Cultura, economia e lusofonia na Expo Dubai

Luís Castro Henriques, presidente da Aicep, entidade que lidera a presença portuguesa na exposição, revela como o país pode ganhar alcance empresarial.

Este Domingo é o momento da entrega formal do pavilhão de Portugal à Expo Dubai. Qual a importância estratégica desta presença portuguesa?

Portugal tem garantido a sua presença em diversas exposições em várias partes do mundo, como foi o caso de Hannover, Zaragoza ou Xangai, que têm contribuído para a promoção do País no estrangeiro, comunicando a identidade de Portugal como uma nação europeia moderna, contemporânea e inovadora. Por outro lado, tem permitido incrementar as interações económicas e trocas comerciais.

Todos os portugueses têm memória da Expo 98, um momento em que o País se uniu e se sentiu orgulhoso dos seus feitos, mostrando ao mundo a sua capacidade de organização de um evento mundial com essa dimensão. Portugal volta agora às Exposições Mundiais, depois de há dez anos ter participado na Expo 2010 Xangai, participando na primeira Expo a ser realizada na região do Médio Oriente.

A participação portuguesa nas várias exposições tem-se revelado um bom investimento a médio/longo prazo, cujos frutos ultrapassam o período de realização da exposição. Com a participação de Portugal na Expo 2020 Dubai pretendemos reforçar as áreas da diplomacia económica, das trocas comerciais entre Portugal e outros países, dando visibilidade às empresas, produtos e serviços portugueses. Também impulsionando parcerias e promovendo Portugal enquanto destino turístico de qualidade e de investimento produtivo, através de uma forte aposta na promoção da imagem de Portugal que cria melhores condições para o estabelecimento de negócios bilaterais com novos mercados.

Além disso, existe toda a dimensão cultural e de notoriedade do País, de promover o seu legado e presença no mundo. Hoje, tal como temos feito nos últimos 500 anos, queremos potenciar o contributo de Portugal e dos portugueses para o mundo.

Que mensagem e posicionamento quer Portugal passar ao mundo?

O posicionamento de Portugal na Expo 2020 Dubai é muito claro e bem patente no tema da nossa Participação: "Portugal, um Mundo num País".

Apresentamo-nos como um país diverso e inclusivo, que sempre levou a sua cultura e acolheu outras, que outrora conectou o mundo pelos mares e que é, como sempre foi, aberto ao mundo. Quer no Pavilhão de Portugal, quer através da Programação Cultural e Económica, pretendemos mostrar o que temos de melhor: dos nossos destinos turísticos à cultura, da ciência ao empreendedorismo, da inovação à gastronomia, passando pelas energias renováveis, moda e joalharia ou Design. E, claro, colocar a tónica no elo que tudo liga: o talento.

Porque por mais apelativo que seja o nosso País nas suas vertentes económica ou cultural, aquilo que nos diferencia verdadeiramente são as nossas Pessoas, a nossa arte de receber e de bem acolher, a nossa criatividade, o nosso talento. E é também isto que queremos levar e deixar bem patente durante a participação portuguesa nesta Expo, que será a montra perfeita para promover a imagem externa de Portugal.

Uma imagem de um Portugal inovador, de um Portugal que surpreende, de um Portugal aberto ao mundo, com talento e diversidade. Um País que ligou diferentes mundos, diferentes povos e que hoje contribui para criar futuro através da sua inovação e talento.

Que expectativa tem em relação ao potencial do retorno económico e de investimento com esta presença do país na Expor Dubai?

Acreditamos que a participação de Portugal na Expo 2020 Dubai, a primeira a ser realizada naquela região do mundo, contribuirá para o aprofundamento das relações políticas, económicas e culturais entre Portugal, os Emirados Árabes Unidos e os restantes países da região.

A participação de Portugal representa uma excelente oportunidade para mostrar ao mundo as nossas realizações em vários domínios, nomeadamente as novas tecnologias e indústria inovadora, das energias renováveis à sustentabilidade, da cultura, do desporto, do empreendedorismo de base tecnológica e do "Made in Portugal", do científico, das ciências da vida bem como para promover Portugal como destino turístico e de investimento inovador, constituindo-se assim na montra perfeita para fazer chegar esta mensagem a milhões de visitantes, potenciais investidores, consumidores e turistas.

Estamos confiantes no sucesso da participação portuguesa que trará um mundo de oportunidades para o País e irá incrementar muito significativamente a notoriedade de Portugal nos Emirados e em toda a região.

Qual foi o valor final global investido por Portugal nesta presença? E manteve-se 8%c abaixo do orçamentado?

O investimento inicial previsto era de 21 milhões de euros e, na sequência da pandemia, foi feito um esforço de contenção de custos, tentando-se que o adiamento de um ano não acarretasse um aumento de custos, mas antes uma redução estimada em quase 10% nas componentes que ainda não estavam executadas e ou comprometidas.

Espaço de restauração: Porquê Chackall o chef escolhido quando é de origem argentina?

A concessão das zonas de restauração do Pavilhão (Restaurante e cafetaria) resulta de um concurso público, tendo a proposta do Chef Chakall sido a melhor classificada. Nesta concessão estão incluídos a gestão da operação no Restaurante, no Terraço/Esplanada e na Cafetaria, e ainda o serviço de Catering a eventos promovidos pela Participação de Portugal e seus parceiros. 3

Além do dia de Portugal, quais os 2 ou 3 momento altos da programação portuguesa na Expo Dubai?

Vamos ter cinco grandes momentos de programação artística, participação de várias personalidades nacionais em conferências da Expo, semanas de programação empresarial setorial no Pavilhão de Portugal e mais de 40 empresas nacionais presentes na loja do Pavilhão - PT Concept Store. Isto sem prejuízo de outras iniciativas que, ao longo dos seis meses de duração da Expo, iremos desenvolver no nosso Pavilhão.

A programação será apresentada no próximo dia 27 de setembro, no Ministério dos Negócios Estrangeiros, com a presença do Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva. O que posso para já revelar é que, nesta Expo, além da natural componente cultural, a Participação de Portugal também irá apostar muito fortemente na vertente económica, até pelo facto de a entidade organizadora ser a AICEP - Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal.

Para já o que posso adiantar é que iremos ter um Festival da Lusofonia com músicos portugueses e dos PALOP, bem como momentos que irão demonstrar e promover a Portugalidade, onde não podia deixar de constar o fado e a guitarra portuguesa.

No que toca ao programa económico, teremos semanas temáticas a destacar vários setores que consideramos potencialmente geradores de negócio e de relevo para apresentar nesta região do mundo: IT & Startups, Casa e Design, Moda e Joalharia, Saúde e Lazer, Agroalimentar, Energia e Ambiente e Indústrias Culturais e Criativas. Nestas semanas estão previstas mostras de produtos, exposições e outros eventos com o objetivo de promover o que de melhor se faz em Portugal.

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