Diagnóstico precoce salvou 16 mil mulheres do cancro da mama

Presidente da Liga Portuguesa contra o Cancro, que neste fim de semana lança peditório, fala do que mudou em 25 anos. Região sul é a que apresenta maiores problemas

Quando o cancro da mama é apanhado num estado inicial, "um diagnóstico é quase equivalente a uma cura, com uma taxa de sucesso de 95%". O facto, revelado ao DN por Vítor Veloso, presidente da Liga Portuguesa contra o Cancro, é acompanhado de um número que demonstra o ganho extraordinário em vidas humanas conseguido ao longo de um quarto de século de rastreios promovidos pela instituição: "Conseguimos detetar à volta de 16 mil cancros precoces desde há 25 anos."

Neste sábado arranca em todo o país o peditório nacional da Liga Portuguesa contra o Cancro, que, em 2015, permitiu angariar 1,5 milhões de euros, aplicados no rastreio destes e doutros cancros mas também no apoio clínico, terapêutico e até financeiro aos doentes e às suas famílias (ver caixas). Amanhã, dia 30, assinala-se o dia nacional de prevenção do cancro da mama.

A associação dos dois acontecimentos, defende, não podia fazer mais sentido, dado o papel crescente que, "graças à solidariedade dos portugueses, porque não recebemos ajudas estatais", a liga tem vindo a desempenhar no rastreio e combate a esta doença.

Mais casos, menos mortes

"Neste momento, a nível nacional, este rastreio está disponível a 100% na região Centro, a 90% na região Norte e a 50% na região Sul", conta, acrescentando que esta última percentagem, mais baixa, existe "não devido à liga mas a problemas com as anteriores ARS [administrações regionais de saúde] de Lisboa e Vale do Tejo e Setúbal", os quais diz estarem em vias de ser solucionados.

A eficácia do diagnóstico precoce é comprovada pelos números: "Como em outros países, o número de casos tem vindo a aumentar, mas a mortalidade tem diminuído de forma substancial." Atualmente, dos seis mil novos casos detetados por ano, 1600 resultam em mortes. Segundo Vítor Veloso, "a quase totalidade" destas dizem respeito a situações detetadas numa fase mais avançada. Mas, nas zonas onde a cobertura ainda é insuficiente, "o número de mortes é superior" à média.

Quanto às mulheres portuguesas, Veloso garante que "estão muito mais convencidas, neste momento, de que o rastreio é uma necessidade. Verificamos que a adesão é muito maior. A nível nacional está acima dos 60% na faixa etária dos 45 aos 69 anos", revela.

É sobretudo nessa fase da vida das mulheres que a incidência de cancros mamários é maior, exigindo uma atenção redobrada. No entanto, há situações, nomeadamente quando existe um histórico familiar, em que "devem ser seguidas de uma forma muito mais prematura do que as outras". E também em relação a esses casos o presidente da Liga Portuguesa contra o Cancro diz que as mulheres "estão bastante mais alertas do que estavam antes".

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