"É a altura perfeita para atacar as alterações climáticas"

No último dia da iniciativa European Young Leaders, debateu-se, em mesa redonda, o futuro do clima. A conclusão? Há espaço para fazer mais e melhor.

O melhor caminho para mitigar e combater os efeitos das alterações climáticas é unir esforços, em particular entre os Estados Unidos e a União Europeia. É esta a principal conclusão do painel Transatlantic Climate Change Dialogue ("Diálogo Transatlântico sobre Alterações Climáticas", em português), que aconteceu ontem em formato híbrido, e que se insere na iniciativa European Young Leaders (Jovens Líderes Europeus, em português), que decorre em Lisboa desde quinta-feira e termina este sábado.

O painel, constituído sobretudo por figuras ligadas a instituições europeias e americanas com um papel na luta contra as alterações climáticas, discutiu, ao longo de pouco mais de duas horas qual a melhor forma de mitigar os efeitos cada vez mais visíveis desta problemática. Para Laura Cozzi, da Agência Internacional de Energia, esta "é a altura perfeita para atacar as alterações climáticas", e justifica: "Estamos a começar a perceber que política energética não significa necessariamente energia, mas sim que é agora possível, também, ter fundos para mudar de casa e estamos a perceber qual é o caminho a seguir neste aspeto". Mas, reconhece a responsável, "não tem havido uma abordagem consistente por parte dos decisores políticos e isso não é apelativo para os consumidores" - algo com o qual Francesca Cavallo, escritora italiana e outra das intervenientes, concorda: "O discurso tem sido sempre muito punitivo, quase como se fosse um pecado ter comportamentos pouco ambientalistas."

Numa perspetiva vinda dos Estados Unidos, Kevin Noertker, CEO da Ampaire, uma empresa da indústria da aviação híbrida, defende que "o futuro passa por investimentos na sustentabilidade", apesar de considerar que "as políticas públicas atuais não contribuem para a descarbonização". No caso do setor da aviação - considerado dos mais poluentes a nível global -, "tem havido sempre obstáculos porque não é uma indústria fácil de descarbonizar. A alternativa? Seria reprogramar e reestruturar o setor e isso ia atrasar o progresso já alcançado." Numa esfera mais próxima do poder político, Ethan Hinch, funcionário do gabinete do senador Bernie Sanders, acrescenta que "é necessário haver uma redução da dependência de combustíveis fósseis. É preciso apoiar a descarbonização" e, para isso, defende Andrea Ruotolo, responsável pelo departamento de sustentabilidade da empresa Rockwell (que produz soluções de automação industrial e energia), a solução é só uma: "Se queremos efetivamente descarbonizar as economias, temos de estabelecer um preço obrigatório para o carbono."

No final das intervenções, a conclusão é que, perante a crise energética que se enfrenta, o caminho passa por pensar em como estabelecer "novas cadeias de abastecimento energético, ao mesmo tempo que se tenta, aos poucos e poucos, adotar modelos de mobilidade alternativos ao automóvel e aos meios de transporte mais poluentes. As emissões estão a aumentar e não o contrário", remata Thibaut Febvre, presidente-executivo da Vianova, uma plataforma de dados sobre mobilidade urbana e serviços de transporte.

rui.godinho@dn.pt

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