Apoio à pesca do atum chega de todos os continentes

Dezasseis países assinam declaração em defesa da pesca de atum de salto e vara. Nos Açores a atividade gera por ano 66 milhões

Da ilha do Faial, nos Açores, é lançado um manifesto subscrito por entidades de 16 países, onde a pesca de atum de salto e vara garante a subsistência de muitas comunidades e até de economias regionais.

Apelam, através de uma Declaração de Apoio, que será remetida à Comissão Europeia e a várias entidades internacionais, a uma maior valorização de uma técnica altamente seletiva e sustentável, onde a captura do peixe é feita "um a um" com recurso a uma vara Um tipo de pescaria que tem encontrado nas frotas altamente industrializada grande ameaça em termos de sustentabilidade, não só por via da exploração massiva e pouco seletiva dos recursos, como do impacto ao nível da deterioração do preço com que o atum chega aos mercados.

Preocupações que nortearam a organização da I Conferência Mundial de Salto e Vara, realizada na Horta, e que reuniu cerca de 200 participantes de vários cantos do mundo Tratou-se de uma iniciativa do Governo dos Açores, através da secretaria regional do Mar, Ciência e Tecnologia, em parceria com a Internacional Pole&Line Foundation, com propósito de mobilizar apoios e concertar estratégias que permitam assegurar a sustentabilidade das pescarias de atum com salto e vara, numa altura em que, a nível global, estão a diminuir as capturas com recurso a esta técnica artesanal.

"Para reverter esse cenário, não bastam só políticas ambientais. É preciso influenciar decisores a nível global, por exemplo, em termos de gestão dos oceanos. Não é tarefa fácil, mas o trabalho tem de ser feito porque existem comunidades que não têm alternativa de subsistência", alertou Adam Bask, diretor da Política e Promoção da IPNLF.

Numa primeira fase, a estratégia terá de passar por incrementar o reconhecimento das características próprias e valorativas da pescaria de atum com salto e vara, garantindo "uma posição válida nos mercados globais", como refere a Declaração dos Açores, documento onde também se reconhece que, apesar de ser uma atividade com "elevados critérios ambientais e sociais, os constrangimentos económicos e os desafios geográficos limitam, por vezes, o seu envolvimento nos processos de certificação ou em projetos de melhoria".

Um documento que pretende ser uma espécie de código de conduta em termos de boas práticas, subscrito por líderes governamentais, armadores, pescadores, associações do setor, comerciantes, indústria, investigadores e membros de organizações não-governamentais oriundos de países como Cabo Verde, Senegal, África do Sul, Japão, Indonésia, Maldivas, Espanha, Alemanha, Itália, Reino Unido, Estados Unidos da América, França, Alemanha, Espanha, Canadá, Moçambique e Portugal.

"Conhecendo-nos uns aos outros e sabendo dos problemas e soluções que cada um, no seu canto do mundo, detém, podemos certamente avançar para a definição de uma estratégia conjunta que nos permitirá chegar a uma ação ampla e eficiente que nos permita perspetivar um futuro salutar para as nossas pescarias de atum one-by-one", desafiava o diretor regional do Mar, Luís Rodrigues na sessão de encerramento da conferência.

Refira-se, a propósito, que as entidades que subscrevem a Declaração dos Açores de apoio à pesca de atum de salto e vara comprometem-se a "conferir maior visibilidade a esta pesca junto dos decisores relevantes, através de circuitos de abastecimento e dos consumidores, para garantir que esta pesca prospere ao longo das próximas gerações".

No caso dos Açores, a pesca do atum emprega cerca de 900 trabalhadores e labora por ano cerca de 20 mil toneladas de pescado, numa indústria que gera, anualmente, cerca de 66 milhões de euros.

Luísa Couto, Açoriano Oriental

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