"Entrelaçamento Quântico". Fenómeno de que Einstein duvidava deu Nobel

Alain Aspect, John F. Clauser e Anton Zeilinger foram premiados pelo seu trabalho no desenvolvimento de investigação que envolve a mecânica quântica e que pode ter grandes implicações em áreas como a encriptação de dados ou computação quântica.

O Comité Nobel premiou com o prémio da Física três investigadores que trabalham num fenómeno chamado "Entrelaçamento Quântico" (Quantum Entanglement) que é tão improvável que Albert Einstein não acreditava nele e chamava-o de "assustador".

Assim, o francês Alain Aspect, o norte-americano John F. Clauser e o austríaco Anton Zeilinger foram distinguidos pelas suas descobertas sobre o "poder da mecânica quântica", anunciou o secretário-geral da Real Academia Sueca das Ciências, no Instituto Karolinska, em Estocolmo.

O júri do Nobel adiantou que o trio de pioneiros do estudo dos mecanismos revolucionários da física quântica foi distinguido pelo seu trabalho pioneiro sobre o estado da matéria em que duas partículas estão perfeitamente correlacionadas, independentemente da distância entre elas.

"A ciência da informação quântica é um campo vibrante e em rápido desenvolvimento", disse Eva Olsson, membro do Comité Nobel, explicando que "tem implicações amplas e potenciais em áreas como a transferência segura de informação (encriptação de dados), a computação quântica e a tecnologia de deteção". Eva Olsson adiantou que enquanto os físicos muitas vezes abordam problemas que parecem à primeira vista estar longe das preocupações do dia a dia -- partículas minúsculas e os vastos mistérios do espaço e do tempo --, a sua pesquisa fornece as bases para muitas aplicações práticas da ciência.

Esta mecânica complexa, e que por vezes desafia a lógica, cujo estudo foi agora premiado foi prevista pela Teoria Quântica, mas nem Albert Einstein acreditava na existência de duas partículas unidas no início, como gémeos, que podem manter a marca do seu passado comum e ter um comportamento semelhante e coordenado, à distância.

O físico francês Alain Aspect (75 anos) e sua equipa na Universidade Francesa de Paris-Saclay foram os primeiros a testar a teoria do físico John Stewart Bell que, em 1964, encontrou uma forma de medir se existiam, de facto, variáveis ocultas dentro de partículas quânticas.

Quanto a John F. Clauser, resolveu também testar as teorias de Bell e, ao lançar lasers contra átomos de cálcio para emitir fótões entrelaçados e medir as suas propriedades, conseguiu demonstrar com dados concretos que o que havia desafiado até mesmo a imaginação do grande Einstein era verdade.

Outro dos vencedores, Anton Zeilinger, conhecido como o Pai Quântico, já tinha demonstrado o potencial do Entrelaçamento Quântico para uso, por exemplo, na criptografia ou no teletransporte quântico. Um trabalho que já chegou a ser "comparado" ao "Teletransporte" da série de ficção científica Star Trek. Com Agências

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