Cimeira do clima a passo de caracol. E resta uma semana

Apesar da lentidão das negociações há quem se mantenha otimista.

A primeira versão de um acordo final, que devia ter sido apresentada ontem pelos delegados na cimeira do clima de Paris, para os ministros do ambiente dos 196 países poderem começar a discuti-la na segunda feira, transformou-se, afinal, em duas. E estão ambas longe das curtas oito páginas desejáveis, porque são essas as que corresponderão aos consensos. Para os negociadores, este vai ser um fim de semana de maratona.

Os dois novos documentos, um de 46 páginas, com tudo o que foi debatido até agora, e outro, com 38, com algumas propostas de compromisso feitas pelos chamados facilitadores, ainda estão muito longe do objetivo final. Como afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros francês, e presidente da COP 21, Laurent Fabius, "ainda não estamos lá". Hoje, ao meio-dia, é suposto que um documento mais finalizado seja entregue à presidência francesa da conferência. Se isso vai ser possível, ou não, se verá.

A meio caminho

Passada que está a primeira semana da COP 21, já só restam agora outros sete dias para se chegar a um acordo que possa conduzir a uma redução substancial das emissões globais de gases com efeito de estufa, já a partir de 2020, para se conseguir ter a situação ideal de praticamente zero emissões em 2050. É isso que exigem, por exemplo, as ONG do ambiente, que também estão presentes em peso na conferência, em Paris.

Apesar da sombra de Copenhaga que ainda paira sobre as COP, apesar do pouco que se andou nesta primeira semana das negociações, e de os discursos políticos do primeiro dia serem nesta altura o que de mais relevante se passou ali até agora, o otimismo continua presente em Paris.

Um dos que se diz confiante é o diretor do programa de economia ambiental da Universidade de Harvard, Robert Stavins, que está na capital francesa a acompanhar os trabalhos. "Estou otimista", disse à Reuters, descartando qualquer semelhança entre esta cimeira e a de Copenhaga. "É drasticamente diferente", garante.

Para o especialista, o facto de os Estados Unidos e a China, os dois países mais poluidores, estarem empenhados num acordo vinculativo, deixando para trás anos de impasse, é o melhor indicador para o desfecho desta conferência.

Menos satisfeita estava ontem Elina Bardram, a chefe dos negociadores da União Europeia, face ao pouco caminho andado até agora para produzir o documento de trabalho que os políticos terão de debater já no início da próxima semana. "É muito frustrante", desabafou a perita.

Já Martin Kaiser, da Greenpeace, que tem acompanhado a par e passo as negociações, mantém-se cauteloso. "Estamos a meio caminho no calendário da cimeira, mas para garantirmos um bom acordo, nem a meio caminho estamos", disse o dirigente ambientalista.

Progressos nos transportes

Num painel sobre transporte sustentável, paralelo aos trabalhos da conferência, o secretário-geral do Fórum Internacional do Transporte, o português José Viegas, falou por seu turno dos progressos que se preparam neste setor para reduzir as emissões de CO2.

"Há razões objetivas para que nos transportes o arranque da luta contra as emissões de gases com efeito de estufa tenha sido mais tardio e mais difícil, mas há um consenso de que é preciso fazer qualquer coisa e vai haver várias iniciativas e progressos significativos em todas as frentes", afirmou o representante do organismo internacional que integra a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico. O transporte partilhado é uma ideia já a ser testada.

Com Lusa

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