Criança com suspeita de hepatite aguda testa negativo à doença. Tem Gripe A

O Hospital São João divulgou hoje os resultados à criança que esteve internada durante quatro dias com uma inflamação aguda do fígado e estes revelam que, afinal, não se trata de um caso da hepatite atípica que se tem vindo a registar noutros países. Portugal é dos que ainda não registou nenhum caso.

O menino de 21 meses que esteve internado até ontem no hospital do Porto testou negativo para a hepatite atípica que tem vindo a afetar outras crianças em várias partes do mundo. Os resultados dos exames, divulgados agora pelo Hospital São João, revelam que a criança testou positivo para três vírus, entre os quais o da Gripe A.

Segundo explicaram ao DN, o quadro de hepatite aguda que tem sido descrito está assim excluído deste caso, podendo a situação hepática que a criança desenvolveu ter tido origem em qualquer um dos vírus detetados. A diretora do Serviço de Pediatria do Hospital São João, Eunice Trindade, referiu ao DN que perante a situação que se está a viver, devido aos quase 200 casos de uma hepatite atípica, em 12 países, e os alertas já lançados pelas autoridades de saúde europeias, era necessário despistar a doença, mas, a verdade, é que outras situações virais podem desencadear inflamações do fígado, nomeadamente o vírus da Gripe, sem que tal, no entanto, se integre num diagnóstico de hepatite.

O alerta de que havia uma criança internada no Hospital São João que pudesse ser o primeiro caso de hepatite atípica foi lançado ontem à tarde. O menino tem 21 meses, deu entrada na unidade hospitalar no fim de semana, foi tratado e teve alta ainda nesta quinta-feira. Neste momento, "encontra-se estável e a evoluir favoravelmente, estando o CHUSJ a monitorizar e a prestar todos os cuidados necessários".

Recorde-se que o alerta para um aumento de casos de uma hepatite atípica e grave, com a rápida destruição do fígado, foi lançado pelas autoridades do Reino Unido no final de março, e até agora já foram relatados 190 casos em mais 11 países, como EUA, Israel, Espanha, Itália, Irlanda, Bélgica e Roménia.

Até agora, Portugal ainda não registou nenhum caso deste tipo. No entanto, e como explicou já esta semana ao DN o diretor do Programa Nacional das Hepatites Virais, Rui Tato Marinho, "é natural que venha a ser registado", porque hoje o mundo global é assim.

Esta semana o ECDC já reuniu com todos os países para divulgar a informação disponível pelas autoridades britânicas e pedir que estejam atentos e recolham toda a informação necessária para se perceber a origem da situação.

Até agora, já foram registados casos em bebés e em adolescentes até aos 16 anos, mas as crianças mais atingidas estão entre os três e os cinco anos.

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