PSD apresenta "tabela de inverdades" para provar que Centeno foi irresponsável

Carlos Abreu Amorim diz que ministro das Finanças tem sido um "elefante numa loja de porcelanas"

O PSD apresentou hoje o que diz ser uma "tabela de inverdades" do ministro das Finanças ao longo da comissão de inquérito ao Banif, acusando Mário Centeno de ter uma "atitude totalmente irresponsável" ao longo dos trabalhos.

O coordenador do PSD na comissão de inquérito ao Banif, Carlos Abreu Amorim, apresentou hoje no parlamento a declaração de voto que acompanha o chumbo do PSD à proposta de relatório, e os sociais-democratas são muito críticos para com Centeno.

O governante, diz Abreu Amorim, manteve uma "atitude totalmente irresponsável, não apenas no plano político, mas no plano do sentido de Estado que deve caber a um ministro das Finanças".

"Apresentamos uma tabela de inverdades do senhor ministro", disse depois o social-democrata, que acusa Centeno de nas três presenças na comissão de inquérito e nas declarações à imprensa ter entrado em contradição "com o seu secretário de Estado, Mourinho Félix, com o governador do Banco de Portugal, com Maria Luís Albuquerque e até com ele próprio".

"O ministro das Finanças teve uma prestação enganosa e desastrosa em todo este processo", acusa o PSD.

Depois, o coordenador "laranja" extrapolou as "declarações e atitudes" de Centeno para fora do Banif, falando também da Caixa Geral de Depósitos e do Novo Banco: o titular da pasta das Finanças tem sido um "elefante numa loja de porcelanas", num estilo "peregrino em toda a governação do mundo ocidental desde que existe um sistema bancário livre e aberto".

Abreu Amorim falou de documentos que não chegaram à comissão de inquérito por o Governo advogar serem versões provisórias ou estarem sob sigilo - o PSD acusa o executivo e Centeno em concreto de uma "resistência totalmente ilegal e que viola o regime jurídico dos inquéritos parlamentares".

A proposta de relatório final da comissão de inquérito foi apresentada na segunda-feira pelo deputado relator, o socialista Eurico Brilhante Dias, e será votada - após a discussão e votação das várias propostas de alteração dos partidos - hoje à tarde.

Em 20 de dezembro de 2015, domingo ao final da noite, Banco de Portugal e Governo anunciaram a resolução do Banif, a venda de alguns ativos ao Santander Totta e a transferência de outros (muitos deles 'tóxicos') para a sociedade-veículo Oitante.

A operação surpreendeu pela dimensão do dinheiro estatal envolvido, que no imediato foi de 2.255 milhões de euros, o que obrigou a um orçamento retificativo.

A este valor há ainda que somar a prestação de garantias de 746 milhões de euros e a perda dos cerca de 800 milhões de euros que o Estado tinha emprestado em 2012 e que não tinham sido devolvidos.

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