Em dez anos, Erasmus já levou 1700 professores e funcionários para fora

Destinava-se a estudantes, mas em 2007 foi alargado a docentes e não docentes do ensino superior, para participarem em ações de formação mas também de ensino. Hoje a iniciativa tem cada vez mais candidatos

"Há sempre um ganho pessoal e que tem que ver com a experiência e o prazer de dar aulas que são fundamentais para um professor. Além disso, conseguimos construir uma rede internacional alargada e que também beneficia os alunos." São estas as mais-valias para o professor do ensino superior João Crespo da participação no Erasmus que o levou à Polónia, ao Japão e à Argélia. Desde que o programa foi alargado a docentes e funcionários do ensino superior, há dez anos, 1700 pessoas trocaram Portugal por um outro país para partilhar experiências.
João Crespo é atualmente vice-reitor da Universidade Nova, mas foi na qualidade de docente de Engenharia Química, da Faculdade de Ciências e Tecnologia, que se disponibilizou para dar aulas durante uma semana no estrangeiro no âmbito do Erasmus. Um programa notabilizado pelos milhares de alunos do ensino superior que desde há 30 anos se movimentam pelo mundo, não só pela Europa. Em 2007 foi alargado a docentes e não docentes, embora 99 % do financiamento seja dedicado aos estudantes. Os portugueses deslocam-se para o estrangeiros, como os estrangeiros vêm frequentar as instituições portuguesas e até são em maior número.
"O número de participantes docentes e não docentes tem vindo a aumentar anualmente. Contudo, apesar do crescimento contínuo deste tipo de mobilidade, o financiamento anual que lhe é destinado é de cerca de 1% do financiamento para mobilidades no âmbito do ensino superior", explica Joana Godinho, diretora da Agência Nacional de Erasmus.
Em 2007-2008, 108 elementos do staff do ensino superior deslocaram-se para o estrangeiro, número que multiplicou por quatro no biénio 2014-2015: 447. A agência não faz a separação estatística dos docentes e não docentes que usam o programa para formação, mas são sempre mais os professores a partir, até porque têm também a componente de ensino.
João Crespo, 56 anos, participa em programas de mobilidade há 20 anos. No âmbito do Erasmus deslocou-se à Polónia, ao Japão e à Argélia para dar aulas durante uma semana, onde conviveu com alunos e culturas muito diferentes. "Como docentes podemos participar em vários programas de mobilidade, nomeadamente para doutoramento, mas o Erasmus tem um mecanismo curioso. Temos a responsabilidade de dar aulas, de formar estudantes, mas também de criar laços com as instituições a nível do ensino e investigação. O facto de ter estado nessas universidades permitiu-me aprofundar a relação institucional. Recebemos estudantes e professores na universidade e alunos nossos vão para lá fazer o doutoramento. É uma relação que se vai construindo."
Os professores e outros trabalhadores do ensino superior podem candidatar-se para um período mínimo de dois dias e máximo de dois meses, para frequentarem instituições com as quais o seu estabelecimento de ensino tem acordo. Recebem o vencimento habitual, além de uma comparticipação para as despesas de deslocação. O Erasmus paga a viagem e um apoio diário que varia entre 75 (Croácia, Estónia, Lituânia e Eslovénia) e 120 euros (Dinamarca, Irlanda, Holanda, Suécia e Reino Unido).
Os portugueses deslocam-se em primeiro lugar para a Espanha, seguindo-se a Itália e a Polónia. São também estes três países que maioritariamente enviam estrangeiros para Portugal, a Polónia em segundo lugar e em terceiro a Itália. A nível das instituições portuguesas, a Universidade do Porto tem enviado um maior número de pessoas, 116, a Universidade de Coimbra 124 e o Instituto Politécnico do Porto, 112.
O Erasmus é apenas um dos programas europeus que promovem a aprendizagem ao longo da vida. "Desde 2000, mais de 15 mil docentes e outro pessoal do ensino superior português participaram em mobilidades no âmbito dos programas Sócrates II (2000-2006), Aprendizagem ao Longo da Vida (PALV 2007-2014) e Erasmus+ (2014-2020)", sublinha Joana Godinho.
A partir de 2014, o Erasmus deu lugar ao Erasmus +, para o período 2014-2020, que engloba todos os programas de aprendizagem ao longo da vida: ensino escolar (Comenius), educação e formação profissional (Leonardo da Vinci), Superior Internacional (Erasmus Mundus), educação de adultos (Grundtving) juventude e desporto (Juventude em Ação) e Internacional Extracomunitário.

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