Avaliação a fogos será regra, ao da Serra da Estrela avança já

Causas e métodos de combate a incêndios estudados envolvendo todas as forças no terreno e centros de investigação. Esperando resultados "independentes, rigorosos e cientificamente validados", José Luís Carneiro quer melhorar intervenção.

A avaliação aos maiores fogos do ano avança assim que o incêndio na Serra da Estrela estiver extinto. A garantia foi dada pelo ministro da Administração Interna: "A senhora secretária de Estado da Proteção Civil tem o despacho preparado para, mal seja dado como extinto, se proceder à avaliação das causas estruturais e do método de combate aos maiores incêndios deste ano", explica José Luís Carneiro, que refere que a avaliação não é algo novo, mas "o desenvolvimento de uma prática adotada desde 2017 e que tem vindo a ser desenvolvida por iniciativa da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil e da AGIF [Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais], que tem a responsabilidade de supervisão destas matérias".

Dados do MAI indicam que 90% dos fogos este ano têm sido dominados até aos 90 minutos e não queimam mais de 1 hectare. A avaliação com vista a melhorias é aposta do ministro, quer a nível do conhecimento quer da cooperação e coordenação entre os atores que integram o dispositivo nacional de Proteção Civil. Para isso, antecipa a constituição de "uma equipa de avaliação com caráter regular e sistemático, composta por todas as entidades envolvidas no dispositivo nacional e centros de investigação e conhecimento, em articulação com o Ministério da Ciência e Ensino Superior". Passada a época dos fogos, haverá um Fórum Europeu para partilha das boas práticas no esforço de adaptação às alterações climáticas para prevenção e combate aos incêndios rurais.

"Estas decisões, que têm alguns contornos que têm vindo a ser maturados ao longo dos últimos meses, devem ser vistas como o desenvolvimento e aprofundamento de uma cultura de aprendizagem, que deve ser regular e sistemática", defende José Luís Carneiro. "É importante que possamos aprender com as experiências, com aquilo que corre bem e com aquilo que corre menos bem", afirmou o responsável, indicando que já na terça-feira haverá uma reunião nesse sentido.

"O que se está a falar é de desenvolvermos e aprofundarmos uma metodologia de estudo e de avaliação que foi lançada em 2017 ao conjunto de centros de conhecimento e de investigação do país tendo em vista avaliar, sobretudo, esses 10% de incêndios que ultrapassaram os 90 minutos", afirmou José Luís Carneiro, que falava no Peso da Régua, após uma homenagem pela câmara aos bombeiros do concelho.

Este ano, segundo a tutela, foram registados cerca de 7 mil fogos e detidos 119 suspeitos do crime de incêndio florestal. Outras "investigações estão em curso" e poderão vir a "culminar noutras detenções".

Também este domingo o presidente da ANEPC garantiu que o Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP) não tem falhas, mas admitiu períodos pontuais de excesso de uso. "Tem de haver uma disciplina muito grande relativamente à questão da utilização dos meios do SIRESP. O sistema, em si, não tem falhas", afirmou Duarte da Costa, questionado sobre eventuais falhas na Serra da Estrela, no maior fogo desde Pedrógão.

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