Menino suspeito de ter hepatite atípica já teve alta do Hospital São João

Uma criança de 21 meses, internada desde o último fim de semana, no serviço de pediatria do Hospital São João, no Porto, desenvolveu uma hepatite aguda, mas evoluiu bem e já teve alta esta tarde do serviço de pediatria, confirmou ao DN Eunice Trindade, diretora de serviço. A unidade aguarda agora os resultados dos exames feitos à criança para saber a causa da hepatite e se esta é idêntica à que já foi identificada em quase 200 casos em 12 países.

Um menino foi internado no domingo no Serviço de Pediatria do Hospital São João com uma hepatite aguda, mas foi tratado, reagiu bem e já teve alta ontem à tarde, confirmou ao DN a diretora do serviço, Eunice Trindade. No entanto, a unidade está a investigar se trata do mesmo tipo de hepatite atípica que apareceu no Reino Unido, no final de março, e que foi já considerada pelas autoridades mundiais uma "hepatite atípica e grave", e cuja origem ainda é desconhecida.


Até agora, Portugal não tem registo de qualquer caso dentro dos critérios internacionais já definidos para o diagnóstico e registo deste tipo de hepatite, se os resultados dos exames realizados a esta criança de 21 meses vieram a comprovar que se trata do mesmo tipo de vírus, será o primeiro caso no país. Eunice Trindade explicou ao DN que "a criança deu entrada no hospital no fim de semana, esteve internado durante quatro dias por hepatite aguda, mas evoluiu muito bem e já teve alta".


A pediatra, especialista também na área de gastroenterologia, sublinhou que "o caso evoluiu muito bem, mas é preciso conhecer a causa da hepatite", já que foram diagnosticados em 12 países 190 casos de crianças, sobretudo entre os três e os cinco anos, de hepatites muito graves.


Ao DN, o diretor do Programa Nacional para as Hepatites Virais, da DGS , Rui Tato Marinho tinha afirmado que ser muito natural que Portugal viesse também a registar casos deste tipo de hepatite, cuja origem ainda é desconhecida porque é distinta dos vírus que provocam as formas A,B,C, D e E. Embora tudo aponte para que a origem esteja também num adenovírus.

Apesar de a origem ser desconhecida, há especialistas que já vieram dizer que o surgimento de uma doença deste tipo na pediatria pode ter a ver com o confinamento e com a perda de defesas das crianças mais novas. Rui Tato Marinho concorda que esta é uma possibilidade, porque o mundo viveu dois anos de pandemia com isolamento das crianças, que não estiveram em contacto com os vírus normais, e dos pais, que ainda por cima usavam máscara. Portanto, "houve una alteração no ambiente".

No Reino Unido, que é o país mais atingido, já foram relatados 114 casos, 17 transplantes devido à destruição do fígado e uma morte. O Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC, sigla inglesa) reuniu na quarta-feira com todos os países pedindo que disponibilizem toda a infirmação para se perceber os fios condutores. A Comissária Europeia para a Saúde também já admitiu que se trata de uma "situação preocupante". A doença já atingiu crianças no Reino Unido Reino, EUA, Israel, Espanha, Dinamarca, Irlanda, Holanda, Itália, Noruega, França, Roménia e Bélgica.

Os sintomas comuns referenciados indicam febre, dor abdominal, diarreia, vómitos, olhos amarelados (icterícia), e prostração. Rui Tato Marinho defendeu ao DN que o melhor conselho que poderia dar aos pais era que estivessem atentos a todos estes sinais, sobretudo aos olhos amarelados, porque este é o sinal de que há problemas no fígado.

As autoridades de saúde europeias investigam mais esta situação, o Hospital São João deverá receber hoje os resultados dos exames feitos à criança de 21 meses.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG