, inaugurado em 1999, é dirigido, desde 2019, pelo curador francês Philippe Vergne.

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