Alemanha avisa que tempo para salvar o planeta está a esgotar-se

A ministra do Ambiente alemã lembra os avisos à humanidade apresentados no relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU. França considera um "desafio imenso" reduzir gases com efeitos de estufa.

O governo alemão disse esta segunda-feira que "o tempo para a salvar o planeta está a esgotar-se", alertando para os avisos à humanidade apresentados no relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU.

"O relatório do IPCC apresentado hoje lembra, mais uma vez, que o tempo para a salvação do planeta, tal como o conhecemos, está a esgotar-se", disse a ministra do Ambiente alemã, Svenja Schulze, em comunicado.

O relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) estima que o limiar do aquecimento global (de +1,5° centígrados) em comparação com o da era pré-industrial vai ser atingido em 2030, 10 anos antes do que tinha sido projetado anteriormente, "ameaçando a humanidade com novos desastres sem precedentes".

Entretanto, o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que o relatório é um "alerta vermelho" que deve fazer soar os alarmes sobre as energias fósseis que "destroem o planeta". O secretário-geral da ONU pede que nenhuma central de carvão seja construída depois 2021.

"Os países também devem acabar com novas explorações e produção de combustíveis fósseis, transferindo os recursos dos combustíveis (fósseis) para a energia renovável", acrescentou o secretário-geral da ONU, em comunicado.

O Reino Unido considera igualmente o relatório da ONU sobre o clima "um aviso muito sério" sobre o impacto da atividade humana no planeta e apela à ação.

O documento é divulgado antes da conferência sobre o clima (COP26), agendada para novembro em Glasgow, Escócia, e envolve 195 países.

De acordo com os especialistas da ONU, os "humanos são indiscutivelmente responsáveis" pelas alterações climáticas e não há outra alternativa senão a redução dos gases de efeito de estufa.

"Eu espero que o relatório do IPCC (...) venha a constituir um sinal de alarme para que o mundo tome medidas agora, antes de nos reunirmos em Glasgow, em novembro, numa cimeira que é crucial (COP26)", disse hoje o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, através de um comunicado.

No mesmo sentido, a Comissão Europeia indica que o relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas "mostra a imensa urgência" de lidar com a crise climática, observando que ainda "não é demasiado tarde".

"O relatório do clima do IPCC mostra a imensa urgência de agir agora para enfrentar a crise climática. Não é demasiado tarde para travar a maré e evitar uma mudança climática desenfreada, mas apenas se agirmos de forma decisiva agora e todos atuarem em conjunto", comentou o vice-presidente executivo responsável pelo Pacto Ecológico europeu, Frans Timmermans.

Paris alerta para "desafio imenso" de reduzir gases com efeitos de estufa

A França alertou entretanto para a necessidade de reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, considerando ser um "desafio imenso" que implica sair de uma "civilização baseada em combustíveis fósseis" dentro de uma década.

"O desafio é imenso porque implica afastar-se, numa década, de uma civilização baseada em combustíveis fósseis durante vários séculos", disse a ministra da Transição Ecológica, Barbara Pompili, numa reação ao relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC, na sigla em inglês).

No sexto relatório do IPCC, divulgado hoje, os cientistas preveem que a temperatura global subirá 2,7 graus Celsius em 2100, se se mantiver o atual ritmo de emissões de gases com efeito de estufa.

Os cientistas alertaram também que os efeitos do aquecimento global vão perdurar "séculos ou milénios" e resultam inequivocamente de responsabilidade humana.

Perante a ameaça do aquecimento global, "a linha é clara: aplicar o Acordo de Paris na íntegra e em todo o lado. Tanto para reduzir as emissões globais de gases com efeito de estufa como para se adaptar a eventos climáticos cada vez mais extremos", disse Barbara Pompili numa declaração, citada pela agência France-Presse.

A ministra francesa reconheceu o trabalho dos peritos da ONU como "uma pedra angular científica" sobre a qual se devem basear as políticas climáticas dos governos.

Numa outra reação ao relatório do IPCC, o ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Yves Le Drian, apelou para que todos os Estados que ainda não o fizeram aumentem os seus compromissos climáticos.

Este relatório "lembra-nos, mais uma vez com razão, da real urgência de tomar todas as medidas necessárias à plena implementação do acordo de Paris, que é a bússola para todos nós, Estados, autoridades locais, sociedade civil, empresas e ONG, para limitar o aquecimento global e as suas consequências", acrescentou.

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