Consulte as listas. Colocados 49 452 no superior, o segundo valor mais alto de sempre

Após resultado histórico do ano passado, o número de colocados na 1.ª fase cai 3%, com 77% a garantirem um lugar. Instituições dizem ser chegada a altura de analisar o acesso.

Joana Amorim
© João Paulo Coutinho / Arquivo

Depois da excecionalidade do ano passado, com o maior número de sempre de colocados na primeira fase do concurso de acesso, foram admitidos, agora, ao Ensino Superior 49 452 novos estudantes. Uma quebra de 3% face a 2020, mas, mesmo assim, o segundo valor mais elevado desde 1989. A que não é alheia a procura, mas também o facto de haver mais alunos a candidatarem-se com notas baixas. Para universidades e politécnicos, volvidos quase dois anos de pandemia, é chegado o tempo de discutir o acesso.

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Isso mesmo confirma, ao DN/JN, o ministro do Ensino Superior. Se, por um lado, há um "aumento relativo das colocações em formações de maior incidência de estudantes com notas mais elevadas", por outro "há mais estudantes com notas inferiores a candidatarem-se, sobretudo em Lisboa e Porto", diz Manuel Heitor. Estas instituições registaram uma quebra de 7% no número de colocados face a 2020. Mesmo assim, "o importante é que há mais alunos a concorrem ao Ensino Superior".

Nesta primeira fase de acesso, candidataram-se 64 004 alunos (mais 2%, ao nível mais alto dos últimos 26 anos) a um total de 55 307 vagas (menos 1%, sobretudo em Lisboa e no Porto), com 77,3% a garantirem um lugar no Superior, contra 81,5% no ano passado, sendo o valor mais baixo, pelo menos, desde 2008. Em linha com o verificado em 2020, metade dos estudantes ficou colocado na primeira opção e 20% na segunda.

Já os cursos com maior concentração de melhores alunos viram o número de colocados subir 7%, para os 4893, sublinha o Ministério da Ciência e Ensino Superior em comunicado. Com Engenharias e Medicina no topo das médias, em linha com anos anteriores.

E se, no ano passado, todos saíram vencedores, os resultados hoje conhecidos mostram que apenas as instituições localizadas em zonas de menor pressão demográfica ganharam (muito pouco) mais estudantes, com um quarto do total. Analisando sistemas de ensino, as universidades absorvem 61% dos colocados (menos 2%) e os politécnicos o remanescente (menos 4%).

"Discutir" modelo de acesso

"Vamos ter que perceber se esta é a realidade do Ensino Superior. Há dois anos consecutivos que os alunos apenas tiveram que fazer exames nacionais às disciplinas necessárias para ingresso nas licenciaturas. A minha perceção é que se voltarmos àquilo que era na pré-pandemia, com exames a todas as disciplinas, o número de candidatos vai ter que diminuir", comenta, ao DN/JN, o presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos. Razão pela qual Pedro Dominguinhos entende ser "uma discussão importante a fazer no Conselho Nacional de Acesso".

Saudando o aumento da procura - "porque todos devem ter acesso ao Superior" -, o presidente do Conselho de Reitores das Universidades faz um "balanço positivo" dos resultados. "Vamos ter que aguardar por um estudo mais fino, mas a explicação mais simples é que terá havido muitos estudan tes que concorreram a cursos para os quais não tinham condições de acesso", afirma António de Sousa Pereira. Movimento que, "acredita, será corrigido na segunda fase". O modelo de acesso "é uma discussão que tem que se fazer, com serenidade, porque, se calhar, será necessário fazer ajustes".

jamorim@jn.pt