Governo e IPMA alertam: "Vamos entrar na terceira onda de calor"

O ministro da Administração Interna esteve reunido com o Instituto do Mar e da Atmosfera e do final do encontro saiu uma certeza: os próximos dias serão difíceis no que diz respeito aos incêndios.

DN
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 | foto JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA
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A partir de dia 20, sábado, Portugal entra naquela que será a terceira onda de calor deste verão. O alerta foi feito pelo Governo e pelo Instituto do Mar e da Atmosfera no final de um encontro que aconteceu na manhã desta quarta-feira.

""O perigo de incêndio rural em Portugal está ainda a meio da campanha, passámos uma onda de calor de grande intensidade e que chegou a temperaturas que quase rondaram os cinquenta graus, passámos uma segunda onda com menos intensidade, mas mesmo assim com grande impacto e vamos passar uma terceira onda de calor provavelmente dentro de dias", realçou Jorge Miguel Miranda, presidente do IPMA, apontando para dia 20, o seu início. Salientou ainda que o mês de setembro será mais quente e mais seco que o habitual. "Temos mais um mês e meio pela frente para ultrapassar", disse.

Jorge Miguel Miranda acrescentou que "as previsões não são positivas" em termos de precipitação e que provavelmente "setembro será um pouco mais seco e um pouco mais quente" como têm sido os meses anteriores.

O alerta foi reforçado pelo ministro da Administração Interna, José Luís Carneiro, que realçou que a onda de calor se vai prolongar por setembro, "que será 50 e 60% mais quente e 40 a 50% mais seco" do que em anos anteriores.

O ministro esclareceu que não se pode dizer que a próxima onda de calor será mais grave que as anteriores e que a mais crítica terá sido a do mês de julho.

No entanto, defendeu que o prolongamento das ondas de calor é um fator de risco no que respeita aos incêndios e que o esforço de toda a comunidade é "absolutamente indispensável".

© JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

No que diz respeito ao incêndio na serra da Estrela, José Luís Carneiro sublinhou que todos os meios disponíveis têm estado no terreno. "Ouvimos aqui uma informação muito importante da parte do IPMA: efetivamente, na serra da Estrela, estão reunidas todas as variáveis de maior complexidade", disse o ministro, referindo-se "às temperaturas, à orografia e à complexidade dos ventos".

Variáveis, continuou, que ajudam a explicar a "razão de ser de, por vezes, ser difícil de compreender como é que, permanentemente, há aqueles reacendimentos na serra da Estrela". "Há fatores técnicos que ajudam a explicar o que efetivamente se tem vindo a passar", afirmou.

O governante disse ainda que as causas dos reacendimentos no incêndio da serra da Estrela estão a ser investigadas. Afirmou que as autoridades estão a desenvolver as investigações não só na serra da Estrela mas noutras regiões do país, sublinhando que tem "havido eficácia no combate ao fogo posto".

"Existem fogos que são praticamente não combatíveis", afirmou Jorge Miguel Miranda, presidente do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA). "A Serra da Estrela não é uma zona qualquer do país, é a mais montanhosa e com as escarpas mais significativas, à exceção da Madeira", facto que dificulta o combate, destacou.

"Cada incêndio é um incêndio. A ciência tenta sempre desenvolver meios para saber como vai ser combatido, mas tenhamos todos sentido das proporções. O nosso país é frágil perante o desenvolvimento de um incêndio rural", acrescentou, referindo que os meios são finitos.

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"Ou temos uma capacidade de solidariedade entre organizações, pessoas, aldeias, vilas que permita sermos capazes de passar este período que se avizinha ou vamos ter situações que poderão ser de maior complexidade do que as que tivemos até agora. Estamos a viver um momento muito complicado da história climática da Terra", concluiu o presidente do IPMA.

Jorge Miguel Miranda disse ainda que, depois do que tem acontecido na Europa do Norte, em França, Espanha e em Portugal, é possível perceber que "a mudança climática é o fator determinante" e que aparece sob duas formas "que se pioram uma a outra": seca prolongada - "estamos numa situação de seca histórica" - e fenómenos de onda de calor e de "onda de vento".

"Isto leva a que as situações sejam tremendamente difíceis de controlar", afirmou.