Astúrias: A origem do Caminho

À chegada, é colocada a pergunta: qual a razão pela qual percorreu o Caminho de Santiago? Qualquer que seja a resposta, será certamente dada com um sorriso a acompanhar.

Fugir às multidões, entrar em contacto com a natureza e com o nosso lado espiritual, é um objetivo para cada vez mais pessoas. Um objetivo que parece ter um caminho perfeitamente traçado, o Caminho Primitivo. Falamos, naturalmente, de um dos Caminhos de Santiago, que são percorridos há centenas de anos por peregrinos de todo o mundo. Percursos declarados Património da Humanidade, estes Caminhos que levam até Compostela, local onde ainda hoje se encontram os restos mortais de São Tiago, de quem dizem ter sido o discípulo favorito de Jesus, são marcados pela beleza natural dos troços.

Situado nas Astúrias, na costa norte de Espanha, este foi o caminho original, o primeiro a ser percorrido.

O Caminho Primitivo é assim uma espécie de guardião histórico das memórias dos Caminhos de Santiago, lembrando o primeiro dos peregrinos, Afonso II das Astúrias, que percorreu a distância entre a capital do reino das Astúrias -Oviedo/Uviéu e Compostela há mais de 1200 anos. Oviedo/Uviéu, sendo o ponto de partida deste Caminho composto por 13 etapas - sete nas Astúrias e seis na Galiza - é em si mesmo um local a não perder. A catedral de Oviedo/Uviéu merece visita para conhecer melhor a Câmara Santa e a Arca Santa, onde são veneradas relíquias como o Santo Sudário, símbolos da fé cristã que remetem para um tempo em que a Península Ibérica estava dominada pelo Islão.

Pelo caminho, em direção a Compostela, os peregrinos poderão conhecer mais da história e simbolismo deste território, ao longo de 321 quilómetros que permitem alcançar uma paz interior inigualável. Caracterizado por ser um Caminho que atravessa regiões montanhosas e de floresta, o Caminho Primitivo oferece motivos sem igual para quem procura respostas, quando mais não seja, à pergunta feita antes de colocar o carimbo final na Caderneta do Peregrino.

A beleza das paisagens é pontuada por paragens onde a herança cultural é expressiva. São incontornáveis o mosteiro de San Salvador, em Cornellana, ou a vila medieval de Salas, entre muitas outras paragens que mitigam o esforço e enriquecem a alma. O caráter agreste destas regiões montanhosas permitiu guardar muita da ligação à agricultura e aos velhos costumes, algo facilmente comprovado em aldeias como Grandas de Salime, onde as pedras escuras utilizadas na construção das casas são um sinal de que há muita beleza escondida atrás das pedras que se encontra, pelo Caminho.

Esta rota, juntamente com a que corre paralelamente à costa - também nas Astúrias - são as mais confortáveis para caminhar durante os meses mais quentes do ano graças à proximidade do mar e da "componente norte" destas terras. São também escolhidos por aqueles que procuram uma forma mais íntima para evitar os grandes fluxos de peregrinos.

Sendo este o Ano Santo, em 2022 encontra a melhor oportunidade para explorar este itinerário declarado Património Mundial pela UNESCO.

Artigo produzido em colaboração com o Turismo das Astúrias.

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