Construíram um robô e venceram final europeia

Têm 17 anos, andam na secundária de Oeiras e são os grandes vencedores do concurso europeu Odysseus, dedicado ao espaço

Quando em Setembro a professora de Física falou do concurso europeu Odysseus, Diogo Repas pensou que era daquilo que andava à procura. "Queria muito fazer qualquer coisa além das aulas e aquela pareceu-me uma oportunidade espetacular", conta o aluno da Escola Secundária Sebastião e Silva, em Oeiras. E foi mesmo, porque Diogo, Carlota Fernandes e Nélson Rebelo, amigos e colegas do 11º ano que ele desafiou para participarem juntos no Odysseus, ganharam há dias, em Bruxelas, a final daquele concurso europeu do espaço, para jovens entre os 14 e 18 anos, com um robô para a exploração de Marte todo pensado e construído por eles.

"Foi uma experiência inesquecível", resume Diogo. Carlota concorda. "Uma aprendizagem espetacular, e hoje somos ainda mais amigos", diz ela.

Temos muitos colegas interessados

Quando decidiram avançar, e o Diogo se lembrou de que podiam construir um robô, Carlota e Nelson concordaram. "Pensámos: somos malucos, fazer um robô aos 16 anos?. Mas depois, porque não? E avançámos", conta Carlota.

O espaço era na altura, para eles, um mundo distante e desconhecido, fazer algo nessa área nunca lhes tinha passado pela cabeça. Carlota, por exemplo, está em economia (agora no 12º), embora se interesse por muitas coisas, da música ao desporto, e de investigar. Diogo e Nelson, da área de ciências, de vez em quando já partilhavam entre si umas dicas sobre programação e novas tecnologias. Arriscaram.

"Algo em que pensámos logo foi que tínhamos de fazer uma coisa que tivesse um efeito uau!", lembra Carlota. O robô LEARS, de Learning Robotics in Space cumpriu bem a missão.

Os três vencedores portugueses do Odysseus construíram um pequeno robô móvel - tem rodas para se deslocar - com sensores de temperatura, de luminosidade, de ultravioletas, de pressão atmosférica, GPS, um giroscópio, bússola e acelerómetro para determinar a orientação da máquina, um detetor de ultrassons, um sensor de radiações e uma câmara programada para detetar caras em tempo real. "Ver caras em Marte não parece muito útil, mas demonstramos que, mudando alguns parâmetros, podemos detetar rochas, plantas ou outros padrões na paisagem", explicam os jovens.

Algo em que pensámos logo foi que tínhamos de fazer uma coisa que tivesse um efeito uau!

Conquistar a final e ganhar como prémio uma viagem à Guiana Francesa para ver o lançamento de um foguetão - em princípio será em novembro - foi uma alegria indescritível, mas todo este ano dedicado ao projeto esteve, afinal, recheado de bons momentos: os novos conhecimentos de eletrónica e de programação aprendidos a três, na Internet, como autodidatas, o trabalho em equipa, as muitas horas extra para ultrapassar as falhas e as "birras" do LEARS - como aquela em que ele "queria" ligar-se a uma outra rede Wi-fi e foi preciso reprogramá-lo - e o apoio que chegou de todo o lado. Da família, da escola, dos professores e das funcionárias que não regatearam ajudas e aplausos, da professora de Física Cristina Pinho que os acompanhou sempre, e do professor João Sequeira, do Instituto Superior Técnico, que deu um importante contributo.

Agora falta ir à Guiana e partir para novos projetos. Um deles será o das aulas de programação que os três vão dar na escola, para que outros possam beneficiar do que eles aprenderam. "Temos muitos colegas interessados", garante Diogo Repas. Outro é melhorar o robô, e transformá-lo para ele fazer tarefas diferentes, e participar noutros concursos. Já têm alguns em vista.

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