Risco político: "Forte probabilidade de novas eleições" este ano

Incerteza política na Europa vista como mais prejudicial a Portugal do que a solução de governo PS com apoio o BE e no PCP

Portugal revela "uma forte probabilidade de se realizarem novas eleições" este ano por causa das potenciais "fortes divergências" entre os partidos que apoiam o governo de António Costa, indica um relatório sobre risco político elaborado para o Fórum de Davos.

Contudo, "mais do que a questão portuguesa é a incerteza" quanto aos outros países: "Estamos altamente dependentes da situação na Europa, onde a tendência aponta para um quadro em que "partidos minoritários passam a ter uma forte preponderância" nas decisões dos respetivos governos, explicou ao DN o autor do capítulo sobre Portugal.

Veja aqui o relatório global.

Fernando Chaves, especialista da consultora Marsh, indicou que a situação política global é vista como "o principal risco" identificado no relatório onde se analisam os principais riscos (políticos, económicos, financeiros, sociais, ambientais) que o mundo enfrenta em 2016.

Numa escala de zero a 100, em que 70 representa o limite inferior do intervalo de estabilidade, o risco de Portugal está nos 69.40. Para isso contribui a "elevada taxa de desemprego e o clima de instabilidade do novo governo minoritário", precisou Fernando Chaves.

Responsável pelas áreas de novo negócio, crédito e risco político, o especialista da Marsh admitiu que "a possibilidade de haver fortes divergências entre os partidos" da esquerda parlamentar - PS, BE, PCP e Verdes - justifica o aumento do risco político face a 2015.

"Há incerteza porque essa solução está fora das tendências habituais, do Bloco Central e do chamado arco da governação" onde se inclui o CDS, adiantou Fernando Chaves.

Em termos de risco político, Portugal apresenta uma pontuação de 66.90 no curto prazo e 83.80 para o longo prazo (mais de cinco anos), segundo o relatório da empresa de consultoria e gestão de riscos e seguros que colaborou no relatório apresentado esta semana no Fórum Económico de Davos.

Ao nível do risco económico, os valores são de 61.30 no curto prazo e 64.70 para o longo prazo. "Estou bastante cauteloso" nesta área, pois "sente-se nos últimos dois anos que cada vez mais o setor empresarial nos aborda para perceber como transferir o risco para mercado segurador", indicou Fernando Chaves.

.Para isso contribuem "a dependência [de Portugal] de mercados específicos como o africano, o brasileiro em parte, da entrada em países como a Turquia e a incerteza da própria Europa", face a problemas crescentes como o do terrorismo e das migrações, justificou ao DN.

Globalmente, "não estou otimista" sobre a situação política e económica no curto e médio prazos, concluiu o especialista com mais de 20 anos de experiência no setor.

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