Acertar ano civil com o sol resultou nos anos bissextos

Decisão foi do imperador romano Júlio César. Desde 58 a.C. que existe a mudança no calendário e que é sinónimo de sorte ou azar

É preciso recuar até ao ano 58 a.C. para se perceber porque é que fevereiro tem 29 dias. A alteração foi introduzida pelo imperador romano Júlio César como forma de acertar o ano civil com o ano solar. Tantos anos depois, a solução encontrada pelo astrónomo Sosígenes ainda dá muito que falar. Isto porque os anos bissextos estão associados a vários mitos e superstições. Há quem acredite que são anos de grandes catástrofes e sofrimento ou que dá azar casar num ano como este. Mas também há quem defenda que a sorte começa hoje.

A duração da órbita terrestre à volta do Sol não dura exatamente 365 dias. É de 365,24219 dias, o que leva a que em cada ano fiquem a faltar, aproximadamente, seis horas. "Ao fim de quatro anos, temos um dia em falta, pelo que os anos bissextos permitem fazer essa correção", explicou ao DN Rui Agostinho, diretor do Observatório Astronómico de Lisboa. Na década de 50 a.C., quando Júlio César assumiu o poder, já existia um grande desfasamento "do calendário com as estações" do ano, o que o levou a pedir a Sosígenes, da escola de Alexandria, que encontrasse uma solução. E é ele que lhe diz para introduzir os anos bissextos.

O desfasamento era tal que naquele ano foram introduzidos dois meses extra. Só que durante 36 anos, conta Rui Agostinho, esta alteração foi mal interpretada e a aplicação era feita de três em três anos. César Augusto resolveu o problema. Mas surgiu outro. "A correção feita com o ano bissexto criou um excesso que voltou a provocar um desfasamento grande." Isto refletia-se no dia de Páscoa - que deve ocorrer num domingo, no início da primavera e na lua cheia. É então definida uma mudança pelo Papa Gregório XIII, em 1582. Em cada 400 anos, são retirados três anos bissextos, aproveitando-se os centenários para tal. Por exemplo, 2100, 2200 e 2300 não serão bissextos. E assim foi introduzido o calendário gregoriano, que ainda hoje é usado.

Ano especial para a astrologia?

"O ano bissexto não afeta diretamente a astrologia, a não ser nas datas de entrada do Sol nos signos", diz a astróloga Maria Helena. Quem nasce nos dias de transição pode ter dúvidas em relação ao signo, "precisamente porque o Sol não entra nos signos todos os anos à mesma hora. E com este ajuste no calendário pode haver oscilações de um a dois dias no início de cada signo".

Mitos ou superstições

Os anos bissextos estão associados a alguns mitos. Maria Helena explica que "como foge à norma é compreensível que tenha havido sempre um certo receio em relação a eles". Isto porque "as pessoas temem aquilo que não conhecem bem, criando mitos e superstições". Por um lado, "há quem acredite que é um ano de sorte e que tudo o que iniciarmos no dia 29 de fevereiro terá bons resultados".

Segundo a astróloga, os anos bissextos são mais importantes para a numerologia, "que estuda a vibração e a energia dos números", do que para a astrologia. Nesse campo, têm uma "vibração 11", um dos "números mestres". "O ano bissexto é um ano de acerto de contas, de ajuste, de equilíbrio - é isso que as pessoas devem procurar fazer neste ano para tirar o melhor partido da sua energia."

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