E 540 mil bebés depois como é?

Entre a inauguração e 2015 a MAC pôs no mundo mais de meio milhão de bebés. Quantos mais ajudará a nascer é uma incógnita

Terá 82 anos, se ainda viver, Maria da Conceição, primeiro bebé da Alfredo da Costa. Nasceu às 23.30 horas de 8 de Dezembro de 1932, dois dias após a abertura da unidade, com 2,5 quilos. Já a mãe, Flora Martinho, então com 19 anos, é mais difícil. Jovem mãe como Glória Virgínia, de 18 anos, que, vinda de Tomar (viagem bem longa à época), foi a primeira cliente da maternidade, a 6 de dezembro, dando à luz 48 dias depois, a 23 de janeiro de 1933, o que indicia que já então a maternidade receberia grávidas problemáticas.

Inaugurada em 1932, com o nome do médico, Manuel Vicente Alfredo da Costa, que morrera 22 anos antes sem conseguir cumprir o sonho de a erguer, primeira maternidade a ser construída de raiz em Lisboa, contou 2073 partos no primeiro ano, tendo atingido o seu pico em 1977 - também o da primeira cesariana e no qual esta passou a dispor de incubadoras "a sério" - com 13654. A partir daí a contagem de bebés veio por aí abaixo, quer porque foram abrindo outras unidades com a mesma vocação (sobretudo privadas) quer pela quebra da natalidade. A diminuição do número de partos na unidade - entre 2007 e 2011 na casa dos 5000 - foi um dos motivos invocados em 2012 pelo ministro Paulo Macedo para o seu encerramento, estando prevista a passagem das valências para o Hospital da Estefânia.

A decisão, combatida pelos profissionais da casa e por um movimento de apoio à maternidade, foi suspensa por uma decisão do Tribunal Administrativo, que em 2013 aceitou uma providência cautelar nesse sentido. O então governo recorreu, mas em janeiro deste ano o tribunal, não obtendo do atual executivo resposta sobre as suas intenções, decidiu que a MAC não fechava - pelo menos para já. E o ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, anunciou o fim "do quadro de litigância", considerando que a MAC deve continuar aberta pelo menos até que o novo hospital de Lisboa entre em funcionamento e adiantando que "será feito tudo aquilo que permita que a maternidade responda com os níveis de segurança, qualidade e resposta assistencial adequados à sua missão". O número de partos em 2015 foi de 3159.

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