Astronauta partilhou sonho de "fazer crescer plantas no espaço" a alunos

O auditório do Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa, encheu-se ontem com 220 alunos e professores para a ligação em direto com o astronauta francês Thomas Pesquet, em missão na Estação Espacial Internacional até maio

De Portugal, Irlanda e Roménia para a Estação Espacial Internacional: "Hello Thomas!". À segunda tentativa de estabelecer uma ligação direta com a Estação Espacial Internacionaln(ISS), o astronauta francês Thomas Pesquet apareceu na imagem, pelas 15.35 de Lisboa, calçado apenas com umas meias e a flutuar, como nos filmes, com o microfone a saltar sem esforço de uma mão para outra. No Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa, 220 alunos do 10ºano, de nove escolas do país, receberam a imagem a partir do interior da ISS com espanto e euforia de captar o momento nos telemóveis, enquanto os seus colegas irlandeses e romenos faziam o mesmo (e todos se viam uns aos outros no grande ecrã).

Em órbita, 400 quilómetros acima da superfície terrestre, na linha do Oceano Pacífico, Thomas Pesquet saudou portugueses, romenos e irlandeses, em inglês: "Olá. É um prazer estar convosco a partir da ISS. Estou feliz por termos vários países hoje". De seguida, respondeu á curiosidade dos professores de Ciência que lhe colocaram questões, enquanto todos observavam um pouco do interior da ISS, que é a sua casa desde o dia 17 de novembro.

Vítor Fernandes, professor de Ciência de Computadores na Escola Secundária do Forte da Casa, quis saber se os astronautas da Estação Espacial Internacional iriam conseguir ser autosuficientes. "Ainda estamos a ser abastecidos da Terra de comida e oxigénio. Mas estamos a tentar ser autosuficientes e reciclar ao máximo. Com o Sistema Alternativo de Apoio à Vida Micro-Ecológica da ESA (Projeto Melissa), criámos um ecossistema fechado que recicla resíduos em alimentos, oxigénio e água. Um dia vamos conseguir criar esse ambiente completamente fechado no espaço. Vamos fazer crescer plantas no espaço", vaticinou o astronauta, para gáudio dos alunos de 15 e 16 anos que o estavam a ouvir.

Francisco, 15 anos, de uma turma de Ciências e Biologia da Escola Secundária Sebastião e Silva, de Oeiras, era um dos estudantes no auditório do Pavilhão do Conhecimento. "Eu gostava de ir ao espaço mas ficar seis meses no espaço não é para mim", admitia o rapaz ao DN, deixando bem claro que não invejava a vida de Thomas Pesquet, que entrou em missão na ISS no dia 17 de novembro de 2016 e ali vai ficar até maio deste ano. Francisco sonha em tirar o curso de Engenharia mas ainda não decidiu em que ramo. Não será o ramo Aeroespacial, certamente, mesmo depois de o jovem ter ouvido Cátia Cardoso, do programa ESERO (da agência espacial europeia ou ESA) explicar que a ISS se desloca a uma velocidade média de 28.000 km/hora e faz 16 órbitas por dia, o que equivale a 16 vezes o nascer do sol e a 16 vezes o pôr do sol, todos os dias. É esta a rotina científica do astronauta francês, que ainda respondeu a mais uma pergunta de Portugal. O professor César Marques, da Escola Profissional de Almada, perguntou a Thomas como testava a água e a sua possível contaminação bacteriana na ISS. "Recolhemos amostras de água e temos um kit de deteção de bactérias. Estamos a testar uma forma mais rápida de obter os resultados" , explicou Thomas, acrescentando que esse método de deteção bacteriana "é para termos a vida mais simples aqui mas também para ser usado em vários países onde aconteçam contaminações da água".

Recorde-se, a propósito, que os investigadores da NASA descobriram há mais de um ano a existência de bactérias oportunistas na ISS, que em Terra seriam inofensivas mas no ambiente artificial de uma nave espacial podem criar vários problemas de saúde como irritações cutâneas, alergias ou inflamações. Pedro Silva, 16 anos, aluno do 10º ano do curso de Mecânica da Escola Profissional de Almada, membro do Clube de Robótica, estava fascinado com a ligação em direto à ISS mas de uma forma mais terrena. "A minha área de mecânica é mais a automóvel e não a espacial", justificou, como quem não se imagina a bordo da Estação Espacial Internacional.

No interior da ISS, Thomas Pesquet terá, até maio, o quotidiano bem preenchido com experiências de biologia, estudos sobre o impacto da luz no crescimento das plantas, o tempo e a radiação solar e até o impacto da missão no cérebro e a resposta do sistema imunitário , como explicou Cátia Cardoso à assistência momentos antes de o astronauta entrar em direto.

Thomas concluiu assim a sua intervenção futurista: "Estamos a fazer um estudo sobre o impacto da mudança da nossa visão durante e após o voo. Poderá ter aplicações na melhoria da falta de visão em Terra".

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