Barreiras de cimento para garantir segurança nas marchas

Centenas de polícias estarão na Avenida da Liberdade e nos maiores arraiais. Corpo de Intervenção fica de prevenção

Com dezenas de milhares de pessoas nas ruas e bairros de Lisboa na noite da próxima segunda-feira, a PSP decidiu tomar medidas preventivas para evitar problemas com a segurança de quem estará na capital a festejar a noite de Santo António, seja a assistir ao desfile das marchas representativas dos bairros, seja nos arraiais.

Assim do dia 12 para 13, haverá, numa primeira fase, rastreios de segurança com equipas cinotécnicas (com cães) no recinto onde vão desfilar os concorrentes ao concurso da melhor marcha de 2017 - entre a Avenida da Liberdade e o Rossio - confirmou ao DN fonte oficial da PSP de Lisboa. Nessa área existirá um policiamento bem visível e vão ser colocados blocos de betão de forma a impedir a entrada de veículos no espaço delimitado, o que previne qualquer hipótese de ataque com carros.

A colocação destes blocos foi uma medida posta em prática no Santuário de Fátima, aquando da visita do Papa a 13 de maio, pelas mesmas razões de segurança. Apesar de o grau de ameaça terrorista em Portugal não ter sido alterado, mantendo-se no 4 (moderado), numa escala de 1 a 5 (do mais para o menos grave), a polícia "não é alheia ao que se tem passado noutras cidades europeias", sublinhou outra fonte oficial da polícia.

Dada a configuração geográfica dos bairros históricos com os arraiais mais populares - como é o caso de Alfama ou Mouraria com as suas ruas estreitas - não serão colocadas barreiras físicas nesses locais onde os carros já não entram. Nessas zonas a aposta das forças de segurança será a presença de elementos à paisana da Investigação Criminal da PSP que terão como objetivo identificar a presença de indivíduos suspeitos, movimentações estranhas ou simples atos de carteirismo, o que é habitual em situações com grandes concentrações de pessoas.

Haverá um reforço policial com maior expressão na noite de Santo António, que integrará várias valências do Comando Metropolitano da PSP de Lisboa (Cometlis). Equipas de Intervenção Rápida (EIR) estarão a postos perto dos arraiais com maior aglomeração de pessoas, como Alfama ou Bica, e a unidade de Lisboa do Corpo de Intervenção estará de prevenção para ser acionada para qualquer ponto da cidade, se houver distúrbios ou conflitos de rua que o justifiquem. As equipas cinotécnicas da Unidade Especial de Polícia serão apenas visíveis na Avenida da Liberdade e no Rossio, pelo que não estarão nos bairros populares. As esquadras da área de cada bairro onde decorram arraiais estarão também em alerta.

Condicionamento do trânsito

Na noite de 12 para 13 de junho, "o policiamento incidirá numa primeira fase nas artérias que confluem para a Avenida da Liberdade, com condicionamento de trânsito a partir das 18.00, estando completamente fechada a avenida a partir das 19.00/19.30", adiantou ao DN, o núcleo de Relações Públicas do Cometlis. "Após a descida de todas as marchas populares na Avenida da Liberdade, o policiamento estará mais presente nos bairros típicos da cidade, como a Mouraria, Castelo, Alfama, Bica e Bairro Alto, sendo igualmente de esperar grandes constrangimentos de trânsito para estes bairros logo na manhã do dia 12 deste mês para montagem de arraiais." Serão mobilizados centenas de polícias "em regime remunerado e de ordem pública" e está garantida uma "presença policial constante em diferentes pontos, com maior incidência nas zonas de aglomeração de pessoas". Além deste reforço mais visível nas zonas mais concorridas, "a PSP manterá os normais níveis de resposta e de policiamento nas restantes zonas da cidade", acrescentou a PSP.

Já a Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural (EGEAC), responsável pela organização das Festas de Lisboa, disse à Lusa que "todas as questões de segurança, e neste caso em particular, no espaço público, são e sempre foram da responsabilidade das forças de segurança". No âmbito da apresentação do programa das festas, a 23 de maio, a presidente da EGEAC, Joana Gomes Cardoso, tinha recusado avançar com a ideia de poder existir um reforço da segurança devido aos atentados terroristas que têm ocorrido na Europa, defendendo que se deve "evitar uma situação de constrangimento securitário que faça as pessoas sentir medo". "Fazer estes grandes eventos de espaço público em aberto quase que se torna já um ato de resistência", declarou, frisando que esses atentados têm de ser interpretados como "uma motivação maior para continuar a fazer mais ainda".

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