Vieira da Silva apoiado por instituições de solidariedade

Carta para ministro foi dada a conhecer ao Presidente e ao primeiro-ministro. Instituições e misericórdias prometem intervenção

As instituições de solidariedade e as misericórdias dirigiram uma carta ao ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social - de que deram conhecimento ao Presidente da República e ao primeiro-ministro - "de absoluto respeito, apoio e consideração" por Vieira da Silva, revelou ao DN o padre Lino Maia, presidente da CNIS - Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade.

A carta assinada pelo próprio Lino Maia e por Manuel de Lemos, presidente da União das Misericórdias Portuguesas, sublinha o acompanhamento que Vieira da Silva faz deste setor. O ministro, descreveu Lino Maia ao DN, "conhece muito bem este setor, tem ideias muito claras e faz das instituições de solidariedade um pilar fundamental do Estado social".

O responsável da CNIS notou que Vieira da Silva "não se submete a este setor, apenas aponta políticas e vem acompanhando no sentido de tudo ser feito com persistência, com clareza e com transparência".

O ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social tem estado debaixo de fogo por causa da sua participação na Raríssimas, onde foi vice-presidente da assembleia geral, anterior à sua ida para o governo, e por alegados apoios e "aparentes privilégios" (para usar uma expressão crítica do CDS) dados à associação já como governante. A ex-presidente da Raríssimas, Paula Brito Costa, é acusada de uso indevido de dinheiros.

Criticando a "ofensiva" dirigida contra o ministro, Lino Maia e Manuel de Lemos preferem sublinhar o facto de Vieira da Silva ser "um exímio intérprete daquilo que devem ser tanto as funções de um Estado que se pretende social como do que devem ser as responsabilidades das organizações chamadas a ser parceiras na construção de um devir melhor para todo".

O presidente da CNIS apontou ao DN, "a título pessoal", que, "consciente ou inconscientemente, quis-se macular um homem que está acima de qualquer suspeita".

Estas instituições prometem continuar a intervir para que o caso da Raríssimas não deixe mácula no chamado terceiro setor da economia social. Depois de uma reunião com o Presidente da República, no Porto, a 15 de dezembro, o padre Lino Maia afirmou: "Não vamos parar por aí a nossa intervenção." E justificou com a necessidade de distinguir o trigo do joio. "Há cerca de cinco mil instituições, que já são extremamente fiscalizadas", apontou, e o caso da Raríssimas "não pode ser motivo para dizer que tudo está mal".

Quando da reunião de 15 de dezembro, foi publicada uma nota informativa no site da Presidência da República em que se diz que Marcelo Rebelo de Sousa sublinhou "a ideia de não poder ser feita uma generalização destes casos, pois está convicto de que a grande maioria" das instituições de solidariedade "trabalha de forma séria e dedicada, merecendo a confiança dos portugueses no voluntariado e no trabalho dessas instituições sociais".

Na ocasião, segundo a nota, "o Chefe do Estado destacou a necessidade de complementaridade entre o Estado e o setor social e solidário", cabendo ao primeiro "assegurar um acompanhamento rigoroso e próximo do funcionamento" do segundo, "na qualidade dos serviços prestados" e "no bom e rigoroso uso dos fundos públicos".

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