Um ministro desautorizado em público. E a descoberta de que um ex-primeiro ministro podia fugir

A semana fica marcada pela humilhação do ministro Pedro Nuno Santos que foi obrigado a voltar atrás no anúncio sobre o futuro do aeroporto de Lisboa e as futuras aerogares. Foi desautorizado, mas não se demitiu nem foi demitido. E isso fragilizou-o, provavelmente até na "luta" interna para suceder a Costa.

Carlos Ferro

SÁBADO

Sporting ganha no futsal com proeza inédita

© Tiago Petinga/LUSA


Três jogos, três vitórias e um bicampeonato garantido. Com uma vitória por 4-3, o Sporting garantiu o 17.º título de campeão de futsal, o segundo consecutivo, e consegue uma proeza inédita em Portugal: conquista o título vencendo todos os jogos do play-off - 5-4, 4-3 e 4-3 - contra o Benfica. Destaque merece também o percurso do treinador Nuno Dias, que comanda a equipa desde a temporada de 2012/2013: 25 títulos (sete campeonatos nacionais em nove possíveis, uma vez que na época de 2019/2020 não houve campeão devido à covid-19, seis Taças de Portugal, seis Supertaças, quatro Taças da Liga e duas Ligas dos Campeões).

DOMINGO

Oceanos. O pedido de desculpas de Guterres aos jovens

© EPA/RODRIGO ANTUNES

Na véspera do início da Cimeira dos Oceanos, o secretário-geral das Nações Unidos fez um mea culpa por uma geração inteira. Num discurso no encerramento do Fórum da Juventude e Inovação da Conferência dos Oceanos da ONU 2022, em de Carcavelos (Cascais), António Guterres admitiu que a sua geração foi responsável politicamente pela degradação das condições dos oceanos, por ter sido lenta ou mesmo "sem vontade de reconhecer que as condições se estavam a deteriorar no mar". Por isso pediu desculpas, "em nome da minha geração, à vossa geração, relativamente ao estado do oceano, ao estado da biodiversidade e ao estado das alterações climáticas".

SEGUNDA-FEIRA

Líderes continuam a prometer apoio à Ucrânia

© EPA/CLEMENS BILAN / POOL

O ataque a um centro comercial, na cidade de Kremenchuk - que a Rússia disse estar vazio, ao mesmo tempo que a Ucrânia garantia estarem no interior cerca de mil pessoas -, num dia em que estava reunido o G7 (Estados Unidos, Alemanha, França, Reino Unido, Japão, Canadá e Itália, além de representação da União Europeia), acabou por aumentar as declarações de apoio ao governo ucraniano, com os líderes do G7 a comprometerem-se a "continuar a fornecer" apoio financeiro, humanitário, militar e diplomático à Ucrânia enquanto for necessário, mantendo assim viva a esperança de derrotar a Rússia.

TERÇA-FEIRA

Turquia surpreende e retira veto à Finlândia e à Suécia

© GABRIEL BOUYS / AFP

Após várias declarações a garantir que iria vetar a entrada da Suécia e da Finlândia na NATO devido ao facto de - segundo o presidente turco, Tayyip Erdogan - estes países apoiarem ou abrigarem elementos que são considerados terroristas que ameaçam a segurança da Turquia, o país mudou de posição e aceitou o pedido de suecos e finlandeses para se candidatarem à Aliança Atlântica. Ficará assim a NATO mais próxima das fronteiras da Rússia, que tem uma fronteira terrestre de 1340 quilómetros com a Finlândia e uma fronteira marítima com a Suécia. Ficou por conhecer - o presidente turco falou em extradição de pessoas para a Turquia, mas o acordo assinado não foi conhecido - o que vão estes países ter de conceder à Turquia por este apoio de última hora.

QUARTA-FEIRA

Na falta de um aeroporto, Lisboa ia ter três...

© Direitos Reservados

Uma discussão com 50 anos sobre a localização do novo aeroporto de Lisboa teve mais uma decisão: avançar com a construção do aeroporto no Montijo (para estar em atividade em 2026 e funcionar como complementar ao de Lisboa) e com o de Alcochete, que ficaria concluído em 2035, data em que o Aeroporto Humberto Delgado (Lisboa) seria desativado. Solução anunciada pelo Ministério das Infraestruturas e Habitação que durante todo o dia foi sendo criticada por várias associações e partidos. Pelo meio ficou-se a saber que nem o futuro líder do PSD, Luís Montenegro, nem o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, tinham sido informados da decisão. O que contrariava uma garantia dada pelo primeiro-ministro, António Costa - que estava em Madrid na Cimeira da NATO -, recentemente, quando defendeu a necessidade de um consenso sobre este tema.

QUINTA-FEIRA

O dia em que um ministro foi humilhado por António Costa

© PAULO SPRANGER/ Global Imagens

Quando se fizer a história dos primeiros meses do XXIII Governo, além da crise na saúde, vai haver certamente um "capítulo" especial para a novela aeroporto de Lisboa, mas desta vez centrada no ministro Pedro Nuno Santos. O responsável pela pasta das Infraestruturas e Habitação começou o dia a ser desautorizado pelo primeiro-ministro, que desde Madrid mandou revogar um despacho do dia anterior sobre o tema, faltou ao Conselho de Ministros do dia e foi a São Bento falar com António Costa. Todos esperavam a demissão, mas acabou por vir sozinho junto a um microfone pedir desculpa por ter anunciado uma solução para a aerogare sem ter avisado a oposição e o Presidente da República. Apesar da contestação, do assumir de culpas sozinho, da desautorização, Pedro Nuno Santos manteve-se no governo. Para o futuro fica a incógnita sobre qual a sua "força" no governo e as razões para Costa o manter...

SEXTA-FEIRA

Doze anos depois "descobre-se" que Sócrates pode fugir

© PAULO SPRANGER/ Global Imagens

José Sócrates está sob os olhares da justiça desde 2013, no âmbito do processo conhecido como Operação Marquês, tendo sido acusado em 2017 de 31 crimes. Desde essa altura, o processo e os seus sucedâneos arrastam-se entre decisões e recursos. Sócrates, que tem mantido um litígio mediático com quase todos os envolvidos em representação do Ministério Público, tem feito a sua vida normal e com entendimentos diferentes de decisões judiciais, como é o caso do termo de identidade e residência, que, dizia, não lhe era aplicado. Agora, depois de uma ação do MP devido às suas ausências no Brasil sem dar disso conhecimento ao tribunal, foi decidido que tem de se apresentar quinzenalmente à GNR da área de residência. Uma medida que visa acautelar o perigo de fuga. A sério? E só descobriram isso agora, 12 anos depois do início do processo e após inúmeras intervenções públicas no Brasil?