Universidades privadas recuperam alunos. Inscrições cresceram 7%

Estatísticas mostram que em 2014-2015 entraram no privado 18 721 alunos. Presidente da associação do setor explica recuperação com "qualidade das instituições", que tem vindo a ser reforçada

Mais universitários escolheram o ensino privado no ano letivo 2014--2015. O aumento foi de 6,7%, ou seja, passaram de 17 550 alunos inscritos no 1.º ano, pela primeira vez, em 2013-2014, para 18 721 no ano passado. Esta recuperação inverte uma tendência de quebra que vinha a registar-se desde 2011-2012, quando se iniciou a intervenção da da troika em Portugal.

A explicar esta recuperação está "a qualidade das instituições", acredita João Redondo. O presidente da Associação Portuguesa de Ensino Superior Privado acrescenta que os jovens sabem que "a escolha do ensino privado é uma boa escolha", já que "tem reforçado as suas competências, a sua qualidade, há uma escolha muito dirigida". A juntar às condições do setor, registou-se também "uma recuperação demográfica nesse ano e talvez também haja neste ano e nos próximos dois ou três", admite o também reitor da Universidade Lusíada.

Os dados das estatísticas oficiais, divulgadas recentemente pela Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência, mostram que o ensino superior recebeu mais 498 alunos do que em 2013-2014. No total, em 2014-2015 houve 110 738 caloiros no ensino superior. Destes, apenas 16,9% escolheram o privado, mas ainda assim registou um crescimento. Mais alunos escolheram também o ensino politécnico (frequentado por 36,9%). Com menos procura estão os ensinos público e universitário, com quebras de 0,7% e 1,1%, respetivamente.

Olhando para as opções mais específicas percebe-se que os universitários estreantes preferiram os cursos de especialização tecnológica (os cursos que não conferem grau) do ensino particular. Já no público, menos 617 alunos escolheram estas vias, em relação ao ano anterior. Já no privado estes cursos ganharam 498 alunos.

Para João Redondo esta recuperação não será "circunstancial". "Pela leitura que faço e pelas conversas com as várias instituições do ensino superior privado, acho que há uma procura mais consistente", antecipa, lembrando que existe ainda a aposta nos alunos internacionais que começa também já a ser notada.

Depois de alguns problemas na Justiça que levaram ao encerramento das universidades Moderna e Independente e mais recentemente o caso das equivalências nas licenciaturas da Lusófona, vários foram os esforços das universidades e dos institutos privados para recuperar a confiança dos jovens e das suas famílias. O encerramento de alguns cursos por iniciativa das próprias instituições, a acreditação das formações por parte da agência nacional e uma oferta mais direcionada ajudaram, segundo João Redondo, a recuperar alunos.

"Em cursos com maior consistência há recuperação: Direito, Economia, Gestão. E mesmo a Arquitetura, que teve uma quebra grande, teve uma recuperação interessante", enumera o também reitor da Lusíada. E esses alunos não foram roubados ao ensino público, já que "grande parte dos concursos para estas instituições é feita antes dos concursos nacionais para o ensino estatal". Ou seja, o ensino privado é a primeira opção para a maioria dos estudantes que o frequentam.

Um terço escolhe Ciências Sociais

Os jovens portugueses continuam a fugir de algumas áreas em que o desemprego é mais elevado. No entanto, existem outras áreas em que apesar de as perspetivas de trabalho não serem as melhores continuam a reunir a maioria das preferências. Ciências Sociais, Comércio e Direito é a área que tem mais alunos de 1.º ano inscritos - 39 376 (35,6%, do total de inscritos). Isto acontece porque são também as áreas que têm mais vagas e algumas das médias de acesso mais baixas, mas também porque estão incluídos aqui cursos tradicionais como Direito, Economia ou Gestão. Onde também cresceram os inscritos foi nas áreas de Engenharia, Indústrias Transformadoras e Construção e Saúde e Proteção Social. As escolhas para estas três grandes áreas representam 65% do total.

Menos procura tiveram áreas mais difíceis como Ciência, Matemática e Informática ou uma das com maior desemprego: Educação. A opção com menos inscritos foi Agricultura (1853), mas ainda assim tem vindo a ser mais procurada.

Juntando todos os alunos do ensino superior, Portugal tinha, em 2014-2015, 358 450 alunos. Menos 12 546 do que no ano letivo anterior. Mais de 80% estavam no ensino público. O privado tinha um total de 59 368 estudantes. As mulheres continuam a ser mais de metade dos alunos (190 516). A maioria está também a frequentar licenciaturas.

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