Afinal quase toda a gente está de acordo com projeto da 2.ª Circular

Após um mês de um debate, só o ACP se mostrou ontem crítico da proposta da autarquia. Sessão contou com cerca de 150 pessoas na assistência e de 15 intervenções no período destinado ao público

A intensidade com que, ao longo do último mês, se debateu o projeto de remodelação da 2.ª Circular fazia antever um debate quente, mas acabou por ser a tranquilidade do consenso a marcar a sessão organizada esta segunda-feira pela Assembleia Municipal de (AML) para ouvir os lisboetas. No Hotel Roma, em Lisboa, estiveram presentes 150 pessoas que, mais do que críticas, ouviram os intervenientes pedir ciclovias e vias reservadas a transportes públicos e, até admitir a plantação de mais arbustos. A intervenção, que poderá ainda ser aperfeiçoada, deverá começar a sair do papel em junho e tem uma duração prevista de 11 meses.

"Temos a expectativa de que já exista um melhor entendimento do propomos", referiu, na apresentação da proposta do município, o vereador do Urbanismo, frisando que "muito do debate" que tem acontecido tem andado "à volta de questões que não constam do projeto". Manuel Salgado exemplificou com a suposta perda de uma via em cada sentido, que nunca esteve prevista, e possibilidade de uma "densa plantação de árvores" poder vir a atrair mais aves e pôr em risco a segurança dos aviões. "Propõem-se plantar 128 árvores entre o Campo Grande e a Rotunda do Relógio e fora dos cones", frisou o autarca. Ao todo, está prevista a existência de 570 árvores no novo separador central que ali será instalado e de outras 7500 nas imediações.

"Não tenha medo de pôr mais verde, desde que sejam arbustos e não ultrapassem a altura dos candeeiros", afirmou, na sua intervenção, Luís Coimbra, presidente da NAV - Navegação Aérea de Portugal, adiantando que, em mais de 160 mil movimentos registados no ano passado no aeroporto da Portela, houve apenas 42 incidentes, dos quais somente sete causaram danos nos aviões. O representante mostrou-se, por isso, favorável à intervenção, tal como o presidente da ANA - Aeroportos de Portugal, para quem a "a segurança aérea não deve ser pretexto para especulação". Jorge Ponce de Leão recomendou, ainda assim, à câmara municipal que desenvolva um plano de "controlo de avifauna".

Prioridade aos transportes públicos

Igualmente em destaque no debate, que contou com o presidente do município, Fernando Medina, na assistência, esteve o papel que os transportes públicos deverão desempenhar na futura 2.ª Circular. "Importa saber se estão previstas alterações dos transportes públicos", sublinhou, no período destinado ao público e que contou com cerca de 15 participações, Lurdes Pinheiro, da Comissão de Utentes dos Transportes Públicos. Antes, já Tiago Farias, presidente da Transportes de Lisboa, a holding que detém a Carris, apelara à autarquia que ponderasse a possibilidade de dar prioridade aos transportes públicos nas entradas da 2.ª Circular. O dirigente adiantou ainda que, atualmente, circular apenas uma carreira na via que atravessa Lisboa de nascente a poente: a 750, considerada estruturante e utilizada, anualmente, por cinco milhões de pessoas.

No painel dedicado ao impacte da intervenção na fluidez do tráfego da intervenção proposta pelo município, também António Marques, da Federação Portuguesa do Táxi, solicitou que venha a ser equacionada a marcação de uma faixa BUS. O responsável não escondeu, de resto, o seu apoio ao projeto, nomeadamente no que se refere à repavimentação da estrada em toda a sua extensão, a reabilitação do sistema de drenagem e a substituição da iluminação por outra mais sustentável.

"Não nos traz qualquer problema", concordou o presidente da Associação Nacional dos Transportes Rodoviários em Automóveis Ligeiros (ANTRAL), admitindo que, ao início, temeu que os taxistas viessem a ser prejudicados. Florêncio de Almeida rejeitou, contudo, a ideia sugerida pela Quercus de instalar, pelo menos em alguns troços da 2.ª Circular, uma ciclovia. "Vamos tratar primeiro dos automóveis, porque os ciclistas podem passar por qualquer lado", sublinhou o responsável.

ACP diz que não é prioritário

Foi, de resto, da parte dos automobilistas que surgiu a maior crítica da sessão que decorreu no Hotel Roma. "Este projeto não é prioritário", frisou o presidente do Automóvel Club de Portugal (ACP), acrescentando que "o problema de fundo não está resolvido". Carlos Barbosa revelou ainda que a autarquia já adiantou que irá fazer algumas das obras propostas pela entidade que dirige no seu parecer, mas questionou quando tal irá acontecer.

Ao todo, o município recebeu cerca de 400 participações no âmbito da consulta pública do projeto, orçado em 12 milhões de euros (com IVA), que visa aumentar a segurança, a fluidez e a sustentabilidade ambiental da 2.ª Circular. No próximo dia 10, a AML discute o relatório da sessão e uma eventual recomendação ao município.

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