25 assaltos, perseguições, tiros e uma inspetora da PJ atropelada

Os cinco homens detidos pela PJ usavam de grande violência nos seus crimes que se intensificaram desde dezembro passado. Carjacking, homejacking, assaltos a lojas, dezenas de vítimas em poucos meses - a representar cerca de 70% dos total de roubos com arma de fogo

Valentina Marcelino
© Jorge Firmino / Global Imagens

"A frequência dos crimes chegou a ser avassaladora", classificou o coordenador da Polícia Judiciária (PJ) Pedro Maia, responsável pela grande operação que, nesta quinta-feira, levou à detenção de cinco homens, três estrangeiros e dois portugueses, com idades entre os 25 e os 41 de idade.

A PJ relaciona-os com 25 assaltos em Lisboa, Loures, Odivelas, Amadora e Setúbal, a maioria nos últimos dois meses, que representam cerca de 70% do total de roubos à mão armadas registados nos últimos meses, segundo avançou ao DN fonte policial.

Estão indiciados pela suspeita de crimes de roubo agravado, com ameaça de armas de fogo, um homicídio qualificado, na forma tentada e diversos crimes de detenção e uso de arma proibida.

Presentes a juiz,. ficaram todos em prisão preventiva.

O momento da captura foi de alto risco e envolveu grande tensão, principalmente depois de dois dos suspeitos terem tentado fugir no carro e atropelado uma inspetora da PJ (foi assistida no hospital e está recuperada) e terem sido disparados pelos polícias tiros de aviso para o ar e para a viatura dos assaltantes.

Segundo este responsável o grupo estará envolvido em múltiplos roubos violentos, como homejacking, carjacking , assaltos a ourivesarias, pastelarias, casas de câmbio, lojas de lotarias. "Dezenas de inquéritos e, consequentemente, dezenas de vítimas", sublinhou.

O ponto final da ação criminosa - ou o "Game Over", como chamou a PJ a esta operação - aconteceu logo após um derradeiro assalto no centro de Lisboa, junto à rua Pascoal de Melo, a uma loja de crédito, em pleno dia (pouco depois do meio dia).

Contou Pedro Maia, em conferência de Imprensa esta manhã na sede da Judiciária, que depois de terem tido conhecimento, praticamente em tempo real, do roubo, "foi decidido fazer uma perseguição à vista da equipa de seguimento e esperar o melhor momento para a abordagem em espaço aberto com a mínima hipótese de reação dos suspeitos".

Cerca de 30 operacionais estavam no terreno direta (nas viaturas da polícia) ou indiretamente (através da monitorização por meios tecnológicos) e percorreram cerca de cinco quilómetros no encalce dos assaltantes que viajavam em três automóveis e atravessaram a cidade até a avenida Padre Cruz em Benfica, onde os suspeitos foram travados e detidos.

"Tinham na sua posse o produto do roubo que haviam concretizado minutos antes, bem como uma arma de fogo, carregada e municiada, diversos artefactos próprios para a consumação dos crimes de roubos, designadamente, luvas, gorros e artigos de vestuário já utilizados em circunstâncias criminosas anteriores", escreve a PJ em comunicado.

Pedro Maia recordou que apesar de serem suspeitos de crimes decorridos desde o segundo semestre de 2021, foi "principalmente desde novembro passado que o grupo ganhou um novo ímpeto agressivo e uma frequência de crimes que chegou a ser avassaladora, com assaltos dia sim, dia não e em alguns dias, mais que um no mesmo dia".

"Esperamos que estas detenções sirvam para dar alguma tranquilidade à nossa comunidade alarmada por causa destes crimes violentos", salientou Pedro Maia.

Na investigação esteve envolvida a Unidade de Prevenção e Apoio Técnico (UPAT), com escutas e equipas de vigilância e seguimento no terreno.

Na passado dia 18, o grupo assaltou uma ourivesaria na Damaia, um momento filmado e já divulgado. que resultou na agressão da proprietária de 84 anos, quando esta tentava resistir. Estava na loja com a irmã.

Outros exemplos de crimes em que, segundo a PJ, o grupo foi protagonista, foram noticiados pelo Correio da Manhã, como o assalto com tomada de reféns a uma loja de câmbio em Setúbal, onde amarraram três pessoas; o homejacking a uma habitação em Ramada / Odivelas, onde estavam dois homens de 79 e 65 anos; e o assalto a uma pastelaria em Marvila.

Segundo este responsável, estes suspeitos têm antecedentes criminais e alguma já tinham mesmo sido antes condenados pela prática de crimes semelhantes, incluindo os estrangeiros no país de origem

Diz a PJ que decorrem ainda diligências para a recuperação de objetos, artigos de joalharia, quantias monetárias que tenham resultado da atividade criminosa deste grupo violento, bem como para obtenção de outras notícias de crimes eventualmente levados a efeito pelo grupo agora detido.